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O fundamentalismo e o integrismo são conceitos absolutamente interligados e constituem duas das mais evidentes formas de intolerância. Talvez todos os integristas ou integralistas sejam fundamentalistas e vice-versa, muito embora a intolerância seja muito mais ampla, abrangente e perigosa.Em termos históricos os fundamentalismos ligam-se às interpretações de livros sagrados. Sua versão ocidental moderna nasce nos Estados Unidos do século XIX com a interpretação literal da Bíblia, em contraposição ao triunfante darwinismo. Logo, o fundamentalismo moderno, necessariamente deveria ser protestante, pois para poder ser fundamentalista é necessário assumir que a verdade é dada pela Bíblia. No mundo católico, por outro lado, é a Igreja quem garante a interpretação do Livro e o fundamentalismo é substituído pela força de um tradicionalismo conservador.

No fundamentalismo muçulmano e no hebraico encontramos as mesmas características básicas. O surgimento do fundamentalismo islâmico, tal como conhecemos hoje, é um fenômeno novo, estando diretamente ligado à queda do império Turco Otomano em 1924. A maior parte das nações árabes (ou muçulmanas não árabes, como a Turquia e o Irã), perdidas no processo de fragmentação do Império Otomano do qual faziam parte, sentindo-se humilhadas e exploradas pela Europa do pós-guerra, viram nas suas escrituras sagradas a única solução para restabelecer a ordem: a instauração da Shari’a, a lei islâmica. A Irmandade Muçulmana, por exemplo, fundada em 1928, criou um slogan bem conhecido na órbita islâmica: “o Corão é nossa constituição”.

Já na doutrina de Israel o termo fundamentalista insere-se na origem divina e na autoridade da Toráh, sob a égide de um povo que aguarda seu Messias e considera-se eleito por seu Deus.

Ora, o fundamentalismo é necessariamente intolerante, pois toda seita, que se assume como seus os eleitos, tem o privilégio da justa interpretação de Escrituras. Entretanto, sua intolerância pode, não necessariamente, permear o tecido político, na justa medida em que se abstenha de proselitismos, de querer obrigar que os outros participem de suas crenças ou lutarem por sociedades nelas baseada.
Por outro lado, a intolerância tem uma expressão ainda maior quando se adquire a forma do racismo. E quando falamos em racismo é obrigatório nos referenciarmos em sua expressão nazista. Isso porque o racismo nazista era abrangente, totalitário, e pretendia-se científico, embora nada havendo do fundamento na doutrina da raça “pura”.

O racismo que permeia nossa sociedade é de outra vertente, um fruto maldito do escravagismo. Mesmo não tendo as mesmas raízes culturais do nazismo pseudocientífico segue sendo racismo.

Ademais do fundamentalismo, do integrismo, do racismo, a intolerância é multifacetada, manifesta-se no machismo, na intolerância política e de gênero. A intolerância desse modo, coloca-se acima de qualquer doutrina ou sistema social, variando de intensidade e matizes.

Acontece que ela possui as mesmas raízes biológicas existentes entre os animais que demarcam territórios e se estrutura no adulto graças a relações emotivas superficiais. Em termos simplificados: não suportamos os que são diferentes de nós, essa é a questão chave.

E como enfrentá-la? A intolerância essencial deve ser enfrentada na criança. Somente a educação pode fazer com que a criança e o adulto respeitem o próximo. Educação como um processo que não se interrompe em nenhuma idade, dado que o adulto é exposto permanentemente ao risco da diferença.

Quando a intolerância não é enfrentada, mas, ao contrário, permitida e estimulada,  no adulto ela poderá ganhar o aspecto selvagem. Então somente caberá reprimi-la, pois a intolerância selvagem deve ser rigorosamente inibida, coibida e punida socialmente.

