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13 março 2014 por Publicado em: resenha 2 comentários

1878- Rússia

Parcela da intelectualidade, aqueles que fundaram “A Vontade do Povo”, havia ido das cidades ao campo para pregar aos camponeses; muitos foram presos pela polícia czarista. No dia 24 de janeiro, o dia seguinte ao julgamento de noventa e três militantes presos, Vera Zassulitch mata o general Trepov, governador de Petersburgo. Não havia provas contra ela e absolvida pelos jurados, ela foge da polícia do czar. No entanto, esse tiro de revolver desencadeia uma série de ações repressivas e de atentados que só se esgotarão por exaustão. No mesmo ano, Kravchinski, dirigente da “A Vontade do Povo” enunciava em um panfleto: “morte por morte”. 1878, o ano do nascimento do terrorismo russo!

Na Europa, o imperador da Alemanha, o rei da Itália, e o rei da Espanha serão vítimas de atentados. Ainda em 1878, Alexandre II cria a Okhrana, a mais eficaz arma de terrorismo que o Estado russo jamais conhecera. A partir daí, os assassinatos políticos na Rússia e no Ocidente irão se multiplicar, marcando a fogo as duas últimas décadas do século XIX e a primeira do XX.

Em 1879, novo atentado contra o rei de Espanha e atentado frustrado contra o czar russo. Em 1881, o mesmo Alexandre II é, finalmente, assassinado pela “A Vontade do Povo”. Sofia Perovskaia, Jeliabov e seus amigos são capturados, torturados e aqueles que não morreram na tortura serão enforcados.

Em 1883, atentado mata o imperador da Alemanha e o assassino é morto a machadadas no ato, pelos seus guarda-costas.

Em 1887, nos Estados Unidos, ocorre a execução dos mártires operários de Chicago. Como resposta, em Valência na Espanha, um congresso anarquista emite um aviso: “Se a sociedade não ceder é preciso que o mal e o vício pereçam, e nós todos deveríamos perecer com eles”.

A década de 90 levará ao assassinato do presidente francês Carnot. Só no ano de 1892 contam-se mais de mil atentados a dinamite na Europa e mais de quinhentos na América. Em 1898, Elizabeth, imperatriz da Áustria é assassinada.

Em 1901, o assassinato do presidente dos Estados Unidos das Américas, Mac Kinley. Em 1903 forma-se a Organização de Combate do Partido Socialista Revolucionário Russo, reunindo os quadros mais extraordinários do terrorismo russo. Os assassinatos de Plehve por Sasonov e o do grão-duque Sérgio por Kaliaiev, marcarão o ponto culminante desses trinta anos de apostolado sanguinário.

O niilismo, extremamente ligado ao movimento de uma religiosidade desiludida, termina assim no terrorismo. No universo da negação total, pelas bombas, pelos revolveres e também pela coragem com que caminhavam para o suplício, esses jovens tentavam criar os valores que lhes faltavam. Os homens até aqui morriam em nome do que sabiam ou do que pensavam saber. A partir daí criou-se o hábito mais difícil de sacrificar-se por uma coisa da qual pouco se sabia, a não ser que era preciso morrer para que ela existisse.

Mas o que mais impressiona quando se leem as declarações dos condenados dessa época é ver que todos, sem exceção, entregavam-se, desafiando seus juízes, à justiça daqueles homens que ainda estavam por vir. Esses homens do futuro, na ausência de valores supremos, continuavam a ser o seu último recurso. O futuro constituirá a única transcendência dos homens após a morte de Deus.

Sem dúvida, esses terroristas querem primeiro destruir, abalar o absolutismo cambaleante sob o impacto das bombas. Mas ao menos com suas mortes, eles visam recriar uma comunidade de justiça e amor, retomando uma posição que há muito a Igreja traiu. Era o espírito da revolta encontrando-se com o da compaixão.

“Pode-se falar de ação terrorista sem dela participar? Exclama o estudante Kaliaiev. Seus camaradas de “A Vontade do Povo” são homens exigentes, não cederam nenhum centímetro nem de suas histórias e nem de seus dramas. Se viveram no terror, se nele “tiveram fé” (Prokotilov), nunca deixaram de se sentir dilacerados. A história nos dá poucos exemplos de fanáticos que tenham sofrido de escrúpulos inclusive em meio aos conflitos.

O poeta Kaliaiev é o símbolo deste movimento desesperado. Enquanto a maior parte de seus companheiros era ateu, ele ainda dizia acreditar em Deus. Mas ele repudia a religião, “o ópio do povo”. A clandestinidade obriga-o viver na solidão e ele é enfocado aos 26 anos de idade. A clandestinidade obrigara-o a viver na solidão. Ele não conhece, a não ser de forma abstrata, a poderosa alegria de todo homem em ação em contato com a multidão, com o povo.

Kaliaiev estará sempre pronto a sacrificar a vida, aliás, até o desejava. “E mais, ele desejava ardentemente esse sacrifício”, diz Savinkov. O primeiro atentado ao grão-duque falhou, pois o mesmo Kaliaiev se negara a matar as crianças que o acompanham. Em sua execução recusou o “socorro religioso”. “Minha consciência está em paz consigo mesma”. Ao padre que lhe estendeu a cruz a ser beijada, disse: “Eu já lhe disse que acabei com a vida e que me preparei para a morte”.

