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"Entendendo Proust" e "Em Busca do Tempo Perdido"

Proust e a Música



A profunda erudição de Proust envolvia a historiografia musical à qual associava um refinado e crítico gosto musical; em seu trabalho, são dedicadas páginas e mais páginas à análise da música wagneriana, assim como aos “poemas musicais”, aos quais dedicava um carinho todo especial; as páginas de seu livro são recheadas por concertos, sonatas, balés, óperas, sinfonias e músicas sacras, caminham pelo Barroco com Scarlatti e Bach, passam pelo rococó de Rameau, chegam ao Classissismo de Mozart, de Mendelssohn, ao tradicionalismo do folclore nacional de Mussorgsky, Borodin e Lizst, percorrem o Romantismo de Beethoven, Schumann, Schubert, Chopin e Verdi, chegando ao neo-romantismo de Wagner, de Frank e Fauré, ao poema sinfônico de Saenz, e, finalmente, caminham até o Modernismo de Debussy, dos balets russos e de Stravinsky.

 

I- COMPOSITORES E OBRAS CITADAS EM “EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO” Neste nosso estudo, elencamos quarenta e cinco compositores e seus trabalhos, que transformam cada página proustiana em um pequeno acorde musical.

COMPOSITOR OBRAS
Auber Salomé Diamantes da Coroa Fra Diavolo Domino Noir
Bach Fugas      
Bakst Balés russos      
Beethoven Os quartetos XII, XIII, XIV, XV Nona Sinfonia Sonata ao Luar Sinfonia Pastoral
  Fidélio Missa em Ré    
Benjamin Godard        
Benoist Balés russos      
Berlioz A Infância de Jesus      
Bizet        
Boieldieu Dezenas de óperas      
Borodin Príncipe Ygor      
Charpentier        
Chopin O mestre dos noturnos piano do quarteto XV Prelúdios Polonaises
Clapisson        
Debussy Rejunescimento dos noturnos Jeux Fêtes Pelleas e Melisandre
Diaguilev Balés russos      
d'Ind        
Fauré Sonatas Barcarolas    
Franck Canto inocente e melodioso      
Gluck Orfeu e Euridice Ifigênia    
Korsakov Sheherazade- Suite Sinfônica      
Lamoureux        
Liszt S.Fr.de Assis falando aos pássaros      
Mascagni Cavalleria Rusticana      
Massenet Manon      
Maurice Ordonneau Os Saltimbancos      
Mendelssohn Canto inocente e melodioso      
Meyerbeer Roberto, o diabo      
Mozart Quinteto com clarineta      
Mussorgsky Opera Boris Gudonof      
Nijinski Balés russos      
Olivier Métra        
Palestrina O mais famoso antes de Bach      
Planté        
Rameau        
Ranwort        
Reynaldo Hahn Opera Ilha dos Sonhos      
Richard Strauss As Jóias da Coroa de Auber Salomé de Alber Josephs-Legende  
Rossini Uma Italiana na Argélia      
Saint-Saenz        
Sardou Autor do folheto de Tosca      
Scarlatti Sonatas em Lá Maior K181 Salve Regina Stabat Mater  
Schumann Lieds      
Stravinski        
Tagliafico Valsa das Rosas O Pobre Louco    
Verdi Hernani      
Wagner Crepúsculo dos deuses Mestres Cantores Tannhauser Sigfried
  Tristão e Isolda O Ouro do Reino Lohengrin O Navio Fantasma
Widor        

 

II- SENSIBILIDADE MUSICAL DE PROUST

 