Por exemplo, o antissemitismo pseudocientífico surgiu no decorrer do século XIX e evoluiu para a prática do genocídio industrial, o holocausto dos nazistas. Isto não teria acontecido se não existisse há séculos uma intolerância antijudaica junto ao povo comum, um antissemitismo prático que atravessou séculos, sempre presente onde houvesse um gueto. As teorias do “complô judaico” contra a Alemanha exploraram um ódio pelos diferentes que vinha de séculos.

E a intolerância selvagem, a mais perigosa é esta que surge na ausência de qualquer doutrina, acionada por pulsões elementares. Por isso não pode ser freada com argumentos racionais. Se os fundamentos teóricos do Mein Kampf sobreviveram e sobreviverão é porque se apoiam na intolerância selvagem, impermeável a críticas. Tipos como Bolsonaro e Kim Kataguiri não possuem nada atrás de si, salvo o oportunismo fascista e a pulsão selvagem.

Um aspecto importante sobre a intolerância racial é o fato de que, no século XXI já não exista racismo entre os ricos e poderosos. Será entre os pobres que a intolerância se fará tremenda, justamente entre os que são as primeiras vítimas da diferença.

Quando a intolerância selvagem se dissemina na sociedade, diante da animalidade pura, o que resta fazer? Aí está nosso desafio! Atuar contra adultos que se dilaceram e se matam, mesmo que pareça inglório é fundamental. Nosso dever é desmascarar e apontar o dedo para cada uma das formas da intolerância, a cada dia, em cada ponto do universo.

E, finalmente, temos que nos voltar para a educação, pois a intolerância selvagem deve ser combatida em suas raízes, através de um processo educacional que principie na mais tenra infância, antes mesmo dos livros, antes que um novo intolerante seja criado.

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Por volta de 1930 a literatura moderna entrou em crise. O abalo do Academicismo produzido pela Semana de 22, ainda não produzira o necessário encontro entre a literatura e a realidade brasileira. As modernas técnicas estrangeiras assimiladas com o Modernismo, como o futurismo e o surrealismo, por exemplo, deviam se modificar, adaptar.

Nessa busca, em março de 1924, Oswald de Andrade publica o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”. Formava-se o “grupo dos cinco”, com Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Menotti del Picchia. O primitivismo, a “simplicidade alcançada” e a crítica ao nacionalismo postiço eram as bases de seu programa.

Mário de Andrade logo afasta-se do grupo e traçará caminho próprio. Del Picchia também buscará uma alternativa, mas à direita do grupo original.

O grupo “Pau-Brasil” evoluirá inclinando-se ideologicamente para a esquerda e, em 1928 fundará o “Movimento Antropofágico”. Este propunha a “devoração” cultural das técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação.

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Em: ensaio | Tags:

Em 1895, um movimento no sertão baiano liderado por um beato de nome Antônio, conhecido como Conselheiro juntou mais de oito mil sertanejos miseráveis na fundação de um arraial, “O Império de Belo Monte”, que passaria para a História como Canudos.

Ademais de condenarem a República, sobre a qual quase nada sabiam, formaram uma verdadeira congregação religiosa, preparando-se para um futuro de justiça e prosperidade que viria após o Juízo Final.

O sertão nordestino era uma terra de latifúndios improdutivos, de secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos famintos partiram para Canudos unidos na crença de uma salvação de corpos e de almas. Chegando ao arraial, organizavam-se como podiam e conseguiam sobreviver na solidariedade e em suas crenças de salvação espiritual.

Aos primeiros seis mil, mais de trinta mil sertanejos se somariam. Surgia uma comunidade camponesa que, além de abolir a propriedade privada, recusava-se a pagar impostos. A atitude de rebeldia e a capacidade de sobrevivência demonstrada por eles eram um péssimo exemplo que os coronéis nordestinos e sua aliada, a Igreja Católica, não poderiam permitir que se disseminasse.

Estes pressionaram a República exigindo o aniquilamento do movimento. Criaram factoides que a imprensa reproduzia: Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.

No entanto, a resistência heroica de mulheres, homens e crianças fariam com que somente a quarta expedição punitiva do Exército de Caxias conseguisse dizimá-los, desfazendo a miragem de uma sociedade de justiça e fartura que se formatara no imaginário evangélico do paupérrimo sertão brasileiro.

