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11 novembro 2018 por Publicado em: Sem categoria 3 comentários

Vivemos em um mundo em que os todos os valores herdados da história da civilização são colocados em cheque. O Brasil, um dos países mais desiguais e violentos do mundo, a população em desencanto com um processo político decadente, majoritariamente elegeu representantes que pregam abertamente a misoginia, a homofobia e que são racialmente preconceituosos. Propala-se o fim das ideologias quando na verdade caminhamos em direção a uma bifurcação na estrada real da vida, tal qual ocorre nas ambíguas escolhas dos heróis das tragédias gregas: podemos seguir pelo lado da barbárie, que é o natural, sendo inerente à dinâmica do capitalismo (aliás, recordemos Lacan que afirma ser o capitalismo uma espécie arquetípica do subconsciente humano), ou caminharmos para outro lado, tão complexo quanto novo e inseguro, uma trilha de resistência que conduza ao Renascer da humanidade e de seus valores civilizatórios.

No sentido de nos fortalecermos para o enfrentamento dos duros dias que virão, julgamos conveniente revisitarmos uma das maiores criações artísticas de todos os tempos, as Tragédias Gregas. E hoje o faremos com “Os Persas”, da autoria de Ésquilo, no século V a.C..

Quando deixamos o teatro após uma apresentação de “Édipo”, “Antígona” ou de “Medeia”, sentimos ainda latejar em nós as questões essenciais da existência. O grau do trágico nos é dado pela relação do espetáculo artístico com nosso próprio mundo, com a realidade de espectador. Chegamos mesmo a questionarmos os valores sob os quais as gerações de hoje se formatam e interrogamo-nos sobre o sentido da própria vida. E ao comovermo-nos percebemos em nosso íntimo o trágico, o drama, então desenvolvemos nossa própria “katarsis” e sentimo-nos mais próximos do “homo aner”, do homem consciente.

A Tragédia Grega questiona uma realidade que é nova para aqueles povos. O momento histórico coincide com a formação de cidadãos-livres e o sentido da cidade em que se vive como uma Pátria, de onde se cria a responsabilidade coletiva vivenciada na democracia. Por isso, a Tragédia é questionadora da realidade vivida e de seus valores, ao invés de, simplesmente ser um “espelho” do real que assume os palcos.

Ela foi mais do que tudo uma instituição social, ao lado dos órgãos públicos políticos e de justiça, sendo a própria cidade que se faz teatro no momento das celebrações dionisíacas. E o teatro foi tão importante que a presença do cidadão é subsidiada pelo poder público, sendo que o próprio Arconte responsabiliza-se por toda a sua realização.

É a ação recíproca de todos esses elementos, nos mais diversos níveis, que constitui a ordem cívica.

Quando falamos do momento específico do surgimento de Ésquilo, este é antes de tudo um instante histórico heroico para Atenas: graças à disciplina, ao combate voluntário na defesa do que o cidadão reconhecia como seu, os exércitos persas haviam sido batidos por tropas gregas muito inferiores em número, mas não em audácia e coragem cívica. A democracia que surgira vitoriosa, afastando os eupátridas ( a aristocracia) e os tiranos internos, agora liderava a libertação de toda a Grécia do domínio do Grande Rei Persa, primeiro Dario, e depois, de seu filho, Xerxes, ambos derrotados pelos gregos.

Todo um novo mundo poderia ser edificado por valores que iam sendo descobertos ou redescobertos, sob a unidade e comando das “divindades cidadãs”.

Aí temos, em breves linhas, o panorama das tragédias de Ésquilo. Finalmente, Lesky observa que o homem de Ésquilo cumpre como que um imperativo do destino que, no entanto, não o exime do fato da própria responsabilidade pelos atos praticados, por isso ele representaria em suas tragédias “O mundo como ele deveria ser”.

 

“Os Persas” foi representada em 472 a.C.. A apresentação ocorreu no auge da democracia grega, insuflada pela aniquilação da frota dos persas em Salamina e pela derrota dos invasores persas em Psitália, que obrigou o recuo vergonhoso do exército de Xerxes, estimado em mais de um milhão de homens. Seu corego foi o principal líder político de Atenas, Péricles em pessoa!