1. Impressão e intimidade 

“A Caminho de Swann”. SONATA DE VEINTEUIL- “A princípio só admirara a qualidade material dos sons secretos tirados pelos instrumentos. E aquilo já fora uma grande satisfação; eis senão quando, por baixo da linha melódica do violino, tênue, resistente, densa e dominadora, ele vira de súbito elevar-se num marulho líquido, a massa da parte do piano, multiforme, indivisa, plano e entrechocada como a malva agitação das vagas que o luar encanta e bemoliza. Mas em um dado momento, sem poder distinguir com nitidez um contorno, dar um nome ao que lhe agradava, subitamente arrebatado, buscara recolher a frase ou a harmonia- ele mesmo não sabia- que passava e que lhe abria a alma mais largamente, como certos aromas de rosas que circulam no ar úmido da noite têm a propriedade de dilatar nossas narinas. Talvez porque não conhecia a música, é que pudera experimentar uma impressão tão confusa, uma dessas impressões que no entanto talvez sejam as únicas puramente musicais, não-extensas, inteiramente originais, irredutíveis a todo gênero diverso de impressões. Uma impressão desse tipo, durante um momento, é por assim dizer “sine materia”... Assim, mal havia expirado a sensação deliciosa que Swann sentira, a sua memória lhe fornecera, de imediato, uma transcrição sumária e provisória, mas sobre a qual já lançara os olhos enquanto o trecho continuava a ser tocado, se bem que, quando a mesma impressão voltara de súbito, ela já não era inatingível. Ele lhe concebia a extensão, os grupamentos simétricos, a grafia, o valor expressivo; tinha diante de si essa coisa que já não é música pura, que faz parte do desenho, da arquitetura, do pensamento, e que permite recordar a música... Um trecho lhe propusera logo volúpias especiais, que nunca imaginara antes ouvi-lo, e percebia que somente ele podia fazer conhecê-las, e sentiu por aquela frase como que um amor desconhecido.” “Sua sorte estava ligada ao futuro, à realidade de nossa alma, de que ela era um dos ornatos mais particulares, mais bem diferenciados. Talvez esse nada é que seja verdadeiro, e todo o nosso sonho inexistente, mas então sentimos que será necessário que semelhantes frases musicais, essas noções que existem, relativas a elas, também não sejam coisa alguma. Morreremos, mas temos como reféns essas prisioneiras divinas que seguirão nosso destino. E, com elas, a morte possui algo de menos amargo, de menos inglório, talvez até de menos provável. Portanto, Swann não estava errado em acreditar que a frase da sonata existisse. Certo, humana sob este ponto de vista , ela no entanto pertencia a uma ordem de criaturas sobrenaturais e que nunca vimos, mas que, apesar disso, reconhecemos deslumbrados quando algum explorador do invisível consegue captar uma, trazê-la do mundo divino a que teve acesso para brilhar por poucos momentos no nosso. Fora o que Vinteuil fizera quanto à pequena frase...Que belo diálogo Swann ouviu entre o piano e o violino no último trecho! A supressão das palavras humanas, longe de deixar reinar ali a fantasia, eliminara-a; nunca a linguagem falada foi tão inflexivelmente fatal, não conheceu a esse ponto a pertinência das perguntas, a evidência das respostas. Primeiro o piano solitário se queixava, como um pássaro abandonado pela companheira; o violino o ouviu, respondeu-lhe como de uma árvore vizinha. Era como o começo do mundo, como se só existissem eles dois sobre a terra, ou melhor, naquele mundo fechado a tudo ou mais, construído pela lógica de um criador, e onde só eles existiriam para todo o sempre: aquela sonata.”

 “A Prisioneira” COMPOSIÇÃO DE VINTEUIL-“Assim também reconheci-me de chofre no meio daquela música nova para mim, em plena sonata de Vinteuil; e mais maravilhosa que uma adolescente, a frasezinha envolvida, arreada de prata, escorrendo sonoridades brilantes, leves e suaves como charpas, veio ao meu encontro, reconhecível em suas novas vestimentas. O prazer de me encontrar novamente com ela acrescia-se da entonação tão afetuosamente conhecida que tomava para me dirigir a palavra, tão persuasiva , tão simples... Apenas relembrada assim ( a frasezinha), desapareceu e achei-me em um mundo desconhecido, mas eu sabia que esse mundo era um daqueles que eu não poderia sequer conceber que ele houvesse criado, pois quando fatigado pela sonata, que era um universo esgotado para mim, eu não fazia senão proceder como aqueles poetas que enchem o seu pretenso paraíso de prados, flores, ribeirões e que são meras repetidões do que se vê na Terra. O que eu tinha diante de mim fazia-me sentir tanta alegria que me teria dado a sonata se eu não a conhecesse, pois sendo igualmente belo, era diferente. Ao passo que a sonata se abria para uma alvorada lirial e campestre, suspendendo-se sobre um emaranhado de gerânios e madressilvas, ... a nova obra era uma rosa de aurora que, para se construir progressivamente diante de mim, aquele universo desconhecido era tirado do silêncio e da noite. Esse vermelho tão novo, tão ausente da terra, da campestre, da cândida sonata, tingia todo o céu, como a aurora, de uma esperança misteriosa”.