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O Espaço Literário trouxe para seus leitores, há algum tempo atrás, uma das entrevistas realizadas por André Jammes, à época colaborador da “Le Nouvelle Revue Française”, com o escritor Marcel Proust, realizadas entre a primavera de 1914 e até pouco antes do falecimento do escritor, em 1922.

No presente bloco, Proust é instado a falar sobre as fases da vida. Interessava ao repórter da N.R.F. tanto a visão do autor, quanto de seu personagem “Marcel”, a respeito da infância e da adolescência, da maturidade e da velhice, assim como da morte.

Proust, em seu romance, o narrador na maturidade da vida, tem a memória involuntária despertada pelo biscoito molhado no chá de tília, que lhe é servido na biblioteca do palácio de Guermantes; a partir desse instante estabelecem-se as conexões entre o Marcel e seu passado. Conversemos sobre a Infância?

A memória afetiva do narrador o transporta à antiga casa cinza de sua tia Leonie, com seus quartos e sala, o lindo jardim com todas as suas flores de verão, portões por onde se ia até a praça do vilarejo e daí, a dois caminhos: aquele que conduzia a Tansoville onde estão as flores dos jardins de Swann e o outro para os lados de Guermantes, onde o rio Vivone no seu eterno correr, caminha abrigando, tal qual nos quadros de Monet, suas lindas ninfeias. Todo um passado despertado pela a memória involuntária vai então adquirindo, ao nível consciente, consistência e corpo.

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Morte em Veneza” foi escrito em 1911 e publicado em 1912. Nele, Mann apresenta numa escrita complexa e profunda, um texto do qual transbordam conceitos filosóficos, e que cada parágrafo pode ter várias interpretações. Ao mesmo tempo, Mann é um autor prolixo, que esgrime como só ele a ironia do romantismo. Isto, sem dúvida contribui para certa dificuldade na tradução e na leitura. E o leitor atento deve levar em consideração que toda a grandeza da obra é impossível de ser apreendida em uma leitura única e que a mesma requer certa preparação.

Em contraponto ao texto complexo, o enredo é enxuto: um escritor renomado, numa crise de criatividade por volta dos cincoenta anos, partindo de Munich viaja até Veneza, onde se apaixona platonicamente por um jovem púbere, extremamente belo.  O escritor, mesmo sabedor do surto de cólera que infecta a cidade, deixa-se ficar atraído pela beleza e sem sequer ter trocado uma só palavra com o objeto de seu amor, morre.

Trata-se de uma Novela, no estrito sentido da concepção alemã do conceito do novo, daquilo que é inusitado. E nada mais inusitado que Veneza, uma cidade tida como a capital do carnaval europeu, das bodas elegantes, que justamente nela ocorra uma morte, anunciada já no título. A estrutura da novela é de um drama, composto em cinco atos, com direito a desenvolvimento, peripécia e desenlace trágico.

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Em: ensaio | Tags:

“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, uma das obras mais revolucionárias e inovadoras da literatura brasileira, é antes de tudo uma sátira social e de costumes, muito bem definida pelo próprio autor como fundadora do seu “realismo fantástico”.

O pano de fundo é a sociedade escravocrata de meados dos anos oitocentos. A elite política e econômica que praticamente se confundem, mantém um comportamento absolutamente retrógrado do tipo senhor-escravo, mesmo que parcela da mesma se dê ares de um pseudo liberalismo. Uma vez na Corte ou nas Províncias, seus membros exercem a política baseada no compadrio e na corrupção, ou apenas nada fazem na vida, exceto flanar. Já o trabalho real ou é escravo, ou é exercido por agregados, em situações de submissão clientelista.

Essa é a centralidade do enredo de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Machado de Assis com este trabalho se antecipou a muitos elementos do modernismo e do realismo mágico.

