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Outrora se bem me lembro, minha vida era um festim onde todos os corações se abriam, onde todos os vinhos corriam.
Uma noite, sentei a Beleza em meus joelhos… E a achei amarga, E a injuriei.
Armei-me contra a justiça.
Fugi. Ó feiticeiras, ó miséria, ó ódio, foi a vós que meu tesouro foi confiado!
Consegui fazer dissipar-se em meu espírito toda a esperança humana. Sobre toda a alegria, para estrangulá-la, dei o salto surdo da besta feroz.
Convoquei os carrascos para, perecendo, morder a coronha de seus fuzis. Convoquei os flagelos para me sufocar com a areia, com o sangue. A infelicidade foi meu deus. Deitei-me na lama. Sequei-me ao ar do crime. E preguei boas peças à loucura.
E a primavera me trouxe o HEDIONDO RISO DO IDIOTA.

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Em Proust o prazer, a dor, o sofrimento, a libertação e a loucura conectam-se ao amor e à paixão, aos prazeres do sexo, à necessidade da posse, às dores da perda.
Entramos na esfera de influência do “deus máscara” dos povos antigos: Dionísio para uns, para Baco para outros. Aquele que é, diferentemente de todos os outros deuses de todos os tempos e crenças, a quem as orações e sacrifícios jamais contentam; o deus que em sua relação com os homens não admite o “dar e receber”, a moeda de troca inexiste. Tampouco exige piedade ou gestos caridosos. Dionísio exige do homem o total arrebatamento, o deus apenas se satisfaz quando logra apossar-se de todo o ser humano. E nesta posse, delícias das delícias nos esperam: dela emanaram o êxtase e a ultrapassagem de todas as medidas; o deus capaz de conduzir-nos, os mortais, desde o mais profundo horror ao mais alto patamar da realização da alma humana.
O “deus-máscara”, como um avatar, metamorfoseia-se em humano e age como tal, utilizando a cada aparição uma de suas ”personnas” disponíveis; aquele deus que na verdade se assume como um homem divinizado, ou se quisermos, como um deus humanizado. Dionísio arrasta, àqueles que consentem na sua incorporação, à felicidade e ao autoconhecimento supremo, assim como à loucura e à destruição. É quando nós nos assumirmo enquanto instinto, o que significa como natureza viva.
Mas esta supremacia dos instintos pode nos conduzir à loucura. As drogas em Proust constituem um passaporte para a alienação. Como um contraponto que torne possível a vida social.
Enquanto muitos cultivam tão somente seus “dionísios”, a sua libertação do espírito e dos instintos, mesmo dos mais recônditos, dos mais violentos e libertinos, que possibilitam a incontida de volúpia e crueldade, outros, tal qual os gregos, erguem no mesmo patamar de importância, a figura monumental e sóbria de Apolo.
Em Nietszche, “o sonho se opondo à embriaguês”. O sonho de um mundo dirigido pela verdade, pelo “logos” da sabedoria, pela beleza fulgurante do sol, gerador da beleza, em um mundo que é onírico mas que pode ser o real, pois é formatado pelo essencial.
Foi o deus délfico, Apolo, quem “restringiu-se a retirar de seu poderoso oponente, Dionísio, as armas destruidoras, mediante uma reconciliação do consciente e do inconsciente, concluída no seu devido tempo”.
Pois enquanto o carro que conduz Dionísio está coberto de flores e grinaldas, conduzido pela pantera e pelo tigre, propiciando ao homem a liberdade, permitindo-lhe que “viva” e liberte seus instintos e seu inconsciente, que busque seu “extasis”, surge com o seu caminhar alado, lado a lado, um outro carro, aquele do deus Apolo, rodeado por suas Musas a dançar e a cantar ao ritmo ditado por uma citera, o próprio portador da harmonia, da beleza onírica, da verdade, do poder do “logos”, com sua coroa de louros premonitória doada pelo amor por Dafne, natureza incorporada. E é fruto desta união, do conflito e da harmonização entre Dionísio e Apolo, entre o consciente e o inconsciente, da natureza e da consciência humana, que nasceu o melhor da arte grega, quiçá o melhor da arte de todos os tempos.
E o século XX, tão insensato quanto dionísico, e assim, utópico ao mesmo tempo que “niilista”, mas também libertário e opressivo, positivista, descobre toda a grandiosidade do irracional; brutal quando das trevas mas libertário quando surge o sol; este novo século, que já ao surgir herdou a velhice de toda humanidade, mas que no alvorecer produziu um de seus mais belos frutos literários: “Em Busca do Tempo Perdido”.

