Ensaio sobre a estupidez e a burrice da turba.

A burrice e a estupidez não são inócuas; elas podem mesmo se tornar extremamente perigosas e isso se intensifica quando se mesclam com o ressentimento e o ódio!

A burrice é um fenômeno histórico, sendo múltipla, multifacetada e chega a se travestir até de uma forma de adulta sabedoria e a distribuir frases feitas em redes sociais e em cultos, elaboradas precisamente por aqueles que desejam despertar nas massas os preconceitos e o ódio.  

E a burrice, assim como a estupidez e a truculência são sempre expansivas, tentaculares mesmo.

Nesse aspecto, tão pouco se pode subestimar a preguiça, principalmente a daqueles indivíduos dotados de uma forma de preguiça interessada, monetarista!

Enquanto isso, a estupidez é na multidão presencial ou pelas redes sociais onde que melhor se propaga, juntamente com as propagações do medo, do ódio, da violência, que juntam as mãos ao consumismo e ao egoísmo. Aqui, até a linguagem é transformada em pequenas frases de iniciação, pois tal qual a burrice, a estupidez odeia a solidão; elas requerem ressonância e reverberação, buscam sempre as multidões!

De uma maneira geral, todos os estúpidos se acham visionários; pensam ter descoberto a chave que abre todas as portas do universo, o segredo que revela todos os pontos mais sombrios da alma humana.

E a inveja é um dos maiores corrosivos da personalidade de um estúpido! Aliás, prima irmã do ódio!

E não há combustível mais incendiário para o ódio que o medo!

No mundo líquido da internet, tem se a combinação bombástica de opiniões sem conhecimento. Da combinação de opinião sem cabimento com a ausência de experiência, surge o caos; exemplo mais claro, o terraplanismo!

E os líderes dos estúpidos acometem aos borbotões. O que significa a chupeta usada por um Nikolas Ferreira em sua campanha eleitoral, que o tornou o deputado federal mais votado no Brasil? Ele procura-se caricaturar para destruir, mentir, enganar e distorcer a realidade o que é, muitas vezes, a melhor forma de se mostrar e ser seguido na mídia sem controle.

O fascismo se nutre da estupidez, da burrice e do ódio!

“É preciso maltratar a estupidez” (Nietsche), porque ela sempre se renova e se reestabelece.

Esta é principal missão da lucidez: Como vencer a turba enfurecida dos estúpidos!

A estupidez age em escaramuças, pronta a se fazer presente! De certa forma, ela se aproxima e às vezes entrelaça suas mãos com a loucura. Mas não se trata de qualquer tipo de “loucura”, mas sim, em sua versão torpe, na sua capacidade de corrosão de tudo que é correto.

E, de forma que tanto a loucura, quanto o ódio e a estupidez têm um enorme poder de sedução! São as fontes nas quais se nutre o fascismo, em suas mais diversas manifestações!

E o Eterno Fascismo, é um ao germe sempre latente, invencível da estupidez humana. E é o medo que o faz expandir-se! (Umberto Eco).

Os fascistas só pensam em poder, em dinheiro, nada respeitam, destroem o país, aviltam as crianças e os adolescentes, degradam a família! Justo tudo o que juram defender dos chamados “comunistas”.

Acontece que para os fascistas o indivíduo inteligente é sempre um perigo! Quanto mais idiotizado alguém se mostra, tanto mais é vítima e algoz, pois facilmente manipulável. E ele, finalmente, terá orgulho de sua estupidez, de sua burrice!

 A estupidez e a burrice a la Brasil.

A nossa estupidez e a burrice são, historicamente, marcada por uma aliança entre fé religiosa e a violência! E quando o cinismo é erigido em lei, morrem todos os ideais!

Como disse o filósofo Mário Casanova:

“A combinação clássica brasileira é da religião com a violência, nesse sentido quando Euclides da Cunha acompanha com devoção a comédia de erros que resultam nas três expedições a Canudos e na derradeira destruição do total do Arraial, o que o comove é como engenhosidade militar máxima dos que defendiam os casebres pobres do assentamento convivia com ingenuidade igualmente cativante e uma fé inquebrantável na força visionária de um lunático. Isso sem falar nos equívocos organizacionais, que tornam as primeiras duas expedições um desastre completo para os regimentos do exército Central”.

 “O cristianismo chegou ao Brasil desde o princípio como uma religião imposta, como um fenômeno marcado à ferro na alma brasileira. Temos o famoso quadro de Victor Meirelles de 1860, chamado “A primeira missa”; neste quadro o bispo português Henrique de Coimbra aparece celebrando uma missa diante do altar improvisado, com índios com fisionomias claramente europeizados, calmamente dispostos em torno do altar, e alguns em cima das árvores para receber a palavra sagrada”.

A dita “evangelização” dos índios foi tudo, menos uma experiência de paz e compreensão. A catequização se deu a partir da premissa que os índios não passavam de seres primitivos que precisariam se salvar por meio da revelação e da servidão e punição pelo catolicismo.

Os negros escravizados também se viram constantemente sujeitos à violência impositiva do horizonte europeu de concepção do que constitui o centro de alguém. A sobrevivência de suas crenças de origem e de sua cultura foram sistematicamente perseguidas e sujeitas à violência de um cristianismo, e nos dias de hoje, sobretudo, pelo crescimento desmedido do neopentecostalismo que já alcança um terço de nossa população!

“O neo evangelismo é uma religião do grito, do julgamento incessante do outro, de negação do mundo e de tentativa de reconsideração da vida nos moldes dogmáticos da visão evangélica do mundo! O ideal do mundo evangélico é literalmente o mundo só de evangélicos. A verdade revelada torna-se assim moeda do dia, força identitária de submissão do outro, a uma formatação da frente sempre definida do que é e pode ser chamado de fé, de religião, e cristianismo, e verdade, e moralmente aceitável e etc. Surge, com isso, o dilema: sempre uma vez mais é preciso protestar contra os protestantes, a fim de lembra-los ao menos disto mesmo. Quem sabe assim eles consigam se lançar além do protesto”. (Casanova)

Voltaire definiu o cristianismo como “O túmulo do fanatismo” (1736). Religião é o ressentimento e servidão em sua essência!

O problema é que “a aliança entre o ser humano e a servidão é uma aliança mais profunda do que seu anseio por liberdade”! De bom grado os seres humanos se entregam à servidão, contanto que ela lhe permita uma existência que os satisfaçam, disse Dostoievski em Irmãos Karamazov.

Quando observamos o imbecil culto a Israel e à bandeira americana, vemos que Nelson Rodrigues foi feliz ao dizer: “os brasileiros odeiam ser brasileiros”!

E o bolsonarismo representa exatamente isto: É preciso menosprezar todos os que buscam viver em sintonia com seus ideais. É preciso fechar as portas para qualquer esperança. E odiar todas as esperanças que sejam as verdadeiras!

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