localizador vehicular gps tracker rastreador gsm gprs sms programa para espiar cualquier tipo de celular gratis here link here vendo celular espia free blackberry messenger spy app como espiar el whatsapp de alguien mas est espiar celulares 2013 i spy books for android programa espiar whatsapp spy descargar press site
 
06 julho 2016 por Publicado em: ensaio 4 comentários

Umberto Eco surpreende-nos ao dizer que aspectos fascistas podem ser encontrados desde a Grécia Antiga. Que no decorrer da História da humanidade, quer sob a forma imperialista ou nacional, trajando roupagem militar ou civil, o fascismo nos ronda permanentemente. Também conclama ser nosso dever, enquanto homens livres, desmascarar o fascismo e apontar sempre o dedo em riste para cada uma de suas formas, em qualquer lugar onde apelos fascistas surjam à luz do dia. E, nesse sentido, a liberdade e liberação transformam-se em tarefas diuturnas, das quais não poderemos descurar sob pena do avanço da barbárie.
Eco avança na análise dos diversos formatos e manifestações fascistas que, de tão antigas, criaram seus próprios arquétipos, impregnando-se nas mais diferentes estruturas sociais. Lista-nos quatorze arquétipos fascistas:

1. O culto da tradição como uma das bases do fascismo: O tradicionalismo, ainda mais velho que o fascismo, possui como paradigma que todas as mensagens originais contêm pelo menos um germe de sabedoria, um quê de alguma “verdade” dita primitiva. Com isso ele visa claramente estabelecer uma impossibilidade para avanços no saber! A verdade já foi anunciada de uma vez por todas e somente nos restaria continuar a interpretar sua obscura mensagem.
De todo modo, ao cultuar a tradição o fascismo o realiza de uma maneira sincrética.  Apanha conceitos  de doutrinas e ideologias diferentes, municiando-se da artificialidade dessa reunião de doutrinas mesmo que teoricamente incongruentes entre si. Logo, é inerente ao fascismo tolerar contradições que são intrínsecas a cada momento histórico em que ele se apresenta.

2. O tradicionalismo como recusa da modernidade: Se por um lado os fascistas adoram a tecnologia, por outro, o seu elogio da modernidade não passa de coisificação, dado que são adoradores de máquinas, não de ideias. No século XX, a recusa do modernismo camuflou-se com a condenação do modo de vida capitalista ( Mussolini, na Itália). Acontece que esta condenação era tão somente uma roupagem, urdida em conjunto com os grandes capitalistas, ja que se tratava de afastar o “fantasma” do comunismo.

O fascista do século XX, opõe-se até mesmo ao iluminismo e à idade da razão, vistos como pontos de partida para a “depravação” moderna. Por este caminho, o arquétipo fascista esteia-se no  irracionalismo.

3. Culto da ação pela ação: Trata-se de um fruto necessário do irracionalismo. A ação torna-se bela em si e deve ser realizada sem qualquer reflexão. O fascismo de ontem, de hoje e de sempre odeia “a cultura”, dado ser ela em si, uma atitude de crítica. A suspeita em relação ao mundo intelectual sempre foi e será um sintoma do fascismo.

4. O banimento da crítica: Na medida em que o espírito crítico opera distinções e distinguir é sinal da modernidade, para o fascismo  a crítica é sempre lida como desacordo ou traição, não importa o partido político em que o viés fascista se manifeste.

5. A diversidade: Quando o fascismo cresce, ele busca o consenso desfrutando e exacerbando o natural medo da diferença. Logo, é essência do mesmo a xenofobia, a piores demonstrações de racismo.

6. O eterno fascismo provem da frustração individual ou social. A característica dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por crises econômicas, pela humilhação política, pela falta de representatividade de seus agentes (os políticos), assustadas pela pressão de grupos sociais inferiores. E essa ampla classe média consisti e consistirá na maioria do auditório fascista.