No romance não existe uma única frase que não tenha uma segunda intenção ou um propósito espirituoso e se nos colocarmos a certa distância do texto, fica simples entrever as grandes linhas da estrutura social de classes e são essas que dão a terceira dimensão ou integridade ao romance, segredos  da obra de um gênio.

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Em: resenha | Tags:

“Memorial de Aires” foi publicada em 1908, poucos meses antes do falecimento de Machado de Assis. O então viúvo era um homem solitário, bastante doente e desiludido com a vida, revivendo lembranças de um passado feliz compartido em trinta e cinco anos com a esposa, Dona Carolina.

Machado aborda em seus últimos trabalhos essencialmente temas existenciais como o amor, a paixão, a solidão, a velhice e a morte, assim como impressões e reflexões sobre o tédio, a ausência de sentido e horizonte da própria vida.

Obra semiautobiográfica, não por acaso D. Carmo, esposa do banqueiro Aguiar e o “Memorial de Aires”, assim como o narrador, o conselheiro Marcondes de Aires, possuem as mesmas iniciais de sua defunta esposa e dele mesmo.

Ao visualizar a viúva Noronha, Fidélia, o narrador, viúvo e aos 62 anos, tal qual Machado, sente-se tocar pela beleza da mulher. Sua irmã Rita, que o acompanha, lhe insinua uma paixão outonal, ao que ele responde a la Shellei: “I can give not what men call love.”Só lhe cabia, naquela altura da vida, uma paixão estética.

E, a seguir, nos traz uma deliciosa reflexão a respeito do nome dado às pessoas na pia batismal: “Antigamente, quando eu era menino, ouvia dizer que às crianças só se punham nomes de santos ou santas. Mas Fidélia…? Não conheço santa com tal nome, ou sequer mulher pagã. Terá sido dado à filha do barão, como a forma feminina de Fidélio, em homenagem a Beethoven? Pode ser; mas eu não sei se ele teria dessas inspirações e reminiscências artísticas. Verdade é que o nome da família que serve ao título nobiliário, Santa-Pia, também não acho na lista dos canonizados, e a única pessoa que conheço, assim chamada, é a de Dante: Ricorditi di me, che son la Pia”.

E conclui o raciocínio de um modo absolutamente futurista: “Parece que já não queremos Anas nem Marias, Catarinas nem Joanas, e vamos entrando em outra onomástica, para variar o aspecto às pessoas. Tudo serão modas neste mundo, exceto as estrelas e eu”.

Fidélia, mesmo sem chorar, mantém um luto fechado pela morte do marido, que ao conhecer Tristão, se abrirá para um novo amor. Diz Aires: “Não gosto de lágrimas, ainda em olhos de mulheres, sejam ou não bonitas; são confissões de fraqueza, e eu nasci com tédio aos fracos. Ao cabo, as mulheres são menos fracas que os homens — ou mais pacientes, ou mais capazes de sofrer a dor e a adversidade…”

A inserção histórica do último romance machadiano.

O período de tempo reportado na obra foram os anos de 1888 e 1889. A presença aparentemente tênue da Abolição no Memorial de Aires tem dado margem à suposição que Machado de Assis, em seu último trabalho, não trata de questões histórico-sociais, mas apenas de aspectos da vida íntima e particular. Isto é absolutamente incorreto.

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Em: ensaio | Tags:

8 maio 2017, por

Cogito, 4.

O Sofrer
Sofrer, descer às profundezas da alma, sorver lentamente, gole após gole o fel amargo do ser consciente. Os judeus-cristãos acreditam que através do sofrimento o homem se torna melhor, aproxima-se da divindade, purifica-se. Blasfemos, que logro nos impingem desde a mais tenra idade. Sofrer jamais tornou alguém melhor, tão e simplesmente mais profundo, da profundidade do poço escuro da alma inquieta.

O Julgar
O rio Lete de nossa existência é sempre turbulento, complexo e confuso. O que nos permite entrar na barca onde nossa alma se sufoca e participar de nosso próprio julgamento? Pois julgamos todo o tempo, a tudo e a todos, pois ao julgar nos absolvemos. Somente acusando calamos a consciência acusadora. Assim nos satisfazemos.

