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11 julho 2018 por Publicado em: ensaio 4 comentários

Março de 1940, tropas alemãs atravessaram a Dinamarca e derrotaram as unidades anglo-franco-norueguesas que defendiam a Noruega. Maio, as divisões Panzers alemãs invadiram Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Junho, foi a vez do drama de Dunquerque. Em 6 de julho, as tropas francesas evaporaram. No dia 14 de julho, como prometera um ano antes Hitler, as tropas alemãs entraram em Paris sem encontrar qualquer resistência.

O velho Marechal Pétain negociou um armistício com os nazistas. Um governo fantoche estabeleceu-se em Vichy, e uma fronteira foi erguida entre a parcela da França ocupada militarmente, que, logicamente, incluía Paris e o “novo Estado provisório”. Em  9 de julho, a Assembleia Nacional Francesa, transportada para Vichy, decidiu por 468 votos contra 80, dar poderes a Pétain para promulgar uma nova constituição protofascista.

A palavra colaboracionismo deriva do francês “collaborationniste”. O interessante é o fato histórico de ter sido introduzida pelo próprio Pétain no linguajar político. Em discurso radiofônico pronunciado em outubro de 1940, ele exortou os franceses a colaborarem com o invasor nazista. Desde então, a palavra significou uma forma de traição de cidadãos de um país ocupado por inimigos. A atitude oposta ao colaboracionismo — a luta contra o opressor — passou a ser representada historicamente pelos movimentos de resistência ao invasor.

Se a colaboração com o nazismo foi um fator de desagregação nacional, ela partiu sempre uma decisão individual e, nunca, de uma posição de classe social. Entretanto, o escritor católico François Mauriac, Nobel de Literatura de 1952, escreveu em 1943 que “apenas a classe operária ficara fiel à pátria”.

Na França ocupada as delações aconteciam todo o tempo. Simone de Beauvoir conta alguns casos por ela vivenciados como, por exemplo, o de Bella, “a tcheca que vivia com o pintor Jausion, que foi presa pela Gestapo denunciada pelo futuro sogro” e jogada para morrer num campo de concentração. Fernando Gerassi, que lutara na Espanha Republicana e residia na França, foi denunciado pelo famoso pintor russo simbolista, Nicolas de Stael ( hoje seus quadros alcançam somas superiores a um milhão de dólares); Stael vivia em Montparnasse e agia como provocador à soldo da polícia. Em depressão, suicidou-se em 1955.

A polícia francesa, chamada Milícia de Vichy, comandada pelo francês Joseph Darnand, ao qual foi dada a insígnia de SS, fez muito mais pela Gestapo do que a Gestapo esperava dela e com muito mais zelo que qualquer alemão.

Em 1952, Sartre escreveu “somos meio abortos, meias-porções, meio animais. Só o que podemos fazer é trabalhar para que os que vierem depois de nós não se pareçam conosco”.

Antes mesmo que determinados fatos fossem conhecidos, já era aparente, sem dúvida, que a maioria dos policiais, dos funcionários públicos franceses, havia zelosa e alegremente perseguido judeus, promovido infiltrações nos grupos de resistência, feito fortunas graças a subornos e gratificações oferecidas por agentes de Hitler.

Como conta Gilles Perrault em Lire, n. 141, publicada em 1987: “No final de 1943, para cada agente da Abwehr ou da Gestapo estacionado em Paris havia entre quarenta e cinquenta agentes franceses. Foram eles que assestaram os golpes mais duros na Resistência… Nenhuma profissão, nenhum corpo do Estado foi poupado”.

 

Enquanto isso ocorria em Vichy, ao contrário do que se possa pensar, para a maioria dos burgueses que viviam em Paris a ocupação nazista, que durou quatro anos (1940 /1944), não foi tão má quanto poderia parecer, afirma Gerassi, o biógrafo mais importante de Sartre.