“Os Persas” representa uma verdadeira epopeia, mas, atenção: Tudo é visto do lado do perdedor, dos agressores persas! Ela constitui um longo e pungente lamento fúnebre, o cântico de dor da humilhação do mais poderoso império do mundo antigo, derrotado pela orgulhosa Grécia.

Ao contrário de todas as outras tragédias que chegaram até nós, “Os Persas” não evoca o passado mítico ou heroico: é um tema da atualidade grega, mas suficientemente distante em termos espaciais, de maneira que possa conter os elementos básicos do drama e possa levar a plateia à “katarse”, à limpeza. Como bem disse Urbano Rodrigues: “não sei de quem fique insensível a este longo, trágico lamento, que visa despertar no espectador o terror e a piedade e consegue, acima de tudo, exaltar, em negativo, pela narrativa das desgraças da orgulhosa Pérsia…, a coragem e o civismo da jovem nação grega”.

O cenário é uma Praça de Susa, capital da Pérsia, em frente ao palácio real. O prólogo é efetuado pelo Corifeu e pelos Coreutas, velhos persas que se denominam “Os Fiéis”, dado que Xerxes, antes de partir na expedição de guerra à Grécia, dera a eles a responsabilidade pela guarda do palácio e dos seus tesouros. “O Fiéis”, então, numeram todas as forças leais ao imperador, a começar pelos próprios persas e pelos medos, a cavalaria, a infantaria e a grande esquadra naval, a fina nata dos guerreiros asiáticos; relatam também o avanço das tropas de ataque por terra, ultrapassando o estreito de Helesponto, graças à ligação por cordas entre os barcos; narram também e o ataque marítimo.

No entanto, notas de inquietação enovelam-se na narrativa. “Irresistível é o exército da Pérsia, e valoroso o coração de seus soldados”. “Mas que mortal pode escapar às astutas armadilhas de um deus enganador? … A ate, a cegueira, com suas carícias atrai o homem a suas redes e nenhum mortal pode evitá-las…” “A saudade dos varões enche de lágrimas os leitos, e todas as mulheres persas, na sua aflição …ficam sós, atreladas ao jugo.”

O Corifeu sugere ao Coro que examine para que lado pende a vitória: “Seria a corda do arco que triunfa? ( o arco simboliza os persas) ou a lança com ponta de ferro? (os gregos).

A rainha Atossa, mãe de Xerxes e primeira mulher do harém de Dario, o Grande, aproxima-se. Atossa: “Também eu sinto o coração dilacerado pela apreensão e, confesso, amigos, tenho medo…riquezas sem defensores não impõem à multidão nem respeito nem veneração, e sem riquezas não há brilho proporcional à força…”

Aos atenienses, no regime democrático que haviam edificado, sob um tipo de vida disciplinado e “espartano”, a necessidade do poder imperial possuir riquezas para ser reverenciado, soava como um eco de passado abolido e expõe um pensamento que é a antítese de seu pensar. Do mesmo modo a confissão que a rainha faz de que caso seu filho Xerxes retornasse vitorioso, ele seria um herói; mas caso fosse vencido a ninguém teria que prestar contas! Tão diferente da realidade em que os cidadãos livres cobravam os resultados de qualquer atitude tomada por seus estrategas!

Mas a rainha prossegue e pede que o Coro a ajude a interpretar um sonho e uma estranha visão, em que uma águia é atacada por um gavião e, ao invés de defender-se, deixa-se depenar. O Coro recomenda-lhe que ore aos deuses e realize libações ao finado Dario, com o que a rainha concorda. Antes pede que lhe digam em que lugar da terra situa-se Atenas, a cidade que seu filho queria tomar. O Coro indica-lhe a direção e que a queda de Atenas significaria a submissão de toda Grécia. A rainha quer detalhes e o coro explica-lhe que os combatentes atenienses usam a espada para combater a pé firme e o escudo que trazem no braço, que lutam como homens livres, não sendo súditos e nem escravos de homem algum, totalmente ao revés que o imenso exército persa. E “lutam tão bem que já destruíram o belo e grande exército de Dario”, referindo-se à primeira guerra persa.