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7 maio 2017, por

Eu poetizo, 3.

PARAÍSOS PERDIDOS
Voltar a pensar,
Acreditar,
Sentir a esperança florir.
Acorda amorfa,
Ainda indefinida,
Sem nexo,
Esperança sem sentido
Uma forma de crer na vida,
Talvez no homem
O que significa voltar a crer em mim mesmo.
Uma forma de acreditar no vazio.
Pensar em passados distantes,
Tais quais paraísos perdidos,
Que de paraíso nada possuíam,
Perdidos no éter,
No nada.

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Um dos assuntos que Proust se dedica a explorar com profundidade são as diferentes facetas que o “eu” apresenta, a dissociação dos estados da alma, a independência dos elementos que compõem a vida interior, e, em decorrência disso, a multiplicidade da personalidade.
Para o autor, o homem é o ser que se dissipa e dissocia. Nada permanece estável e uniforme nem mesmo naquilo em que se toca. Tudo se move e decompõe incessantemente, resultando a precariedade da realidade: “O relativo para mim é o absoluto e quaisquer valores permanentes ou supremos perderam seus sentidos, quer se trate de valores sociais quer psicológicos.”
O que se chama experiência não passa da revelação a nossos próprios olhos, um traço de nosso caráter que reaparece naturalmente, e o faz com tanto mais força quanto o havíamos revelado a nós mesmos uma vez, de tal modo que mesmo um movimento espontâneo se encontra reforçado por todas as sugestões da lembrança.
“Marcel pondera que talvez nele, e em muitas outras pessoas, o segundo homem em que se tornara, o seu duplo, fosse simplesmente uma faceta do primeiro, exaltado e sensível ao lado de si próprio, daquele Marcel ajuizado.” A dúvida é em qual deles Marcel desejaria se transformar? Ou não seria o caso de transformação e como a deusa das duas faces dos romanos, cada uma delas virada para o lado oposto à outra, ele apresentaria socialmente a que mais lhe agradasse a cada momento. Essa capacidade de multipliciadade transforma o homem em um ser sempre múltiplo, complexo e dificilmente acessível.
É importante assinalar que, diferentemente de Pirandello, tanto a multiplicidade quanto a dissociabilidade do eu mantém como paradigma a permanência de um elo, que Proust caracteriza como a matéria essencial de todo o ser. Ela permanece sendo a mesma e única até a morte, dando consistência àquelas diferentes facetas da personalidade. “Em muitos seres há diversas facetas que não se assemelham; conhece-se uma, depois a outra, mas no dia seguinte a ordem se inverteu, mas é e será sempre o mesmo ser, em sua essência.”
“Podemos nos entregar, à nossa escolha, a uma ou outra de duas forças: uma se ergue de nós mesmos, emana de nossas impressões profundas; a outra nos vem de fora. Acredito que trabalhamos a todo instante para dar uma forma à nossa vida, mas copiando, malgrado nosso, como um desenho, os traços da pessoa que somos e não daquela que nos agradaria ser.” Isso de certa forma desenvolve em nosso íntimo uma certeza de nossa incapacidade de nos transformarmos, como se perseguíssemos uma sombra sem jamais conseguir tocá-la.
O Tempo transforma nosso “eu”. O narrador utiliza como exemplo um livro que já lemos, uma música que ouvimos no passado, que se associaram tão fielmente ao que éramos então, que só podem ser sentidos e repensados pela pessoa que éramos naquele tempo. “Mas não nos afligimos de nos havernos tornado outro devido à passagem do tempo, mais do que nos afligiríamos, em certa época, por termos sido, alternativamente, indivíduos contraditórios. O malvado, o sensível, o delicado, o patife, o desinteressado, o ambicioso, como alternativamente o somos também todos os dias.”
“Alguns desejam apaixonadamente que haja uma outra vida, onde seriam iguais ao que idealizariam para si nesse mundo. Mas não é necessário esperar pela outra vida; nesta daqui mesmo, ao fim de alguns anos, tornamo-nos infiéis ao que fomos, ao que desejaríamos imortalmente permanecer. Ainda sem supor que a morte nos modifique mais do que essas mudanças que se dão no curso da vida, se nessa outra vida encontrássemos o eu que já fomos, desviar-nos-íamos de nós mesmos, como dessas pessoas com quem já não nos damos há tanto tempo. Sonha-se muito com o paraíso, ou antes, com inúmeros paraísos sucessivos, mas são todos, ainda antes que se morra, paraísos perdidos e onde a gente se sentiria, por sua vez, perdido.”
As sucessivas “personnas” que terminamos sendo, entretanto, interagem e dependem da nossa vontade.“Vejo a vontade como uma serva perseverante e imutável de nossas personalidades sucessivas; ela oculta-se na sombra, mesmo que desdenhada, mas incansavelmente fiel, trabalhando sem cessar e sem preocupar-se com as variações de nosso eu, para que não lhe falte nada do que necessite. Tudo quanto tem de mutáveis a sensibilidade e a inteligência, tem-no ela firme; mas como é calada e não expõe seus motivos, quase parece que não existe, e as partes restantes do nosso eu obedecem às decisões da vontade sem dar por isso, ao passo que, por outro lado, percebem muito bem suas próprias incertezas.”
Mesmo a imagem que possuímos das pessoas está em nós mesmos e não naquela que se encontra em frente da gente. “Nossos leitores devem saber que descobrir a verdadeira vida do próximo, o universo real que subexiste sob o universo aparente, causa-nos tanta surpresa como visitar uma casa de boa aparência e encontrá-la cheia de tesouros, cadáveres e ferramentas; e não é menor a surpresa quando, em vez da imagem que havíamos formado de nós mesmos, graças ao que dizem da gente, certificamo-nos pelo que essas pessoas dizem quando estamos ausentes da imagem inteiramente diversa que guardam de nós e da nossa vida.”