O metrô funcionava bem, os teatros faziam sucesso, os bares e os restaurantes viviam cheios. É bem verdade que o café não era mais o mesmo, que a bebida tinha uma qualidade discutível, que a suástica drapejava sobre as Tulherias, sobre a Câmara dos Deputados e sobre o Palácio de Luxemburgo. Também é verdade que a tropa alemã descia diariamente os Champs-Élysées, sempre ao meio-dia e meia, marchando a passo de ganso; que a Torre Eiffel amanhecera, num dia de verão de 1940, adornada com um V gigantesco, acompanhado por um cartaz que dizia: “Deutschland siegt auf Allen Fronten”, ou “A Alemanha vence em todas as frentes”.

Ainda assim, as elites e as classes médias altas comiam muito bem, graças tanto às ligações mantidas ente a cidade e o campo, quanto ao mercado negro, tolerado e mancomunado com a autoridade de ocupação.

Em Paris, a “Festa Continuou”, diz Riding, em referência ao círculo intelectual e artístico daquela cidade então considerada a capital cultural do mundo. A rigor, não houve nada no mundo do entretenimento e das artes de Paris que tenha sofrido durante a ocupação; a festa simplesmente seguira adiante. Os cinemas, por exemplo, viviam cheios, pese o banimento das películas norte-americanas e do jazz, porque, de acordo com um jornal colaboracionista, tinham um sabor “negro-judeu”.

A grande maioria dos artistas e dos intelectuais, simplesmente continuou sua vida normal, tentando ganhar o pão de cada dia, como se os alemães não existissem. A divisão clássica sobre a conduta dos franceses durante os anos da ocupação, entre heroísmo e covardia, que permanece em romances e filmes, a começar pelo inevitável “Casablanca” é pura ficção. De um lado estariam os cidadãos decentes e patriotas, que optaram pela Resistência e vão combater o invasor na clandestinidade; de outro ficariam os colaboradores ou traidores, que continuam levando sua vida de sempre, convivendo em paz com o ocupante e ajudando-o a governar. Riding, entretanto, assim como Gerassi, recusam-se a aceitar essa divisão. Seus livros revisitam a vida real da gente real na Paris ocupada – e aí entramos numa zona de sombra onde é inútil procurar respostas em preto e branco.

Por outro lado, num país onde os intelectuais e artistas eram reverenciados como “entes superiores”, e no qual a população era educada para reverenciar suas teorias e atitudes, o mundo cultural teve maiores responsabilidades pelo colaboracionismo com o nazismo, graças a essa influência.

Alguns cantores como Maurice Chevalier e Édith Piaf  realizaram tournées musicais nos campos de prisioneiros de guerra franceses, com cachês pagos pelos nazistas, fornecendo propaganda do “bom tratamento” dado a eles pelos carcereiros. Escritores como Céline colaboraram ativamente na França e na Itália fascista. As atrizes Danielle Darrieux e Viviane Romance esqueciam as barbáries praticadas pelos nazistas enquanto realizavam turismo através da pátria do nacional- socialismo hitlerista.

Coco Chanel vivia em sua suíte no Ritz com um alto oficial alemão e encantara-se com os valores raciais nazistas.

Le Corbusier, canonizado em vida como modernista por arquitetos do mundo inteiro no pós-guerra, inclusive no Brasil, dado que foi um dos inspiradores da cidade de Brasília, grudou nas autoridades de ocupação em busca de verbas para seus projetos; afirmou, tentando agradar ao governo de ocupação, que “a sede dos judeus por dinheiro havia corrompido o país”.

O esperto André Gide disse: “Prefiro não escrever nada hoje, que possa me deixar arrependido amanhã”, o autor que ganharia o Nobel em 1947. Picasso optou por permanecer em Paris durante a ocupação, vendendo discretamente seus quadros, e recusou-se, por covardia, a assinar uma petição pela liberdade de um amigo, o poeta Max Jacob, preso pela Gestapo – documento que até mesmo colaboracionistas assinaram. Jacob morreu no infame campo de concentração de Drancy.

O editor Bernard Grasset, o primeiro a editar Proust em 1913, chegou quase a implorar a Joseph Goebbels o direito de publicar na França a “obra magistral” do sumo sacerdote da propaganda nazista.

Sacha Guitry, ator e cineasta de renome no pós-guerra, tornou-se íntimo do embaixador do III Reich, Otto Abetz; Tino Rossi, um dos melhores tenores de sua época, interpretou na Ópera de Paris para a alta oficialidade das tropas de ocupação.