7. Para aqueles que se sentem privados de qualquer identidade social, o fascismo lhes diz que seu único privilégio é o mais comum de todos: terem nascido em um mesmo país. Esta é precisamente a origem do “nacionalismo”. O fascismo carrega o viés de que os únicos agentes que podem conferir autenticidade ao “nacional” serão os inimigos da nacionalidade, sejam eles internos ou externos. Daí a obsessão pelo complô, pelo golpe, .pelas invasões de outros países, pelas guerras.
Para levar os “nacionalistas” aos extremos, os defensores do fascismo precisam se sentir sitiados e o modo mais rasteiro e facilmente sentido são novamente, a xenofobia e o racismo.

8. Se os adeptos do fascismo sentirem-se humilhados pela riqueza ostensiva ou pela força do inimigo, a doutrina do “faccio” leva-o a supor que pode vencê-lo. É por isso que, os regimes fascistas se fortalecem com a visão de que os inimigos, quer internos, quer externos, sejam ao mesmo tempo, fortes e fracos demais.

9. Para o eterno fascismo não há luta pela vida, mas, sim, vida pela luta. Logo, o pacifismo é conluio com o inimigo, a vida uma guerra permanente.

10. O elitismo é típico de qualquer ideologia reacionária. No curso da história, todo elitismo aristocrático ou militarista implicou em desprezo pelos fracos. O fascismo prega um “elitismo popular”. Logo, todos os cidadãos pertencem ao melhor dos povos, os membros dos partidos, são os melhores cidadãos. E todo cidadão deve pertencer ao partido.
Embora o líder fascista saiba que seu poder não foi obtido por delegação mas conquistado pela pressão e pela força, sabe igualmente que sua força se baseia na debilidade das massas populares, tão fracas que têm necessidade e merecem um dominador.
Ao se organizar, o fascismo cria estruturas em que um líder despreza seus subordinados, do mesmo modo em que seja desprezado pelo chefe. Isto reforça o “elitismo de massa.”

11. Cada membro de uma organização fascista é educado para tornar-se um “herói”, um ser exemplar. No fascismo de sempre, o heroísmo é norma, na justa medida em que este culto liga-se a um outro: o da morte! O fascista espera impacientemente sua morte e enquanto esta não chega ele assassina “banalmente” outros mortais.

12. Como tanto a guerra permanente quanto o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o fascista deriva a sua vontade de poder para jogos sexuais. Aí está a origem do machismo, da intolerância para com os homossexuais, a base de uma “cultura” de estupro dos seres imediatamente inferiores ao macho: a mulher.

13. O populismo qualitativo: No populismo qualitativo, os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos e o “povo” é concebido como uma entidade de personalidade monolítica, que somente expressa uma vontade comum a qual tem em seu líder o único intérprete.
E os cidadãos, tendo perdido o poder de delegar, não agem mais, sendo chamados exclusivamente para assumirem o papel de “povo de massa”. O populismo qualitativo hoje é disseminado pelas televisões e redes sociais, locais em que a resposta e a participação de um grupo selecionado de cidadãos pode ser apresentada e aceita como “a voz do povo”.
O fascismo, em virtude de seu “populismo qualitativo” opõe-se aos “pútridos partidos parlamentares”. Por isso, cada vez que um político põe em dúvida a legitimidade democrática, pode-se sentir nele o cheiro do fascismo.

14. A utilização de uma linguagem empobrecida: O fascismo fala sempre uma nova língua, língua onde o léxico é pobre, a sintaxe elementar, tudo é simplificado e “popular”, um excelente instrumento voltado a limitar o surgimento de qualquer tipo de raciocínio complexo ou crítico.

Antídotos anti-fascistas:

Listar alguns antídotos contra o eterno fascismo não é difícil. Torná-los prática política, educacional, constitutiva de uma sociedade, são as questões cruciais.

Um destes contra-venenos, talvez o mais importante, seria o pensamento crítico, a reflexão sobre o próprio pensar, a formatação de um pensamento modesto e, finalmente, a popularização do pensar filosófico, por si só questionador.