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“Em Busca do Tempo Perdido”, ao lado da memória involuntária de que é tecido, traz a marca indelével dos sonhos e dos pesadelos de seu Narrador, e, naturalmente, a de seu criador. Nesse sentido, talvez nada expresse melhor “Em Busca do Tempo Perdido” que uma frase de Shakespeare em “A Tempestade”: “somos feitos da mesma matéria de que são compostos os sonhos”. Na obra de Proust a vida se assemelha a um sonho e o sonho, à vida.
Para Proust, o fato que o mundo do sono não seja o da vigília, não se segue que o mundo da vigília seja menos verdadeiro, ao contrário. Os estados do sonho e o da vigília são ambos verdadeiros, mantêm suas próprias identidades, comunicam-se sem jamais se fundirem. “Metaforicamente podemos pensar nossas vidas transcorrendo em um apartamento de dois quartos. O sono localiza-se no segundo quarto que possuímos, e onde, abandonando o primeiro, caminhamos para dormir. Ele tem seus criados, visitantes particulares que nos convidam para sair; a raça que o habita, tal qual o primeiro humano, é andrógena, pois um homem aparece, ao cabo de um instante, sob o aspecto de uma mulher e as coisas têm tendência a se metamorfosearem em pessoas, e os homens, como avatares, em nossos amigos e inimigos.”

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7 maio 2017, por

Cogito, 1

A VIDA
A vida é simplesmente um momento contingencial entre o não ser e o deixar de ser, um interregno no caos, um instante de solução de contiguidade.
Talvez o mais fantástico seja precisamente o momento que justamente antecede o não ser. Para mim é quando Deus joga seus dados viciados e ao cadinho da sorte “faça-se a vida”.
Já o deixar de ser é pobre, terrivelmente ausente, mas altamente revelador. O instante supremo do reencontro no cruento final da experiência instável e única do viver. É quando os dados já não rolam e jamais voltarão a ser lançados.
(fruto de uma noite insone)

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7 maio 2017, por

Eu poetizo, 2.

Poema de uma noite insone

Embate final!
Sujeitar-me mais não posso,
Seus gostos e caprichos,
Imutáveis e inexplicáveis leis.
Intocáveis pela eternidade,
Estabelecidas e conjugadas
Por sua exclusiva supremacia,
Que de aduladores se nutre,
Qualquer querer anula.

Criado fui por vontade única
A sua,
Para aumento do rebanho que cerca,
Você.
Guindado fui às alturas,
Vontade sua.
Feito exclusivamente para o endeusamento,
Seu.

Proclamar minha independência quero,
Custe-me a fama,
A luz,
O bem-estar.
Distanciar-me de seu despotismo exijo,
Custe-me a eternidade,
A paz,
Ter de lutar.

