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Helenismo e a Tragédia Grega

Psicologia Histórica e Helenismo



O conceito central da Psicologia Histórica é que o homem deve ser estudado nos pontos em que colocou mais de si mesmo: naquilo que fabricou, construiu, instituiu, criou continuamente, século após século, para edificar o que é este mundo humano em que vivemos, que, em sítese, é nosso verdadeiro ambiente natural. O homem está presente em tudo aquilo que, continuamente, por seculo seculorum, constuiu, conservou, transmitiu: ferramentas e técnicas, línguas, religiões, instituições sociais, sistema de ciências e de artes. Por tornar impossível continuar a se postular, por trás das transformações de condutas e das obras humanas um espírito imutável, funções psicológicas permanentes, um sujeito fixo interior, tornou-se preciso reconhecer que o homem é, dentro de si, o lugar de uma história. E que constitui uma tarefa da psicologia a reconstrução do seu percurso.

Quem concebeu e desenvolvou a Psicologia Histórica foi Ignace Meyerson, polonês de origem judaica, que imigrou para a França quando as tropas russas tzaristas, em 1905, atacaram os poloneses revoltosos. Concluiu Medicina em Paris, com residência em hospitais psiquiátricos. Já em 1912 passa a se dedicar à pesquisa científica no laboratório experimental de Lapicque, na Neurofisiologia. Em 1920 retorna à Psicologia propriamente dita, tendo sido secretário da Sociedade Francesa de Psicologia recém formada. O Jornal de Psicologia Normal e Psicopatologia, fundado por Janet e Dumas, passa tê-lo como organizador, e, em 1938 como Presidente. Meyerson dirigiu este Jornal, uma das maiores revistas científicas da área de psicologia até 1962, durante 63 anos. Este meio foi um local de debate constante entre as diversas disciplinas humanas, dentro de suas diferentes abordagens sobre o comportamento humano, com contribuições de historiadores, sociólogos, antropólogos, linguistas, estudiosos da estética.

Com a Segunda Guerra e a invasão de Paris, Meyerson deixou a Sorbonne, onde substituira Delacroix na cadeira de psicologia e incorporou-se a Universidade de Toulouse. Mas isto durou pouco tempo e ele foi proibido de lecionar por ser judeu. Fundou, então, a Sociedade Toulusiana de Psicologia Comparativa em 1942. Em novembro de 1942, quando os alemães vieram buscá-lo para extraditá-lo para os campos de concentração, ele já havia desaparecido. Aos 54 anos incorporara-se ao Exército de Libertação da França, e no dia da libertação de Paris, o Tenente Coronel Monfort despiu seu uniforme, rasgou sua identidade falsa e negou-se a receber qualquer condecoração: voltara a ser Meyerson o professor universitário e estudioso.

Em 1948, aos 60 anos, para assumir a cátedra da Sorbonne, teve que escrever às pressas o seu único livro, “Les Fonctios psychologiques et les ouvres”, sua tese de livre-docência e a base teórica da Psicologia Histórica. Foi nomeado Diretor de Pesquisas, em 1951, da Escola de Autos Estudos Sociais. Participou, aos 80 anos, do Movimento de 1968 ao lado dos estudantes. Faleceu em 1993, com 95 anos de idade, em plena lucidez após dar o seu último seminário.

 

Um pouco mais sobre a Psicologia Histórica

A psicologia histórica, em relação à tradicional, desloca o ângulo de abordagem do estudo tradicional dos compartamentos, para a análise da obras, que, por meio da concretude histórica, expessaram e moldaram mais facilmente o psiquismo humano. Nossos atos são uma linguagem. Eles manifestam uma atividade mental. Os comportamentos humanos, fatos de civilização e conteúdos espirituais são três aspectos de uma mesma realidade concreta. Entre a psicologia e outras ciências do homem não há uma diferença de objeto e sim, um diferença de perspectiva. Nos fatos da civilização que o historiador, o historiador das religiões, do direito, da arte, o linguista, etc., estudam, o psicólogo esforça-se em perceber o comportamento do espírito.

Não existe razão alguma para nos limitarmos aos comportamentos atuais dos homens; os do passado não possuem menor valor. Conservados em obras e documentos eles têm a vantagem, inclusive, de se prestar mais facilmente à leitura e a comparações. Na verdade, não existe realidade espiritual fora das atitudes humanas, das operações do homem sobre a natureza e sobre os outros homens. Deste modo, a psicologia deve acrescentar ao seu objeto uma nova dimensão: a histórica. História cuja sonda vai mais fundo: toca os acontecimentos, as instituições, as civilizações. E transformações psicológicas ocorrem no decorrer dos tempos, sendo sempre “vítimas”de um “inacabamento”, que constitui um caráter essencial das funções da mente.

Meyerson dizia que se transformava a cada novo livro que ele lia. Inacabadas, as funções psicológicas são também inacabáveis. Não podemos determinar um fim para sua transformação. Sua história não realiza nenhum modelo prévio de perfeição. Trata-se de uma história interrompida, complexa, feitas de idas e vindas e de direções imprevisíveis, este caminhar do espírito humano. Nada é definitivo: na história do espírito cada um de nós é responsável pelo esforço, por sua continuação e por sua renovação. Mas ela não é uma história puramente individual, nem uma história no ar. Tem suas raízes muito bem fincadas na vida material e social dos homens. Isto exclui a predestinação. Assim como não existe um campo psicológico puro, não existe campo social puro.