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Ele é um homem dos mares, um poeta das águas, e por assim ser, retém a estranha e misteriosa magia das criaturas marítimas, aquela das sereias, dos polvos e das lulas gigantescas que, ao mesmo tempo que nos atraem, causam certa repulsa: elas não nos são apreensíveis.
Sou como todos os poetas das águas; costumamos perder a capacidade de encontrarmos a nós mesmos; além disso, poucos possuímos a habilidade de nos misturarmos aos outros humanos. Isso nos leva a dar as costas à vida e a mergulhar no abstrato, nos nossos próprios elementos. Por isso mesmo entendo Melville em suas entranhas.
Talvez poucos poetas antes dele tenham detestado tão instintivamente a vida humana, ou melhor, a sociedade como a vivemos. Restava-lhe sempre a necessidade de lutar contra o mundo inteiro real, e, assim o fazendo, lutar também contra uma parcela do mais íntimo de seu ser.
Mas esse é apenas o verso da moeda chamada Melville, pois ao mesmo tempo, ninguém esteve mais apaixonadamente repleto do sentido de vastidão e do mistério da vida não humana que ele.

No mar, assim como eu, ele busca sua fuga! Fugir, deixar a vida para trás, cruzar um horizonte que o levasse a uma outra vida, ao seu elementar. Quando Herman entra no oceano à bordo de um barco, encontra o seu ambiente natural, sua verdadeira casa. Na bagagem, muitas memórias, recordações daquele que atravessou o “Rubicon” da própria vida: ele não aceita mais a humanidade e ao não aceitá-la, deixa de sentir-se parte dela. Que lhe importa que a vida se fragmente, que até os acasalamentos e as procriações cessem? Que o tritão se afaste da fêmea, que o homem abandone sua fêmea e seus filhos e que as mulheres-sereias só se lambuzem com as águas? Com os lares desfeitos, corroídos, restam-lhe tão somente os elementos do imenso e interminável mar.
Basta de terra para seres como Melville, Herman e eu próprio! Venham todos os elementos até nós, mas que eles nada tenham a ver com as complicações criadas pela humanidade. A nós, os párias do imenso, do velhíssimo oceano Atlântico ou do Pacífico, que se abre com todas as suas “porias” para os Argonautas dos séculos XIX e XX

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7 maio 2017, por

Cogito, 3.

A RESPEITO DO TEMPO DA RESISTÊNCIA AO FASCISMO
Tempo aquele de sombras e crenças fortes, ideias definitivas e doação integral. Um tempo sem paz, recheado de violências inauditas, aliás nisso diferindo muito pouco de toda a história dessa velha humanidade. Mas, que, comparativamente aos dias de hoje, eram mais intensos e apaixonados, repletos de idealismos, de utopias que exigiam de muitos dos que se inconformavam o arrebatamento total; onde a pureza, a ingenuidade, a descoberta, seguiam às vezes pela mesma senda em que caminhavam a imprevidência, a quebra dos limites, a desmedida. Era o Espírito do Tempo.
O Espírito do Tempo pode até mesmo ter o seu perfume aspirado nas linhas traçadas pelas mãos habilidosas de um narrador, não o seu sabor, pois ele é reservado exclusivamente para aqueles que o vivenciaram. E assim também ocorrerá num futuro, quando memórias do presente receberem sua própria pátina de antiguidade e vierem a ser contadas.
Isto também porque o mundo não é criado de uma vez por todas para cada um de nós; ele vai, no decorrer da vida, acrescentando coisas, novos seres de que nem suspeitávamos. Quando quase nada subsiste de um passado antigo, depois da morte de nossos amigos, depois da destruição das coisas, aqueles seres permanecem sozinhos, incrustados em nossa memória inconsciente, muito frágeis porém mais vivazes, imateriais, mas persistentes, mais fiéis que as outras sensações percebidas.
Assim se formata o Espírito de um Tempo que foi de resistência!

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