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"Entendendo Proust" e "Em Busca do Tempo Perdido"

Resenha



“ENTENDENDO PROUST” é um trabalho inovador, voltado a facilitar a leitura daqueles que desejam iniciar-se em Proust, assim como fornecer bases para discussão de determinados temas centrais da obra, justamente quando comemoramos cem anos da edição de “A Caminho de Swann”, o primeiro volume de “Em Busca do Tempo Perdido”.

Prefácio- Dedicado a traçar o panorama do livro, principia contando de que maneira tornei-me um leitor de Proust, após diversas tentativas interrompidas nas primeiras páginas de “A Caminho de Swann”. As trilhas que desbravei para decodificar uma leitura inicialmente difícil, lenta, que é parte do próprio estilo proustiano.

Traçamos a identificação de “Em Busca do Tempo Perdido” com o Impressionismo, que, a partir da pintura, forneceu a base para o desenvolvimento da música de um Debussy, assim como para escritores como Proust. Uma nova forma de simbolizar os homens e a natureza – a partir da percepção causada no seu autor. Proust, que tinha a convicção da transitoriedade das associações entre os homens, de suas  personalidades, das intermitências de nossos corações, lançou mão desta técnica que lhe permitia descrever ou rememorar justamente os instantâneos a serem figurados por meio da escrita, dentro de um universo físico e psicológico sempre em mudança.

Convido os leitores a penetrar no universo deste escritor único, detentor de uma sensibilidade refinada, de erudição e memórias privilegiadas e que possuiu o dom de transformar seu romance numa verdadeira epopeia da alma, velejando pelos mais diversos oceanos da existência, mesmo porque, por todos eles, Proust navega. Um Proust que é um subversivo, um revoltado, possuidor de um perigoso gênio cômico, e ele o emprega para destruir, uma a uma, todas as máximas e preconceitos sociais de seu tempo e que, em seu cerne, são os mesmos que a humanidade, cem anos após, ainda os encarna, talvez sob a forma de avatares.

Para o desenvolvimento da trama, criei um personagem, André Jammes, um misto de repórter e crítico literário. Ele estabelece um processo de “entrevistas” com Proust, cujo objetivo é facilitar o caminho  para que os futuros leitores de “Em Busca do Tempo Perdido” remetam-se à obra original e tornem-se “leitores de si mesmos”.

Importa ressaltar que meu personagem busca, com todo o denodo expor a “essência” dos conceitos proustianos. Ou seja, Proust fala por si e pela boca de André, que também emite conceitos, implicitamente buscando a contemporaneidade do cerne de “Em Busca do Tempo Perdido”.

Nosso trabalho foi subdividido em oito capítulos. Os três primeiros são dedicados ao plano geral da obra, em que são definidos os principais atores, suas ações e os panoramas do romance. Os capítulos seguintes apresentam temáticas específicas.

Capítulo I- “Um Romance Circular”- A relação entre André Jammes e Proust é desenvolvida e uma introdução geral ao “Tempo Perdido” assim como ao “Tempo Recuperado” é realizada;  busca-se esclarecer os novos leitores a respeito do estilo proustiano e da modernidade de um romance de novo tipo, um romance semi-autobiográfico, onde o passado é rememorado a partir de impulsos do inconsciente, num tempo que é, não somente uma seta a indicar o futuro, mas também circular, próprio da inserção do homem na “psicologia do tempo”.

Capítulo II- “Personagens e os Alicerces de uma Catedral”- Muitos leitores se decepcionam num primeiro contato com “Em Busca do Tempo Perdido” porque estão acostumados a buscar na leitura tradicional a lógica de cada personagem. Acontece que em Proust, as personagens preservam, sim, uma lógica, mas ela é interna, um fio condutor de sua psiquê, dentro da “multiplicidade de seus eus”.