Savinkov se opôs a um atentado contra o almirante Dubassov, pelo risco de morte de inocentes no vagão que deveria ser dinamitado. Preso, poderia ter fugido da prisão, mas negou-se a atirar contra os guardas do presídio. Alguns dias após, morreu na forca, não sem antes deixar para escrito para seus companheiros presos: “Nossa fidalguia estava permeada por um sentimento tal que a palavra “irmão” não traduz ainda com suficiente clareza, a essência dessas relações recíprocas.” E mais: “No que me diz respeito, a condição indispensável à felicidade é preservar para sempre a consciência da minha perfeita solidariedade para com vocês”.

Para Dora Brilliant, “a ação terrorista embelezava-se pelo sacrifício da própria vida que lhe fazia o terrorista”. “Mas o terror pesava sobre ela como uma cruz” ressalta Savinkov. “Tanto Dora quanto Rachel Lourieé tinham fé na ação terrorista, mas o sangue as transtornava.”

Um esquecimento tão grande de si mesmos, aliado a uma preocupação tão profunda com a vida dos outros, permite supor que esses assassinos delicados viveram o destino revoltado na sua condição mais extrema. Mesmo reconhecendo o caráter inevitável da violência, admitiam que ela fosse injustificada. Necessário, mas indesculpável: o assassinato. Logo, o assassinato identificou-se com o suicídio. Não colocam nenhuma ideia acima da vida humana, embora matem pela ideia. Estamos ainda diante de um conceito, senão religioso, ainda metafísico da revolta.

Depois virão outros homens que, animados pela mesma fé devoradora, irão, no entanto, considerar esses métodos sentimentais, recusando-se a admitir que qualquer vida equivale à outra. Colocarão acima da vida humana uma ideia abstrata, mesmo que a chamem de História, à qual, antecipadamente submissos, irão arbitrariamente utilizar  para subjugar outros homens.

Mas, ainda em 1905, é o amor que cada terrorista tem pelo outro que lhes traz felicidade até no deserto da prisão, que se estende à imensa massa de seus irmãos escravizados e silenciosos, a que nos dá a medida de seu infortúnio e de sua esperança. Para servirem a esse amor, precisam primeiro matar; para firmar o reinado da inocência, precisam aceitar certa culpabilidade. Solidão e fidalguia, desamparo e esperança só serão superados pela livre aceitação da morte.

Jeliabov, que organizou o atentado contra o czar Alexandre II em 1881, foi detido dois dias antes do atentado. Pediu por carta ao governo para ser executado “pois só a covardia do governo poderia erguer um cadafalso e não dois”. Mas foram erguidos cinco cadafalsos, um deles para a mulher que ele amava. Jeliabov morreu sorrindo e recusou a venda nos olhos, enquanto Rissakov, o autor do atentado que fraquejara na tortura, teve que ser arrastado meio louco de terror até o cadafalso. Sofia Perovskaia beijou ao pé da forca o homem a quem amava e aos outros dois amigos. A Rissakov, virou-lhe as costas.

Aquele que mata só é culpado se consente em continuar vivendo ou, se para continuar vivendo, decidir trair seus irmãos. Morrer, ao contrário, anula a culpabilidade e o próprio crime. O tenente Schmidt escreverá antes de seu fuzilamento: “Minha morte irá consumar tudo e, coroada pelo suplício da tortura, minha morte será irrepreensível e perfeita”.

Um dia, o próprio general governador da Fortaleza de Pedro e Paulo chamou a seu gabinete o anarquista preso Nechaiev. Pediu-lhe que denunciasse os colegas. Um só golpe que Nechaiev lhe aplica no queixo basta para matá-lo. Interrogado a ferros em brasa, defendeu-se: “Jamais fui tão humilhado em minha vida”.

Kaliaiev após ser lida a sua sentença de condenação à morte, declarou ao tribunal: ”Considero minha morte como um protesto supremo contra um mundo de lágrimas e sangue”. Ele duvidou até o fim, mas essa dúvida não o impediu de agir. Devota-se à História até a morte, e no momento da própria morte coloca-se acima da história.

Através de seus atos esses terroristas, ao mesmo tempo em que afirmam o mundo dos homens, colocam-se acima deste mundo, demonstrando que a verdadeira revolta é criadora de valores. Kaliaiev e seus irmãos triunfam sobre o niilismo e são a imagem mais pura da revolta.

 

Comentários

  1. qui 20th mar 2014 at 20:00

    Texto muito bom e que me faz refletir: parece que na verdadeira história da humanidade a violência é tão grande, que quase não existe espaço para a amizade, para o amor. Que a violência se casa muito bem com o poder, e que muitos que amam seus semelhantes, e tentam lhes dar um mundo melhor, precisam também recorrer à violência, pois se assim não for, não conseguirão tirar os poderosos o caminho, e que impedem a realização desse sonho que é ver um mundo melhor.
    Grande texto, Carlos Russo! Adorei!

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