Buscar a razão sempre, dado que o problema da irreflexão é que aqueles que se conduzem por códigos e regras são os primeiros a aderir e a obedecer. Aquele que não pensa por si mesmo possui um eu que não fundou raízes, é um ninguém. São seres humanos que se recusam a serem pessoas.

No entender de Jaspers, ser ninguém é pior que ser mau; esse ser ninguém se revela inadequado para o relacionamento com os outros, porque os bons e os maus são, no mínimo, pessoas. É isto que faz da banalidade do mal, do fascismo, o pior dos males: espalha-se rapidamente sem necessidade de qualquer ideologia, ou apesar de qualquer que seja o viés ideológico.

 

Comentários

  1. Ronald Lobato
    qui 14th jul 2016 at 10:58

    Importante a percepção de que há elementos de fascismo dentro da própria esquerda..
    Ideologia dominante permeia toda a sociedade, inclusive suas classes ou frações delas.
    A contradição em aspectos centrais ou muito importantes não significa obrigtoriamente a contradição quanto a forma de exercer a humanidade.
    Mas para compreender isso é preciso valorizar a dialética e aí o bicho pega
    Ronald

    Responder
  2. sáb 16th jul 2016 at 21:27

    QUero, se possivel, receber esse blog

    Responder
  3. Antônia Mara Vieira Loguercio
    dom 17th jul 2016 at 16:33

    Como análise do “ovo da serpente”, sim, o texto é exato. Trata das patologias individuais e sociais que ficam lá dentro de cada um ou do grupo, dormitando, aguardando para serem despertadas, todas juntas, conforme as condições de calor e umidade aqui de fora. Do que precisamos é descobrir ou sistematizar quais as condições que permitem que elas venham à tona e passem a dominar, com a rapidez e eficiência que isso tem ocorrido. Já temos a prova (vivenciamos) de que nem sempre é só com violência física ou pelas armas. Quais são, então, os outros “meios” que fazem aparecer esses monstros e dominarem de uma tal forma que convença os incautos e vença a resistência dos opostos?Isso para mim o texto não deu conta. E tem a ver com duas velhas conhecidas, irmãs siamesas: luta de classes e correlação de forças. Mas também não explica tudo…

    Outra coisa que acho prudente não se confundir é nacionalismo ou todo o nacionalismo com fascismo. Há o nacionalismo fascista, xenófobo e preconceituoso que considera que seu país tem direito de menosprezar e até invadir e dominar os demais. Mas tem o nacionalismo progressista da indispensável – e cada vez mais decisiva – luta pela soberania nacional que quer tirar o seu país do jugo colonial e imperial de quem quer que seja.

    Finalmente, sobre o antídoto mais importante também me parece que está faltando algo. A popularização do pensar filosófico, por si só questionador não chega a levar à necessária tomada de atitude coletiva, se não houver, além do pensamento crítico, um norte também teórico para orientar para onde e, principalmente, como sair ou vencer o fascismo. Ou teremos, simplesmente a popularização do pensamento crítico pela crítica, o que também é de todo ineficiente. Aceitar doutrinação de forma cega e acrítica é pernicioso demais. Mas não tanto como pretender qualquer saída pelo lado individual e sem a utilização da teoria, da filosofia das ideias tenham elas o nome e o sistema que se quiser adotar…Sei que é ousadia – e das grandes – contrapor-me ao pensamento e à sistematização do imenso Umberto Eco. Mas que fazer? Ele quer que eu tenha pensamento crítico…

    Responder
  4. seg 18th jul 2016 at 10:52

    Esse texto só reforça a necessidade de olharmos com mais cuidado para as formas de relações sociais que se estabelecem hoje, na sociedade contemporânea, onde o outro e as alteridades são vilipendiados, em nome de uma verdade absoluta e ideológica propagado por um fascismo atual.

    Responder

Adicionar comentário