Neste ponto chega um Mensageiro e traz a notícia de que o exército bárbaro “foi inteiramente aniquilado”. “As margens do Salamina e todas as terras vizinhas estão repletas de cadáveres… o exército inteiro pereceu pelo choque dos seus navios.” O Coro declara ser Atenas, um nome detestado; que deste nome não se esquecerá, pois lá, milhares de mulheres persas perderam seus filhos e esposos. A rainha intervém e solicita que o Mensageiro conte-lhes toda a catástrofe, que os mortais têm que suportar as provações que os deuses lhes enviam para recuperar a serenidade. E o Mensageiro principia pelo fato de que “ Xerxes vive e vê a luz”.

A seguir reporta a série de desastres, tropas inteiras exterminadas junto com seus chefes, graças à desmedida de seu comandante, o Rei, que subjugara o poder guerreiro dos gregos. De como, graças à estratégia, os gregos que possuíam trezentos navios de pequeno porte, venceram e destruíram a armada persa de mais de mil barcos, ao som de um único brado de guerra: “Vamos filhos dos gregos, libertai a vossa pátria, vossos filhos e mulheres, os santuários dos deuses de vossos pais e o túmulo de vossos avós; lutai hoje por todos os vossos bens!”

A este relato da derrota marítima, haviam se seguido outras desgraças, pois “todos os persas na flor da vida, os melhores na coragem, os mais ilustres e que se encontravam na primeira fila pereceram vergonhosamente” na ilha de Ptisália, defronte a Salamina, onde cercados pelos gregos tiveram seus corpos despedaçados. “Xerxes, que observava a batalha chorou e rasgou suas roupas e precipitou-se em fuga desesperada”. A seguir detalha a fome e a sede que torturou os sobreviventes, aumentando a sua desdita.

O Coro relata os sofrimentos que esperam as mulheres persas em seus leitos solitários; os velhos a quem espera uma velhice desamparada e sem descendência; os povos submetidos ao império persa que deixarão de pagar seus impostos a um reino enfraquecido e, finalmente, “o povo que passará a falar mais livremente, pois é isto o que acontece quando se desprende do jugo da força”.

A rainha Atossa retorna à cena preparada para realizar as libações por Dario, o rei morto. Dirigindo-se ao coro diz: “Amigos, quem já travou conhecimento com a desgraça sabe que, no momento em que uma vaga de flagelos se abate sobre os homens, tudo os apavora, enquanto se o destino os favorece, eles se convencem de que o sopro da prosperidade jamais deixará de fluir a seu favor”.

Ao invés de simples libação, o que Ésquilo nos apresenta é uma evocação aos mortos. O Coro: “Sede clemente, oh Terra, e Hades, príncipe dos mortos, deixai sair de seus domínios este “daimon” glorioso, esse deus dos Persas… que esta terra nunca viu igual”.

Surge, então, a Sombra de Dario: “Bem sabeis que não é fácil sair dos infernos, tanto mais que aos deuses subterrâneos mais é dado agarrar que soltar. Dizei-me depressa que nova desgraça se abateu sobre os Persas”. O Coro tem receio de contar ao rei morto aquilo que tanto o aflige e a Sombra roga à esposa que lhe participe o que ocorre, pois “as desgraças são o lote natural dos humanos; muitas vêm do mar, outras da terra; despencam todas sobre os mortais cuja vida se prolonga”.

Atossa conta à Sombra de Dario as desventuras de Xerxes, que pusera a perder todo o seu exército, retornando quase só para Susa.

A Sombra responde: “Como se cumpriram depressa os oráculos; foi sobre meu filho que Zeus fez desabar as negras profecias… quando alguém corre de próprio gosto para sua perda, os deuses lhe prestam sua ajuda… Foi nosso filho que em sua cegueira e na sua juvenil audácia consumou a catástrofe… Sendo mortal pensava, imprudentemente, poder triunfar sobre um deus, Poseidon. Uma doença do espírito vitimou meu filho”.

A Sombra explana sobre como o Império conquistara seu brilho no passado, mas o Coro necessita de conselhos e alentos: “Como é que nós, o povo persa, poderemos depois disso tornar a viver dias felizes?”