Todos os fatos humanos – atos, obras, instituições, civilizações- são ao mesmo tempo psicológicos e sociais e nesse sentido, o social nunca pode ser o princípio de explicação do psicológico e vice-versa. Os elos são complexos, pois a estrutura social depende de outras estruturas e as formas mentais de outras formas. Entre umas e outras não existe causalidade unilateral e sim sempre, ações recíprocas.

Destarte que a história social é uma obra humana que os homens elaboram com suas paixões, seus interesses e suas representações. Mas reciprocamente, por meio desta história, os comportamentos humanos se transformam e o homem, por sua vez, elabora a si mesmo. É essa história complexa e fascinante do espírito humano que a psicologia comparativa nos mostra. Ignace Meyerson não definiu apenas claramente seu método e objeto. Ao aplicá-lo ao espírito, mostou toda sua fecundidade; ao mostrar que o homem fabrica e fabricou a si mesmo, ela nos diz que ele é responsável por seu destino espiritual, assim como pelo social. O homem constrói os dois ao mesmo tempo.

Loius Gernet, filólogo, sociólogo e helenista, teve uma carreira longa e modesta na Universidade de Argel. Somente em 1948, aos 65 anos de idade, foi convidado a ensinar antropologia da Grécia antiga na Escola de Altos Estudos de Paris. Entre 1949 e 1961, foi o editor do Jornal Anais de Sociologia. Sempre expressou uma dupla preocupação no estudo das antiguidade clássica: “partir das realidades coletivas, em todos os níveis, compreender sua forma densa, apreciar corretamente seu peso social, mas jamais separá-las das atitudes psicológicas, dos mecanismos mentais sem os quais o advento, a marcha e as instituições seriam inintelegíveis”. Gernet era um especialista em todos os campos, um mestre na ciência do direito comparado, em filologia, em história social e econômica, era também um daqueles que entendeu de forma mais refinada e profunda a religiosidade grega. Habituado tanto com os debates filosóficos quanto com o dos tribunais, conhecedor das obras dos poetas , dos historiadores e médicos, Vernant dizia que Gernet podia sempre considerar o homem grego total, mesmo naquelas séries de pontos de inflexão nas quais as mutações mentais e mudanças sociais apareceriam em relação dialética: o advento do direito a partir do pré-direito; a criação da moeda e o aparecimento do plano econômico a partir de comportamentos que implicam numa noção mística do valor; o nascimento da cidade e de um pensamento da “poli”, origem da filosofia.

Jean- Pierre Vernant, aprendeu com Meyerson que o que caracteriza o homem é o pensamento simbólico. Com Gernet, as bases da antiguidade clássica. Foi discípulo de ambos, e de certa forma, a síntese de ambos num helenismo direcionado à busca e interpretação do seu psicologismo histórico. De Marx, Vernant absorveu o sentido de que a história expressa a transformação contínua da natureza humana e de que “é na concretude da existência que os homens se definem pela rede das práticas que os ligam uns aos outros”. Vernant chegou ao marxismo através do ateísmo revoltado, revolucionário. Ao aprofundar-se nos mitos e na religião grega, compreendeu que as relações entre religião e sociedade não são tão simples e esquemática como crêem muitos marxistas dito ortodoxos.

Membro do Partido Comunista Francês desde a juventude, militou no movimento anti-facista, durante a guerra pegou em armas contra o invasor alemão, chegando ao posto de Coronel no Exército do Sudoeste Francês. Militante anti-colonialista no pós-guerra, esteve nas barricadas de 1968. Somente rompeu com a prática burocrática, com o autoritarismo do Partido Comunista Francês e com a trágica farsa de socialismo dito "real" e da repressão na União Soviética em 1982. Entre o “Mito e a Política”, Vernant jamais abjurou sua origem de revoltado, sua essência contestadora, seu âmago marxista.

Vernant rejeita toda interpretação que inscreve “por trás das transformações das condutas e das obras humanas, um espírito imutável, funções psicologicamente permanentes, um sujeito interior fixo”, pois antes que tudo, “o homem é, dentro de si, o lugar de uma história e a tarefa do psicólogo é justamente reconstruir o seu percurso". Rejeita o rótulo de estruturalista, na medida em que signifique certo modismo que previlegie modelos formais de esquemas abstratos. Mas admite-o em sua abordagem no estudo das religiões , na “percepção dos sistemas de oposição e homologias que constituem o arcabouço das narrativas míticas”. Este intelectual engajado poticamente, sempre preocupado em analisar os acontecimentos da história humana no presente e na antiguidade, afirmou ”se a Grécia constitui o ponto de partida de nossa ciência, filosofia, se inventou a razão, a política e a democracia no sentido em que as entendemos; se deu à cultura ocidental seus traços mais marcantes, procurar explicar o que é chamado de milagre grego é tentar situar a nossa própria origem no lugar que lhe cabe na história humana.”