Os escritores Drieu de La Rochelle e Robert Brasillack viajaram a Nuremberg para aplaudirem Goebbels. Os artistas plásticos Derain, Vlaminck e Maillot cruzaram o Reno para receberem medalhas por seus trabalhos, outorgadas pelos invasores da França.

Gallimard, o editor de Sartre, nomeou Drieu de La Rochele editor da prestigiada revista Nouvelle Revue Française, a qual editou traduções de escritores nazistas. É verdade que se livrou de editar Les Décombres, um lixo literário de exaltação aos “heróis do nazismo”, escrito por Lucien Rabanet, que terminou publicada por Denoel.

Em 1941, nada menos que duas mil obras e mais de oitocentos e cinquenta escritores haviam sido banidos e todos os editores, com exceção de Emile-Paul, o aprovaram. O Presidente da Associação dos Editores Franceses, René Philippon disse “que essas disposições (listas de proibições), não criam grande problema para a atividade editorial, pelo contrário, possibilitam o desenvolvimento do pensamento autenticamente francês… e estimulam a união dos povos.”

 

Por outro lado, muitos intelectuais foram mortos, por se negarem a colaborar ou por participar na resistência armada ou política contra o inimigo invasor e o nazi fascismo. Do grupo mais próximo da “Academia”, podemos citar o filósofo Georges Politzer, que foi preso e torturado até a morte pela Gestapo; o também filósofo Jean Cavaillés, líder dos maquis, preso, torturado e carregado para o fuzilamento; Yvone Picard e Antoine Bourla ambos alunos do Lycée Pasteur, mortos num campo de concentração; Alfredo Peron, preso pela polícia francesa, morreu sob tortura nas mãos da Gestapo. O célebre comboio de janeiro de 1943 levou para Auschwitz resistentes franceses (judeus, não-judeus e comunistas na sua maioria) entre os quais viúvas de fuzilados como Maï Politzer, esposa de Georges Politzer, Hélène Solomon, filha do grande sábio Paul Langevin e mulher do escritor Jacques Solomon.

Sartre juntamente com Merleau- Ponty, Simone e alguns amigos e alunos, formou um pequeno grupo de “resistência intelectual” e o batizaram de “Socialismo e Liberdade”. Seu local de encontros e trabalho predileto era o Café de Flore. Entretanto, o grupo esvaziou-se rapidamente por não conseguir agrupar outros intelectuais a suas ideias e pelo medo disseminado.

Lettres Françaises, revista fundada em 1942/1943 pelo comunista Claude Lecomte, foi o órgão de imprensa dos escritores resistentes ao nazismo. A revista obteve enorme repercussão com edição de vinte mil exemplares mensais antes da libertação e duzentos mil, seis meses após.  Lecomte convidou Sartre a contribuir e em um de seus artigos ele escreveu: “Para aqueles que transportaram mensagens, cujos conteúdos ignoravam, bem como todos os que partiram para o combate, o mesmo destino: prisão, deportação, morte. Em nenhum Exército nunca existiu tamanha igualdade de riscos tanto para o soldado quanto para o generalíssimo”.

Para heróis como eles, assim como para o comandante partisan Jean Moullin, e milhares de outros, talvez possamos parafrasear o filósofo que disse que “o segredo de cada ser humano é o limite de sua liberdade, sua capacidade de resistir à dor e à morte”.

O “Comitê Nacional dos Escritores”, associado à Lettres Françaises, também patrocinado pelos comunistas, transformou-se num instrumento importante de resistência da França ocupada.

A revista Combat, porta-voz da Resistência, foi fundada em 1942 e dirigida por Camus. Nela, Sartre, Beauvoir e Camus atuaram em conjunto. A gráfica da revista somente caiu quando um membro do grupo, sob tortura, a abriu antes de ser assassinado, menos um mês antes da libertação de Paris, em 1944. Mas o “maquis” foi informado e Camus conseguiu com que todos se evadissem.

Jean Guehenno e Jean Bruller passaram a escrever na clandestinidade fundando as clandestinas Editions de Minuit.

