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06 fevereiro 2014 por Publicado em: ensaio Sem comentários ainda

Nas sociedades democráticas contemporâneas a liberdade foi perdida em meio a um sistema que deixou de representar os anseios dos cidadãos, tornando a convivência humana fundada na igualdade política impossível. Como decorrência, alijado das decisões políticas e sem espaços para o exercício da liberdade, a população tornou-se desinteressada da coisa pública e seu único Espaço Público reduziu-se à urna eleitoral eletrônica e o “Ser Cidadão” foi transformado em mero eleitor digital.

Até mesmo o espaço público-privado do dia a dia, do trabalho, da escola, da vida comunitária é tão somente formalmente público, dado que dele não mais fazem parte os discursos, as ações comuns, o contato e a proximidade entre cidadãos, enfim, aboliu-se em todos eles a fraternidade. Pelo contrário, as ruas, as fábricas, os shoppings, são espaços consagrados ao isolamento: um espaço que os indivíduos ocupam solitariamente, mas não o compartilham entre si!

As pessoas, no contexto em que vivemos, abdicam da identidade própria e como não são integradas em nenhuma organização fundada no interesse comum, quer seja em partidos políticos, esferas de governança, organizações profissionais ou sindicatos, transformam-se em “massa”. “O fato é que uma sociedade de consumo não pode absolutamente saber como cuidar de um mundo e das coisas que não pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central ante todos os objetos, a atitude do consumo, condena à ruína tudo o que toca.” (Arendt)

A ruína do sistema partidário como representante de interesses antagônicos se deu quando as diferenças entre as antigas classes sociais desapareceram no surgimento das “massas”. Já não é necessário manietar ou fazer calar a massa pois ela já é destituida de referenciais políticos ou de classe, ocupada exclusivamente com o consumo e com a sobrevivência. Neutras e indiferentes, “as massas” surgem numa sociedade de classes absolutamente hierarquizada, que permite a ascenção e a participação nos partidos, nos sindicatos e nas organizações políticas apenas para pequena minoria privilegiada. Nas democracias contemporâneas, em que o homem comum é alijado da capacidade do pensar, a existência é também transformada em “objeto” e em consumo. Sendo também excluído do direito a atuar coletivamente, a liberdade política significa participar de algum nível de governo ou não significa nada!

Chegamos, então, às sociedades de consumo em que a prática permanente da violência dentro da própria “massa”  e do poder público contra “a massa” tornou-se corriqueira. O Brasil é um dos mais claros exemplos, pois a quantidade de assassinatos  e da violência praticada nos assemelham a sociedades sob guerra civil aberta.

Nas sociedades como a nossa, o crime, o tráfico, a impunidade, tanto para os agentes públicos quanto para aqueles que habitam o andar superior da pirâmide social, passaram a constituir um conjunto estruturado de fatores que permitem que os governos, os políticos e os lobistas permaneçam com as mãos livres para os desmandos e para a corrupção.

São movimentos todos que convergem. Enquanto os indivíduos mantêm-se em hostilidade, são hostilizados e abandonam o espaço público, os governos e a política deixam de ser os focos de reivindicações para que “o novo” possa ser gerado. Surgem, então, os muros, as grades, cercas, o negócio bilionário da segurança pessoal, os shoppings centers fechados e exclusivistas, os guetos do bem estar e do consumo onde são decididos os destinos dos milhões de excluídos.

A banalidade do mal numa sociedade como a nossa não se reduz a matar, a torturar, a manter o terceiro maior volume de prisioneiros em masmorras medievais, mas e, principalmante, traduz-se na exclusão social, que por sua vez, reforça a violência e enceta o isolamento. A exclusão é a principal criadora das “massas” que não pensam e só votam.