Dario responde: “Não levando mais a guerra ao país dos gregos, pois a própria terra combate por eles”. Como a terra? interroga o Coro. Dario responde: “Matando pela fome as multidões demasiado grandes”. Além disso, a Sombra diz ao Coro que as tropas bárbaras desrespeitaram os santuários gregos, incendiaram seus templos quando avançaram por terra e agora estão pagando por isso. “Montes de cadáveres falarão na sua linguagem muda aos olhos dos homens e dir-lhes-ão que um mortal não deve alimentar pensamentos acima de sua condição; a violência, crescendo em terra arável, produz uma espiga de desgraça que só fornece colheita de lágrimas”. Recomenda a Atossa que vá acolher o filho que retorna e lembra para os velhos que, “entre os mortos, a riqueza não serve para nada”. E desaparece.

Enquanto o Coro rememora os feitos de Dario, Xerxes como seu contraponto retorna derrotado, dizendo: “que desgraçado sou por ter caído sob um fado tão terrível e imprevisível!”

O Coro não lhe oferece a clemência que o soberano provavelmente esperaria: “Essa terra geme pela juventude morta por Xerxes, abastecedor do Hades, pois ele encheu o seu reino de persas… a flor deste país, arqueiros triunfantes. Choremos por nossos valiosos defensores”.

Xerxes: “O deus Ares da Jônia tirou-nos tudo; Ares armado de barcos de guerra fez pender a balança para o outro lado e ceifou na margem e na planície da desgraça”. Xerxes revela que, de todo o poderio do maior dos exército, restara apenas uma aljava com seus dardos. O Coro e Xerxes exortam, então, o povo Jônio, que não foge ao combate e é “por demais belicoso”. O Coro e Xerxes caminham a gemer, a entoar os gritos fúnebres e a rasgar suas roupas em sua total desdita.

 

Nesta tragédia, que se referencia a um fato histórico e contemporâneo ao autor, em nenhum momento qualquer general ou herói grego é citado. Quem venceu a luta foi a comunidade grega unida ao redor de Atenas e o poder dos deuses que nela convivem e lhe dão proteção! Por outro lado, nenhuma palavra de desdém é pronunciada em relação aos vencidos. A aparição da Sombra de Dario traz luz sobre a desmedida que tomou o espírito jovem e despreparado de Xerxes, conduzindo- o à cegueira que o fez cruzar o estreito de Bósforo, razão de sua soberba e arrogância.

“Aprender a conhecer através da dor”, no pensar de Lesky, “é o caminho que Xerxes palmilha no “Os Persas””.

 

Comentários

  1. seg 12th nov 2018 at 18:38

    Mais uma vez o amigo nos brinda com a leitura de um excelente ensaio. Desta vez, a história narrada se passa na Pérsia e na antiga Grécia. Mas poderia ser a tragédia da humanidade de agora, cega e presa na soberba, na prepotência, na arrogância e na crueldade. A realidade que vivenciamos hoje e que viveremos amanhã já prenuncia a proximidade da tragédia. O Xerxes, cego, arrotante, tolo, despreparado e temerário, deste País, tem nome italiano.

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  2. Antonio Luiz Pessin
    seg 26th nov 2018 at 13:52

    Não concordo com sua visão de que “necessariamente” estejamos (a humanidade) elegendo xenófobos ou mixógenos. Me parece que tentamos consertar o defeito principal da democracia: o fato de ser um regime de minorias. Para pararmos de reclamar de nossos governantes é preciso primeiramente participar ativamente. Quer na escolha, ou nos debates. No final, em não participarmos, aceitamos que a “minoria” determine quem nos governará. Dessa maneira, quaisquer rótulos, para o bem e para o mal, serão exagerados, na medida em que uma pequena parte das 7 bilhões de almas daqui desse planetinha, determina o que dizer ou o que pensar.
    Outra coisa: Achei exagerado o número de 1.000.000 de soldados persas, já que a população “mundial” da época, não passava de 100.000.000.

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    • Carlos Russo Jr  –  dom 02nd dez 2018 at 15:58

      Os dados relativos ao conjunto dos exércitos imperiais que atacaram os gregos são reportados tanto por Heródoto quanto por Tulcídedes como sendo da ordem de 1 milhão de guerreiros.

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