A IMPRESSÃO DE UM UNIVERSO FRAGMENTADO QUE SE UNIFICA COM O ARTISTA “...Assim tambem, a música de Vinteuil estendia, nota por nota, pincelada por pincelada, as colorações desconhecidas de um universo inestimável, insuspeitado, fragmentado pelas lacunas que deixavam entre si as audições de suas obras...Prece, esperança, que era em suma a mesma, reconhecível sob seus disfarces na obra de Vinteuil e que, por outro lado, só eram encontardiças nas obras dele.. .Essa entonação aparta-se da dos outros músicos,por uma diferença muito maior que se percebe na fala de duas pessoas, mesmo no mugido e no trinar animal; pela própria diferença que há entre os pensamentos desses outros músicos e as eternas investigações de Vinteuil, a questão que ele se propunha sob tantas formas, sua especulação habitual, mas tão despojada das formas analíticas do raciocínio como se exercesse no mundo dos anjos , de sorte que podemos medir-lhe a profundidade, mas sem a traduzir em linguagem humana, como se dá com os espíritos desencarnados quando evocados por um médium, este os interroga sobre os segredos da morte... Vinteuil, mau grado seu, submergia tudo isso numa onda vinda do seu eu mais profundo, que lhe torna o canto eterno e imediatamente reconhecível. Este canto difere do canto dos outros e é semelhante a todos os seus, onde o aprendera, onde ele o ouvira? Cada artista parece assim como que o cidadão de uma pátria desconhecida, esquecida dele próprio, diferente daquela donde virá rumo à terra, outro grande artista...Quando a visão do universo se modifica, se depura, se torna mais adequada à lembrança da pátria interior , é muito natural que isso se traduza por uma alteração geral das sonoridades do músico, como das cores do pintor...Mais tarde, as últimas obras de Vinteuil foram consideradas pelo público como as mais profundas”.

HARMONIA E DIVERSIDADE “A música ajudava-me a descer em mim mesmo, a descobrir em mim coisas novas: a diversidade que em vão procurara na vida , nas viagens, cuja nostalgia no entanto me era dada por aquela maré sonora que fazia expirar junto a mim as suas vagas batidas de sol. Assim como o espectro exterioriza para nós a composição da luz, assim a harmonia de um Wagner, a cor de um Elstir permitem-nos conhecer aquela essência quase qualitativa das sensações de outrem, na qual o amor por outra criatura não nos faz penetrar. Diversidade tambem no seio da obra mesma, pelo único meio de ser efetivamente diverso: reunir individualidades diversas...donde a plenitude de uma música repleta de tantas músicas, cada uma das quais é um ser. Um ser ou a impressão que nos dá um aspecto momentâneo da natureza”.

 

2. Metafísica e Magia da Música

“A Caminho de Swann” “Swann considerava os temas musicais como verdadeiras idéias, de um mundo diverso, de uma outra ordem, idéias envoltas em trevas, desconhecidas, impenetráveis à inteligência, mas que nem por isso são menos distintas umas das outras, desiguais de valor e de significado entre si”. “Existem no violino (se, sem estar à vista o instrumento e não podendo ligar o que ouvimos à sua imagem) acentos que lhe são comuns a certas vozes de contralto, que temos a ilusão de que uma cantora foi acrescentada ao concerto...enfim é no ar que o sentimos como um ser sobrenatural e puro que passa desenrolando sua mensagem invisível.” “Sabia que a própria lembrança do piano falseava ainda o plano em que via as coisas relativas à música, que o campo aberto ao músico não é um teclado mesquinho de sete notas, mas um teclado incomensurável, ainda quase totalmente desconhecido, em que apenas aqui e ali, separados por expessas trevas inexploradas, alguns dos milhões de toques de ternura, paixão, de coragem, de serenidade que o compõem, cada um tão diferente dos outros, como um universo de outro universo, que foram descobertos por alguns grandes artistas que nos prestam o serviiço, despertando em nós o correspondente do tema que encontram, mostrando-nos quanta riqueza, e quanta variedade, sem que saibamos, oculta esta grande noite impenetrada e desencorajadora da nossa alma que tomamos por vazio e por nada.

“A Prisioneira” “Aquele Vinteuil que eu conhecera tão tímido e tão triste, tinha, quando se tratava de escolher um timbre, de lhe unir outro, audácias, e , em toda acepção da palavra, uma felicidade sobre a qual a audição de uma obra sua não deixava a menor dúvida. A alegria que lhe tinham causado certas sonoridades, as forças acrescidas que lhe dera para descobrir novas, levavam o ouvinte de achado em achado , ou antes era o próprio criador que o conduzia, haurindo nas cores que acabava de encontrar um júbilo imenso, que lhe dava o poder de descobrir, de se atirar às que elas pareciam chamar, arrebatado, estremecendo como ao choque de uma centelha, quando o sublime nascia por si mesmo do encontro dos cobres, ofegante, embriagado, aloucado, vertiginoso, ao pintar o seu grande afresco musical, como Michelangelo amarrado à sua escada e lançando, de cabeça para baixo, tumultuosas pinceladas no teto da Sistina. Vinteuil morrera há muitos anos, mas no meio daqueles instrumentos que animara , fora-lhe dado prosseguir, por tempo ilimitado, uma parte ao menos de sua vida. De sua vida de homem apenas? Se a arte não fosse realmente senão um prolongamento da vida, valeria apenas sacrificar-lhe algo? Não seria ela tão irreal quanto a própria vida?”” “Eu pensava comigo se a música não era o exemplo único do que poderia ter sido se não tivesse ocorrido a invenção da linguagem, a formação da palavras, a análise da idéias- comunicação das almas”. (Albertine toca Vinteuil)” Por exemplo, aquela música me parecia algo mais verdadeiro que todos os livros conhecidos. Às vezes eu pensava que aquilo vinha de que o que é sentido por nós na vida, não o sendo sob a forma de idéias, a sua tradição literária, isto é, intelectual que ao expô-lo, explica-o , analisa-o, mas não o recompõe como a música, na qual os sons parecem tomar a inflexão de uma pessoa, nos dá esse inebriamento específico sentido de tempos em tempos e que, quando exclamamos- Que lindo dia!- , não se dá de todo a conhecer ao próximo , em quem o mesmo sol e o mesmo dia despertam vibrações inteiramente diversas.”