Na visão de Theodor Jaspers, a existência humana é entendida como intimamente vinculada à historicidade e o existir é um transcender na liberdade. Para ele, o problema central nas sociedades contemporâneas transforma-se “em como pensar a existência sem torná-la objeto”, pois “a verdade não é entendida como característica de nenhum enunciado particular: é antes uma espécie de ambiente que envolve todo o conhecimento.” Nessa justa medida, a liberdade foi expoliada e a própria política ganhou um novo significado: a administração pública dos interesses econômicos privados.Sócrates, Buda, Confúcio e Jesus tiveram  uma significação transcendental no enfoque da liberdade. Jesus Cristo suspeitava das aparências de se querer fazer bondade e boas obras sob orbe da política, no que ele denominava de “hipocrisia de fariseus”. “Não saiba a mão esquerda o que faz a direita”.  A própria essência da bondade é esconder-se e não aparecer, pois caso contrário o ato se revela como hipocrisia. Para o existencialista Jaspers, “sem refletir sobre si mesmo, não há bondade humana possível, e refletindo sobre si mesmo, não há bondade inocente.”

O Nazareno, ao contrário de Sócrates que era um homem público da Ágora ateniense, atuava em meio à obscuridade, num espaço que não era nem público, nem privado. Jesus tinha uma total falta de interesse em estabilizar instituições da “polis”, frente ao rigor das leis do Deus de Moisés, que regulavam cada passo dos homens, “ele propunha um adorável descuidar-se” (Arendt).

A fé que remove montanhas- é a liberdade em ação. Em nenhum momento Cristo ameaça com punições ou prêmios após a morte; as boas novas eram sempre “redentoras dos pecadores”. Portanto, Jesus foi o descobridor do perdão nas relações humanas, uma maneira de desfazer o que já tinha sido feito. O amor ao próximo estava no enunciado: “amar ao próximo como a ti mesmo”.  E o próximo que se ama, afirma-se não pelo amor ou pela bondade, mas pela compaixão, que é o ato de sofrer junto, o compartir de outra humanidade, da humanidade de seus Apóstolos, daqueles que lhe são próximos.

Dessa forma, Cristo, no sentido totalmente contrário ao da Lei, não queria obediência, mas amizade e amor, e o cristianismo dos primeiros tempos, semi-clandestino, era apolítico! A desobediência somente foi transformada em pecado mortal séculos após, quando a obediência erigiu-se na base da ética cristã.

Após o declínio do Império Romano, a Igreja passou a ser sua herdeira espiritual: autoridade, religião e tradição. Foi Santo Agostinho, no século IV, quem articulou conceitualmente a doutrina cristã e a filosofia grega à experiência romana, o que permitiu à Igreja atuar na esfera política, ocultando, entretanto, essa atuação da doutrina original.

À Igreja foi dada a Autoridade, aos Príncipes, o Poder. E para evitar uma completa perversão dos evangelhos, Agostinho criou a “Civitas Dei”, onde os homens, logicamente após a  morte, pudessem viver em comunidade, em comunhão, sob a lei divina. Uma “Civita Dei” que, de certa forma espelha a Nova Jerusalém do Apocalipsis de João de Patnos.

Desse modo, enquanto a Igreja prestava legitimidade ao poder temporal, esse protegia a “liberdade” da Igreja, que longe de ficar distante  da política, tinha o dom de excluir aqueles que lhe eram pouco fiéis. Ela legitimizava o poder secular, apelando para “um amor ao próximo”, que ao metamorfosear-se transformara-se em “ finalidade da política”.

O espaço garantido aos fiéis passou por uma profunda alteração, substitutivo da cidadania antiga e que permaneceu até a era moderna: transmutou-se  em público/eclesiástico. Os homens perderam a praça pública e foram empurrados para a obscuridade das absides das Igrejas, sob o pavor inculcado pelo mito do Inferno Platônico, também “traduzido” para o cristianismo pelo mesmo Agostinho, seguramente inspirado no “Apokalipisis” de João de Patmos.

Assim, o cristianismo triunfante pós-agostiniano, criando um sistema de ações/ punições e recompensas futuras, renegou a antiga convicção filosófica de que “a recompensa de uma boa ação seria ela mesma”. A maioria dos homens passou a ser conduzida através do medo pela morte e, de um pavor ainda maior pelo futuro após ela.

Chegaremos ao Renascimento, época em que o homem busca respirar um ambiente menos repressivo. Um grito de liberdade ecoa com todo o seu vigor na Europa asfixiada. No entanto, isso fica para a terceira parte de nossa conversa.

“Se o lugar da liberdade é o mundo, o lugar do amor à liberdade é o coração humano; um lugar sombrio, mas de resistência.”

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