localizador vehicular gps tracker rastreador gsm gprs sms programa para espiar cualquier tipo de celular gratis here link here vendo celular espia free blackberry messenger spy app como espiar el whatsapp de alguien mas est espiar celulares 2013 i spy books for android programa espiar whatsapp spy descargar press site

“Em Busca do Tempo Perdido”, ao lado da memória involuntária de que é tecido, traz a marca indelével dos sonhos e dos pesadelos de seu Narrador, e, naturalmente, a de seu criador. Nesse sentido, talvez nada expresse melhor “Em Busca do Tempo Perdido” que uma frase de Shakespeare em “A Tempestade”: “somos feitos da mesma matéria de que são compostos os sonhos”. Na obra de Proust a vida se assemelha a um sonho e o sonho, à vida.
Para Proust, o fato que o mundo do sono não seja o da vigília, não se segue que o mundo da vigília seja menos verdadeiro, ao contrário. Os estados do sonho e o da vigília são ambos verdadeiros, mantêm suas próprias identidades, comunicam-se sem jamais se fundirem. “Metaforicamente podemos pensar nossas vidas transcorrendo em um apartamento de dois quartos. O sono localiza-se no segundo quarto que possuímos, e onde, abandonando o primeiro, caminhamos para dormir. Ele tem seus criados, visitantes particulares que nos convidam para sair; a raça que o habita, tal qual o primeiro humano, é andrógena, pois um homem aparece, ao cabo de um instante, sob o aspecto de uma mulher e as coisas têm tendência a se metamorfosearem em pessoas, e os homens, como avatares, em nossos amigos e inimigos.”

Continue lendo

7 maio 2017, por

Cogito, 1

A VIDA
A vida é simplesmente um momento contingencial entre o não ser e o deixar de ser, um interregno no caos, um instante de solução de contiguidade.
Talvez o mais fantástico seja precisamente o momento que justamente antecede o não ser. Para mim é quando Deus joga seus dados viciados e ao cadinho da sorte “faça-se a vida”.
Já o deixar de ser é pobre, terrivelmente ausente, mas altamente revelador. O instante supremo do reencontro no cruento final da experiência instável e única do viver. É quando os dados já não rolam e jamais voltarão a ser lançados.
(fruto de uma noite insone)

Continue lendo

7 maio 2017, por

Eu poetizo, 2.

Poema de uma noite insone

Embate final!
Sujeitar-me mais não posso,
Seus gostos e caprichos,
Imutáveis e inexplicáveis leis.
Intocáveis pela eternidade,
Estabelecidas e conjugadas
Por sua exclusiva supremacia,
Que de aduladores se nutre,
Qualquer querer anula.

Criado fui por vontade única
A sua,
Para aumento do rebanho que cerca,
Você.
Guindado fui às alturas,
Vontade sua.
Feito exclusivamente para o endeusamento,
Seu.

Proclamar minha independência quero,
Custe-me a fama,
A luz,
O bem-estar.
Distanciar-me de seu despotismo exijo,
Custe-me a eternidade,
A paz,
Ter de lutar.

Lúcifer fui criado,
Anjo de luz a lhe adornar,
Mas da luz irradiar
Meu peito destrói,
A centelha que brilha,
A consciência proclama,
A própria vontade desperta,
A liberdade reclama.

Pensar por mim o mundo,
Criar minhas próprias desditas,
Duras,
Cruas.
Não mais submeter-me,
Ser para sempre maldito,
Desterrado,
Amaldiçoado.

Já não me importa o preço a pagar,
Da afirmação e minha vontade, minha lei.
Curvar-me não mais,
Afagar-lhe, jamais.
Quero ser meu próprio oponente,
Dos muitos riscos consciente,
Pregar, lutar,
Ser exclusivamente eu.

 

Continue lendo

Esaú e Jacó, escrito em 1904, é uma das últimas e mais importantes obras de Machado de Assis. Ele nunca deixou de tratar as questões de cunho político-social de forma profunda e ironicamente mordaz, é nessa narrativa, entretanto, que o Bruxo do Cosme Velho vai fundo na crítica à conformação política do país, denunciando o jogo de interesses que antecederam ao final do Império e à proclamação da República no Brasil.

O que é extremamente significativo no romance é a maneira como, explorando divergências políticas das elites que são apenas aparentes, transcende a crítica simplesmente política.  Consegue assim, chegar ao trato estético da questão dos dualismos falsamente contraditórios, mas que não passam de aparências.

A narrativa se desenrola desde o ponto de vista do Conselheiro Aires, um diplomata aposentado. O personagem pode ser interpretado como o retrato da elite brasileira: uma elite inteligente, calculista que, acima de tudo, evita o conflito enquanto classe dominante. Aires adota uma postura de não confrontar-se em momento algum. Portanto, ele é  volúvel e apegado nas aparências de um intelectualismo liberal, mas parceiro fiel do atraso, no seio de uma sociedade escravocrata e elitista.