Lúcifer fui criado,
Anjo de luz a lhe adornar,
Mas da luz irradiar
Meu peito destrói,
A centelha que brilha,
A consciência proclama,
A própria vontade desperta,
A liberdade reclama.

Pensar por mim o mundo,
Criar minhas próprias desditas,
Duras,
Cruas.
Não mais submeter-me,
Ser para sempre maldito,
Desterrado,
Amaldiçoado.

Já não me importa o preço a pagar,
Da afirmação e minha vontade, minha lei.
Curvar-me não mais,
Afagar-lhe, jamais.
Quero ser meu próprio oponente,
Dos muitos riscos consciente,
Pregar, lutar,
Ser exclusivamente eu.

 

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Esaú e Jacó, escrito em 1904, é uma das últimas e mais importantes obras de Machado de Assis. Ele nunca deixou de tratar as questões de cunho político-social de forma profunda e ironicamente mordaz, é nessa narrativa, entretanto, que o Bruxo do Cosme Velho vai fundo na crítica à conformação política do país, denunciando o jogo de interesses que antecederam ao final do Império e à proclamação da República no Brasil.

O que é extremamente significativo no romance é a maneira como, explorando divergências políticas das elites que são apenas aparentes, transcende a crítica simplesmente política.  Consegue assim, chegar ao trato estético da questão dos dualismos falsamente contraditórios, mas que não passam de aparências.

A narrativa se desenrola desde o ponto de vista do Conselheiro Aires, um diplomata aposentado. O personagem pode ser interpretado como o retrato da elite brasileira: uma elite inteligente, calculista que, acima de tudo, evita o conflito enquanto classe dominante. Aires adota uma postura de não confrontar-se em momento algum. Portanto, ele é  volúvel e apegado nas aparências de um intelectualismo liberal, mas parceiro fiel do atraso, no seio de uma sociedade escravocrata e elitista.

“Aires tinha o coração inclinado a aceitar tudo, não por inclinação à harmonia, senão por tédio a controvérsia”. 

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Em: ensaio | Tags:

Vitória é, sem dúvida, uma obra-prima do romance psicológico. A história embora contada em tom comedido, sem alarde, requer certa analise literária para que se possa desfrutar de toda a extensão de um trabalho impecável, ao qual Jack London se refere como “um dos porquês de se estar vivo para ler”.

Publicado em 1915, Vitória nada tem a ver com a tragédia da guerra que devastava a Europa. Vitória  é do espírito, de Alma, em sua luta contra a morte.

Axel Heyst é um europeu, irresoluto e sonhador, desiludido com a perspectiva de inserção num mundo ao qual despreza, e despreza por ter adquirido o hábito de pensar. “ O pensamento é o grande inimigo da perfeição. O hábito da profunda reflexão é o mais pernicioso de todos os hábitos contraídos pelo homem civilizado… A utilidade da razão é justificar os desejos obscuros que movem nossas condutas, impulsos, paixões, preconceitos e loucuras, e também nossos temores.”

O personagem central é um sujeito incapaz de uma maldade preconcebida, estando sempre pronto a gestos de autêntica solidariedade, na medida em que estes não acarretem envolvimento e muito menos recompensas materiais. Conrad coloca o sueco Heyst como uma figura que nos sugere francamente o Príncipe Michkin de “O Idiota” de Dostoievski, mas já dentro da perspectiva da complexidade do homem moderno.

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Em: ensaio | Tags:

Um dos assuntos que Proust se dedica a explorar com profundidade  são as diferentes facetas que o “eu” apresenta, a dissociação dos estados da alma, a independência dos elementos que compõem a vida interior, e, em decorrência disso, a multiplicidade da personalidade.

Para o autor, o homem é o ser que se dissipa e dissocia. Nada permanece estável e uniforme nem mesmo naquilo em que se toca. Tudo se move e decompõe incessantemente, resultando a precariedade da realidade: “O relativo para mim é o absoluto e quaisquer valores permanentes ou supremos perderam seus sentidos, quer se trate de valores sociais quer psicológicos.”

O que se chama experiência não passa da revelação a nossos próprios olhos, um traço de nosso caráter que reaparece naturalmente, e o faz com tanto mais força quanto o havíamos revelado a nós mesmos uma vez, de tal modo que mesmo um movimento espontâneo se encontra reforçado por todas as sugestões da lembrança.

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