 

3. Chopin e Debussy ( do romantismo ao impressionismo)

“A Caminho de Swann” “Aprendera na juventude a acariciar as frases de Chopin, de colo comprido, sinuoso, desmesurado, tão livres, tão flexíveis, tão táteis, que principiam por procurar e experimentar seu posto fora de lugar e bem longe da direção da partida, bem longe do ponto em que poderia esperar que seu toque alcançasse, e que só se executam neste afastamento da fantasia para voltar mais deliberadamente- num retorno mais premeditado-, com maior precisão, como sobre um cristal que ressoaria até fazer gritar-, a nos bater no coração”.

“Sodoma e Gomorra” (com relação à sra. de Cambremer, uma esnobe) ...”ela julgava que a música progride, mas o faz em uma só direção, e que Debussy era de certo modo, um super-Wagner, embora mais avançado do que ele. Não considerava que, se Debussy não era tão independente de Wagner como ela própria deveria acreditar dentro de alguns anos, pois afinal a gente se serve das armas conquistadas para terminar de libertar-se daquele a quem momentaneamente venceu, procurava ele, no entanto, após a saciedade que se começava a sentir das obras muito completas onde tudo está expresso, contentar a necessidade contrária...Aliás, não estava longe o tempo em que Debussy, por algum tempo, seria declarado tão frágil quanto Massenet, e os arrebatamentos de Mélisande rebaixados ao nível dos de Manon. Pois as teorias e as escolas, como os micróbios e os glóbulos, se entredevoram e asseguram com a luta a continuidade da vida... É assim que o espírito, seguindo o seu curso habitual que avança por digressão... tinha convergido a luz do alto para certo número de obras que a necessidade de justiça ou de renovação ou ainda o gosto de Debussy, ou o seu capricho, ou algum institnto que ele ainda não tivera, havia acrescentado às de Chopin”. “Este rejuvenescimento dos noturnos, ainda não havia sido noticiado pela crítica. Chopin , longe de estar antiquado era o músico predileto de Debussy”.”Ela não havia nem ainda tentado compreender o papel de Debussy na reinvenção de Chopin”.

 

4. Wagner

“A Caminho de Swann” "Wagner (sobre o Anel dos Nibelungos) considerou subitamente, ao projetar sobre eles uma iluminação retrospectiva, que ficariam mais belos reunidos num ciclo em que as mesmas personagens reaparecessem e acrescentou à sua obra , nesse trabalho de coordenação, uma pincelada, a última, a mais sublime.

“Cadernos de Proust” “A tempestade wagneriana, que faz vibrar todas as cordas da orquestra, como os artefatos de um navio em meio à tempestade, por onde fende o ar para seguir navegando, oblíqua, impetuosa, e serena como uma gaivota, essa melodia que se eleva poderosamente...Na tempestade dessa música, a tomada da flauta, o canto do pássaro, a fanfarra da caça, se veem atraídos como flocos de espuma, como as pedras que o vento faz voar para longe. Arrastados pelo ventaval da música, ficam divididos, deformados como formas de flores ou frutos na paleta, e se separam uns dos outros , simplificando-se, estilizando-se em harmonia com o resto da ornamentação, perdendo sua origem , de tal maneira que o observador somente poderia dizer que se trata de uma flor de macieira, ou de oxiacanto. Ou bem são como temas simples de uma sinfonia, dificilmente reconhecíveis, com suas duplas colcheas e acompanhamentos trocados, quebrados nas passagens seguintes. Certo que Wagner, assim como os artesãos que, ao trabalhar a madeira fazem aflorar sua seiva, suas cores, suas fibras, permite que sobreviva, atrás do som da música, algo de sua sonoridade natural, de sua originalidade intrínseca”.