Os principais personagens do conjunto da obra são apresentados ao leitor, com as suas máscaras sociais, diferentes e múltiplas, suas “personnas” se transformam no decorrer do Tempo. As ações se encadeiam em complexas redes planejadas e construídas numa obra de imenso fôlego, com a precisão e rigor arquitetural, tais quais os necessários para o erguimento de uma catedral gótica.

Capítulo III- “Ambientação e Crítica Social”- Proust vivenciou tanto o clima de decadência do “fin-de- siècle” quanto o da “belle époque”, e o seu romance insere-se nessas diferentes conjunturas.

Na economia, as crises cíclicas do capitalismo deram a tônica das décadas finais do século XIX. O momento histórico que marca a ascensão social de uma burguesia arrivista e parasitária é fruto das conquistas coloniais e da supremacia do capital financeiro sobre a produção, em que também uma aristocracia decadente, que perdera seus feudos, luta pela sua absorção social.

Coincidindo com as grandes descobertas científicas e com inovações tecnológicas, que propiciaram mudanças revolucionárias nos mais diferentes aspectos da vida humana, um novo ciclo de expansão e desenvolvimento ocorreria na transição para o século XX.

Na política e nas relações sociais, o sentimento geral não acompanhou a euforia das descobertas. Proust viveu nessas épocas de transição e crise em que os homens sentem a falta do ar e têm pressa em alcançar uma saída. A ansiedade é permanente e esse clima terá seu reflexo tanto na filosofia quanto nas artes. Dentro desse ambiente em que os conflitos se arrastam, surgem lado a lado a intolerância racial, a luta por novas conquistas coloniais; o patriotismo, o militarismo; as divisões da sociedade em ideologias que cada vez mais determinam atitudes. Até que se desemboca na grande hecatombe que foi a Primeira Guerra Mundial.

Dentro desse panorama geral foi escrito “Em Busca do Tempo Perdido” e em todas essas questões Proust procura, não nos grandes movimentos sociais, mas dentro dos seres humanos, no mais profundo da alma, respostas e “verdades”.

Capítulos temáticos:

Capítulo IV- “A Vida e a Morte”-  O que é a adolescência? quando termina? quando se transforma em juventude? Essas fases da vida são sempre repletas de ambiguidades e disfarces. Quando é mesmo que nos metamorfoseamos em adultos? É tão curta essa radiosa manhã, em que também o sexo é descoberto.

Atingiremos a maturidade quando o Tempo desenvolve todo o seu poder de conduzir nossos corpos e espíritos à decadência, que se instala em nós sorrateira e lentamente. As relações amorosas com o passar do tempo, sob a crisálida de dores e carinhos, tornam invisíveis ao amante as piores  metamorfoses da criatura amada, o quanto aquele corpo teve tempo de envelhecer e mudar. Quando, finalmente, a maturidade é conscientemente aceita,  tem como resultado tornar a maioria das pessoas menos exigentes.

A morte, somente quando nos é próxima, assume sua realidade. De certa forma, nossos mortos continuam vivendo em nós. Nesse culto da dor por nossos mortos, votamos uma idolatria ao que eles amaram, mas a morte de quem se ama é muito complicada, pois significa a morte de cada uma das diferentes personalidades assumidas dentro de nós mesmos.

Por outro lado, somente a morte, ao romper todas as nossa ligações com a vida e as coisas, é a única capaz de nos curar do desejo eterno e onipresente de imortalidade, portanto, oferece-nos a total liberdade, que é a própria morte.

Capítulo V- “Os Sonhos, os Múltiplos “Eus” e seus sentires- Proust estudou como ninguém até então o fizera os estados de sono, dos sonhos e de vigília, assim como a dissociação dos estados da alma e a multiplicidade de nossas personalidades, e, logicamente dos seus mutáveis sentires.