“Aires tinha o coração inclinado a aceitar tudo, não por inclinação à harmonia, senão por tédio a controvérsia”. 

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

Vitória é, sem dúvida, uma obra-prima do romance psicológico. A história embora contada em tom comedido, sem alarde, requer certa analise literária para que se possa desfrutar de toda a extensão de um trabalho impecável, ao qual Jack London se refere como “um dos porquês de se estar vivo para ler”.

Publicado em 1915, Vitória nada tem a ver com a tragédia da guerra que devastava a Europa. Vitória  é do espírito, de Alma, em sua luta contra a morte.

Axel Heyst é um europeu, irresoluto e sonhador, desiludido com a perspectiva de inserção num mundo ao qual despreza, e despreza por ter adquirido o hábito de pensar. “ O pensamento é o grande inimigo da perfeição. O hábito da profunda reflexão é o mais pernicioso de todos os hábitos contraídos pelo homem civilizado… A utilidade da razão é justificar os desejos obscuros que movem nossas condutas, impulsos, paixões, preconceitos e loucuras, e também nossos temores.”

O personagem central é um sujeito incapaz de uma maldade preconcebida, estando sempre pronto a gestos de autêntica solidariedade, na medida em que estes não acarretem envolvimento e muito menos recompensas materiais. Conrad coloca o sueco Heyst como uma figura que nos sugere francamente o Príncipe Michkin de “O Idiota” de Dostoievski, mas já dentro da perspectiva da complexidade do homem moderno.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

Um dos assuntos que Proust se dedica a explorar com profundidade  são as diferentes facetas que o “eu” apresenta, a dissociação dos estados da alma, a independência dos elementos que compõem a vida interior, e, em decorrência disso, a multiplicidade da personalidade.

Para o autor, o homem é o ser que se dissipa e dissocia. Nada permanece estável e uniforme nem mesmo naquilo em que se toca. Tudo se move e decompõe incessantemente, resultando a precariedade da realidade: “O relativo para mim é o absoluto e quaisquer valores permanentes ou supremos perderam seus sentidos, quer se trate de valores sociais quer psicológicos.”

O que se chama experiência não passa da revelação a nossos próprios olhos, um traço de nosso caráter que reaparece naturalmente, e o faz com tanto mais força quanto o havíamos revelado a nós mesmos uma vez, de tal modo que mesmo um movimento espontâneo se encontra reforçado por todas as sugestões da lembrança.

Continue lendo

13 mar 2017, por

Sobre os urubus

Os urubus o que são? Dizem uns, aves de rapina, outros, lixeiros. Para mim aves de arribação. Elas acompanham meus momentos de depressão. Depressão quando meu pai me dava garupa na bicicleta a caminho do trabalho. Ele era funcionário de um matadouro pelas bandas de Ribeirão. O caminho era sem asfalto, de terra mesmo, e de cada lado a trilha terminava em ribanceira e lá ficavam dezenas de urubus em conciliábulo e cumprimentavam-me ao passar. Ouvia de uns: aonde vão? De outros: todos os dias agora? Ainda outros: vai sobrar algum para nós?

Na volta do serviço de meu pai era a mesma lengalenga.

Eu também que já fui ave de rapina, hoje estou mais para lixeiro. E ave de arribação, viajor, desses viajores para os quais os carros e aviões são desnecessários. Basta o espírito e nesse viajar sou soberano. Não corro mais o risco, ou melhor, a certeza de me desencantar com os lugares, com os nomes, com esses seres que ao invés de asas flutuam nos seus uotzaps, tuiteres, facebuques, que adoram expor-se para mostrarem sua vacuidade, sua vanidade.

Disse diversas vezes: se a metempsicose, essa idiotice abraçada por Pitágoras, afinal demonstrar-se real, desejo reencarnar no corpo de um urubu. Não somente no corpo, mas dele ter a alma valente, independente. Pensando bem, talvez nem o seja tão valente assim, o meu urubu. Afinal ninguém tentou domesticá-lo, aprisioná-lo, seja lá o que for. Pois para um ser feito para a liberdade o pior evento é a domesticação.

Nessa vida tantos tentam domesticar-nos… O urubu não precisa ficar tão esperto quanto o humano, um efêmero especial feito para ser enganado pelos amigos, pelas amantes, por si mesmo. E enganar é o melhor caminho para se domesticar. O urubu simplesmente solta seu croatar para delimitar o repasto, distribui bicadas, levanta o peito e alça vôo, deixando-se levar pelas correntes de ar quente, sem o menor esforço.

Se Pitágoras e os indianos não são tão loucos como eu o imagino, depois de morrer, em quarenta e nove dias cabalísticos quero voltar a nascer, um urubu.

Continue lendo

25 fev 2017, por

Eu poetizo, 1.

Ao meu amor entristecido.