Sem entrarem para a resistência,  dezenas de  artistas e intelectuais se recusaram a trabalhar na França ocupada. Foi, por exemplo, o caso do indignado Jean Renoir, diretor de obras-primas como “A Regra do Jogo”, que preferiu se refugiar nos Estados Unidos a filmar na França, no que foi seguido pelos seus colegas René Clair, Max Ophalus e Duvivier, assim como pelos atores Michele Morgan, Aumont e Dalio.

 

Ao final da guerra, calculou-se que sessenta mil franceses foram deportados para campos de concentração dos quais jamais retornaram. Além desses, mais de trinta mil homens, mulheres e até mesmo crianças foram fuzilados, ou morreram na forca ou sob a tortura.

Depois da Libertação, a Comissão encarregada de investigar a Colaboração ao Invasor Nazista descobriu que a podridão chegava tão alta e estava tão disseminada que recebeu ordens para fechar todos os casos, com base no argumento, no mínimo discutível, de que o moral da nação, já bastante abalado, não resistiria ao choque de revelações tão abrangentes. O digno Comissário Clos, o chefe das investigações, exclamou: “Mas trata-se de um câncer generalizado!” O governo era exercido pelo General de Gaule. Até hoje não se sabe de quem partiu a ordem para o sumiço dos arquivos das Milícias que jamais foram revelados.

Em agosto de 1944 a França estava livre dos invasores nazistas. Depois de algum tempo, a maioria dos franceses começou a se esquecer dos tempos malditos. Os “salauds” (bastardos) se apressaram em ocupar de volta seus lugares: assentos na burocracia do Estado e a emitir as mesmas ordens que davam cinco anos antes.

Vieram, então, as guerras coloniais da Indochina (1945) e da Argélia (1954), em que o Exército Francês tornou-se ele o invasor, seus corpos de elite disseminaram o terror e a tortura.

Novas traições aos ideais de humanidade que as mentes lúcidas jamais perdoariam. Sartre foi uma dessas consciências. Importante nos dias de hoje é revisitarmos a sua definição de fascismo: “os fascistas modernos são todos aqueles que usam o seu poder, ou que assim o usariam se o tivessem, para silenciar a dissensão, o contraditório, em favor de seu lucro ou de sua glória pessoal”. Por esse motivo ele, a “consciência odiada de seu século”, enxergava fascistas em todos os Partidos e instituições políticas e em todos os países, como nos EUA, na União Soviética, na China, e, sem dúvida, na França.

Comentários

  1. Damião
    qua 11th jul 2018 at 23:47

    Excelente texto! Informativo e analítico, coloca questões que, mutatis mutandi, são de grande atualidade. E foi muito nem escrito. Parabéns ao autor.

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  2. Renato Martinelli
    qui 12th jul 2018 at 11:48

    A história não escrita, escamoteada pelos colaboradores de todas as ordens e classes sociais. Um vergonhoso e comprometedor pacto de silêncio , construído na sombra da covardia oportunista e envergonhada.
    Mais um belo trabalho caro Russo, um antecedente histórico a nos demonstrar como agem os traidores e colaboracionistas através da história.
    A pensar que a história se repete de maneira mais comum do que podemos imaginar; basta olharmos para a resistência contra a ditadura civil-militar implementada em 1º de abril de 1964.
    Os fatos narrados só nos faz admirar, ainda mais, os verdadeiros heróis das resistências ocorridas através da história da humanidades, com tão bem realça o caro autor..
    Minhas congratulações. por mais esse belo trabalho.

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  3. Antonio Abraços
    sex 13th jul 2018 at 2:03

    Belo artigo. Dá nojo sabermos que muitos franceses colaboraram e aceitaram a invasão de Hitler, o idiota e miserável ditador sanguinário.

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  4. Silvio Tendler
    sáb 14th jul 2018 at 9:04

    Brilhante artigo. Quando jovem assisti “Chantons sous l’occupation” e li um livro sobre os escritores ‘colaboracionista”.
    Entrevistei o cineasta resistente René Vautier e o nosso Apolônio de Carvalho.
    Alguns “collabos”foram julgados e punidos com o citado no artigo Brasillach foi fuzilado. Gostaria de sabe mais.
    Parabéns pelo artigo
    Silvio Tendler

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