“Em Busca do Tempo Perdido” assemelha a vida a um sonho e este à própria vida. A leitura  do  livro nos enleva, somos possuídos pela  sensação de caminharmos lentamente através das clareiras de uma floresta encantada. Um sonhar caminhando, dessas espécies de viagens das quais demoramos como que uma eternidade para nos livrar e conseguir despertar; quando retornamos ao mundo real, damo-nos conta de que o sonho ainda não terminou, pois nosso universo, tal qual um sonho, segue dentro de nós. “Em Busca do Tempo Perdido”, ao lado da memória involuntária de que é tecido, traz a marca indelével dos sonhos e dos pesadelos de seu Narrador, e, por que não, de seu criador.

A dissociação, essa multiplicidade dos “eus “de um indivíduo, para Proust não é apenas um fenômeno normal da personalidade, mas fundamental da vida dos seres humanos.

Capítulo VI – “As Insatisfações do Amor”- Os personagens proustianos são arrastados por um torvelinho de paixões,  veladas ou declaradas.  Paixões em que o amor se manifesta nas suas diferentes formas, muitas vezes apenas platônica, outras, com os prazeres do sexo.

No mundo proustiano, o amor que sentimos por uma pessoa é quase que uma obra exclusiva nossa. O acaso nos faz encontrar uma pessoa que espelhará esse afeto e cuja personalidade se moldará ao nosso amor; mas esse processo ocorre exclusivamente em nosso próprio espírito. Na impossibilidade de o amor ser compartilhado, comportamo-nos como Narciso e amamos a ninfa Ecco, fruto de nosso próprio ego.

O ciúme, decorrente da posse ou do desejo da posse, com as torturas e aflições com que Proust concebe seus personagens, funciona como uma ideia fixa, conduzindo o amante a procurar mentiras e traições em quaisquer atitudes, tornando o amor um sofrer poucas vezes apaziguado. Os personagens são confinados em mundos solitários, onde as paixões sempre se transformam em tormentos, em um inferno em que só se é capaz de amar o que não se possui ou o que se teme perder. A paz somente pode ser alcançada no esquecimento e no sonho, ou na fuga para novos amores em que  os ciclos serão recriados.

Capítulo VII- “As Diferentes Facetas do Sexo”- No sexo não existe nenhuma moral a ser seguida e os comportamentos humanos são moldados pelas paixões e pelos padrões sociais. O escritor, dentro de sua extrema perspicácia, explicita os preconceitos e atitudes ligadas ao sexo, abandonando a hipocrisia social. Os personagens proustianos expõem suas facetas sexuais como algumas plantas que sagazmente abrem seus órgãos genitais aos insetos polinizadores, sem pudor, sem vergonha, mas com receio da punição. O hossexualismo se cercava de disfarces,  revestia-se de diversas formas e engendrava culpas.

A temática, que se inicia pelas cocotes e pelas prostitutas de bordel, caminha para o homossexualismo masculino e feminino, tanto para aqueles que navegam na bissexualidade, quanto para os outros, cuja prática homoafetiva é quase que um sacerdócio. Proust não exclui de seu romance a prática do sadomasoquismo e ele o faz, quer como uma forma de prazer “vicioso”, quer como recurso estético melodramático.

Capítulo VIII- “O Tempo, a Memória e o Processo Criativo-  Essa temática representa o alfa e o ômega da obra proustiana. Trataremos do Tempo, das transformações que seu decorrer provoca nos corpos e nas mentes das pessoas, assim como em todos os objetos que sejam frutos do homem ou da natureza. O Espírito que, reagindo  às destruições que o Tempo produz, busca esconderijos nos templos do Inconsciente e lá deposita, como reminiscências vivas, parcelas do tempo vivido.

Proust diferencia dois compartimentos distintos da Memória. Aquele que nos traz, através da inteligência, figuras estáticas do passado, tal qual um álbum de fotografias; um outro, a Memória Involuntária em que as lembranças guardadas no subconsciente podem ser recuperadas. Um processo de reviver, no presente, como frutos do acaso, sensações que trazem impressões vividas no passado, um  fio condutor da “psicologia do tempo” e da “psicologia do espírito” de Proust.

Essa temática sintetiza um obra de arte que possui a lógica do inconsciente e encontra sua melhor expressão dentro da linguagem própria dos símbolos.