 

Pediste-me que poetize,

Pois então pousa tua cabeça dolorida

Tão cheia de quimeras, de ideal, de desesperança,

Sobre o colo brando que acolhe,

De teu amor compadecido.

 

Hás de me contar nessa voz  querida,

Tão querida quando terna,

A tua dor que julgas sem igual,

E eu, pra te consolar, direi o mal

Que à minha alma profunda fez a Vida.

 

E hás de adormecer nos meus joelhos…

E os meus dedos enrugados, velhos,

Hão de se fazer leves e suaves…

Tais quais flores brancas tombando docemente,

Sobre o teu rosto adorado …

Continue lendo

“Sou espantosamente preguiçoso e maravilhosamente ativo, mas a espaços. Há períodos em que toda atividade intelectual para mim é uma tortura e só me satisfaz a comunhão solitária com a natureza.” Assim se expressava Poe em sua “Autobiografia Espiritual”, bem ao espírito de  seu ídolo, o poeta Byron. E prosseguia: “A minha vida tem sido apenas capricho, ilusão, arrebatamento, desejo de solidão, desdém pelo presente, sede de futuro. Escrevo por imperativo mental, para satisfazer meu gosto e o meu amor pela arte. A glória não exerce em mim a menor influência. Como eu poderia preocupar-me com o juízo de uma multidão se desprezo cada um dos indivíduos que a constituem?”.

Edgar nasceu Poe, em 1809, filho de David Poe, de uma família bostoniana tradicional; David abandonou a perspectiva de ser uma futura magistratura pelo palco ao conhecer a atriz que viria a ser a mãe de Poe. Infelizmente, David iria se tornar um ator medíocre, alcoólatra e morrerá de tuberculose logo após o nascimento do filho Edgar. A mãe, Elizabeth Arnold, arrastará Edgar e seus irmãos para Richmond, na Virgínia sulista onde, três anos após, ela também sucumbirá à mesma enfermidade que acometera o marido.

Então, a companhia teatral adota solidariamente os órfãos de Elizabeth. Ao cabo de trinta dias, entretanto, uma enorme catástrofe marcará a todos. O teatro em que atuam incendeia-se provocando o trágico falecimento de sessenta espectadores.

Os meninos Poe são deixados à caridade pública. Assim Edgar, mal chegado ao mundo, adquire familiaridade com a morte. Ele será adotado por Frances Allan, esposa de um importante comerciante impossibilitada de ter filhos. Edgar passa a chama-se Allan Poe. Ele recebe todo um afeto “sufocante e exclusivista” de Frances, na casa satisfazem-lhe todas as vontades; aos seis anos o pequeno sabe ler, desenhar e cantar, ao mesmo tempo em que é  uma criança mandona e caprichosa. A percepção de um lado bom e de outro mal irá inspirar no artista futuro o conto “Willian Wilson”, onde o garoto Wilson é mau e crescerá mau, sendo perseguido pelo seu lado bom, que se empenhará em frustrar as perfídias cometidas pelo antípoda.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

Assim que os olhos da madura Madame Pompadour deram conta do jovem gravador da corte, uma brusca paixão tomou conta da senhora; ele, o galante rapaz, a fará sentir-se jovem novamente. E ao seu primeiro pedido, ela o apresentou ao rei e fez com que Denon, com vinte um anos de idade, fosse nomeado Cavaleiro e Intendente das Pedrarias Antigas de Versailles. Este foi o princípio de uma fortuna que somente fez por multiplicar-se toda a vida.

Mundano culto e esperto, ele convenceu Madame de Pompadour a apresentar-lhe seu amigo, o intelectual mais famoso da época, o grande Voltaire, com o qual desenvolveu amizade, e dele se tonou hóspede por algum tempo; como recompensa, Denon o retrata no quadro “O almoço em Ferney”.

Vivant-Denon, entretanto, sonhava mais alto. Aspirava à bela carreira diplomática. Pompadour intervém novamente por seu “queridinho” e o faz nomear secretário da embaixada francesa na Rússia.

Em Petersburgo, ele se apresenta à Czarina Catarina, trazendo no bolso interno da sobrecasaca uma carta de recomendações de Voltaire. Agora é a vez de a outra matrona apaixonar-se pelo jovem francês e facilitar-lhe a vida entre as jovens da corte; infelizmente o frio russo o incomoda até mesmo nas alcovas.

Dois anos após deixa a Rússia e decide ir à Holanda, onde se dedica a estudar Rembrandt e, seguindo os traços do mestre, pinta “A adoração dos pastores”.

Retorna, então, à França e obtém a secretaria da representação diplomática em Nápoles. Serve de intermediário da venda de antigos vasos etruscos para o Rei Luís XV, o que lhe rende uma fortuna em comissão. Parte deste dinheiro negocia o apoio para sua entrada na Academia Real de Pintura Francesa.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags: