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08 maio 2018 por Publicado em: ensaio 3 comentários

Nas sociedades democráticas contemporâneas a liberdade foi perdida em meio a um sistema que deixou de representar os anseios dos cidadãos, tornando a convivência humana fundada na igualdade política impossível.

Como decorrência, alijado das decisões políticas e sem espaços para o exercício da liberdade, a população tornou-se desinteressada da coisa pública e seu único Espaço Público reduziu-se à uma urna eleitoral eletrônica e o “Ser Cidadão” foi transformado em mero eleitor digital.

Até mesmo o espaço público-privado do dia a dia, do trabalho, da escola, da vida comunitária é tão somente formalmente público, dado que dele não mais fazem parte os discursos, as ações comuns, o contato e a proximidade entre cidadãos, enfim, aboliu-se em todos eles a fraternidade. Pelo contrário, as ruas, as fábricas, os shoppings, são espaços consagrados ao isolamento: um espaço que os indivíduos ocupam solitariamente, mas não o compartilham entre si!

Os arautos do neoliberalismo recitam uma cartilha que busca abolir o coletivo até mesmo na produção capitalista. Inventam o empreendedorismo como um esparadrapo mal arranjado para uma doença criada pela alta tecnologia: o antigo exército industrial de reserva foi substituído pelos desocupados sem perspectiva de empregabilidade.

Logo, as pessoas, no contexto em que vivemos, abdicam da identidade própria e como, salvo raras exceções, não são integradas em nenhuma organização fundada no interesse comum, quer seja em partidos políticos, esferas de governança, organizações profissionais ou sindicatos, transformam-se em “massa”, o sentido contemporâneo do vulgo spinoziano.

A ruína do sistema partidário como representante de interesses antagônicos se deu quando as diferenças entre as antigas classes sociais desapareceram no surgimento das “massas”.

Agora não é mais necessário manietar ou fazer calar a massa pois ela já é destituída de referenciais políticos ou de classe, ocupada exclusivamente com o consumo e com a sobrevivência. Neutras e indiferentes, “as massas” surgem numa sociedade de classes absolutamente hierarquizada, que permite a ascensão e a participação nos partidos, nos sindicatos e nas organizações políticas apenas para pequena minoria privilegiada.

Nas democracias contemporâneas, o homem comum é alijado da capacidade do pensar, a existência é também transformada em “objeto” e em consumo. Sendo também excluído do direito a atuar coletivamente, a liberdade política significa participar de algum nível de governo ou não significa nada!

“O fato é que uma sociedade de consumo não pode absolutamente saber como cuidar de um mundo e das coisas que não pertencem de modo exclusivo ao espaço das aparências mundanas, visto que sua atitude central ante todos os objetos, a atitude do consumo, condena à ruína tudo o que toca.” (H.Arendt)

Chegamos, então, às sociedades de consumo em que a prática permanente da violência dentro da própria “massa”  e do poder público contra “a massa” tornou-se corriqueira. O Brasil é um dos mais claros exemplos, pois a quantidade de assassinatos  e da violência praticada nos assemelham a sociedades sob guerra civil aberta, parte de um cotidiano.

Por isso, em sociedades como a nossa, o crime, o tráfico, a impunidade, tanto para os agentes públicos quanto para aqueles que habitam o andar superior da pirâmide social, passaram a constituir um conjunto estruturado de fatores que permitem que os governos, os políticos e os lobistas permaneçam com as mãos livres para os desmandos e para a corrupção.

A ausência do Estado junto à camada marginalizada da sociedade fomenta a criação de milícias paramilitares, de grupos de “justiceiros”, do narcotráfico.

São movimentos todos que convergem. Enquanto os indivíduos mantêm-se em hostilidade recíproca, são hostilizados e abandonam o espaço público, os governos e a política deixam de ser os focos de reivindicações para que “o novo” possa ser gerado.

Surgem, então, os muros, as grades, cercas, o negócio bilionário da segurança pessoal, os shoppings centers fechados e exclusivistas, os guetos do bem estar e do consumo onde são decididos os destinos dos milhões de excluídos.

A banalidade do mal numa sociedade como a nossa não se reduz a matar, a torturar, a manter o segundo maior volume de prisioneiros do mundo amontoados em masmorras medievais, mas, principalmente, traduz-se na exclusão social, que por sua vez, reforça a violência e enceta o isolamento.

Ao fim e ao cabo, a exclusão é a principal criadora das “massas” que não pensam e só votam, e elas assim o são, pois lhes foi negada as capacidades de refletir.

A irreflexão ocorre por parte daqueles que se ocupam das coisas do mundo e nunca param para pensar. Catão, o romano, dizia com sabedoria: “nunca um homem está mais ativo que quando nada faz, nunca está menos só do que quando está consigo mesmo. Isso o faz refletir”.

O problema da irreflexão é que aqueles que se conduzem por códigos e regras são os primeiros a aderir e a obedecer. O nazismo, os autoritarismos e as tiranias, que sempre buscam se implantar na humanidade, substituem o não matarás pelo matarás.

Aquele que não pensa possui um eu que não fundou raízes, é um ninguém. Seres humanos que se recusam a serem pessoas. No entender de Jaspers, ser ninguém é pior que ser mau; esse ser ninguém se revela inadequado para o relacionamento com os outros, porque os bons e os maus são, no mínimo, pessoas. É isto que faz da banalidade do mal o pior dos males: espalha-se rapidamente sem necessidade de qualquer ideologia.

Nenhum talento pode suportar a perda da integridade que experimentamos quando perdemos a capacidade comum de pensar, de lembrar e nos emaranhamos no navegar do acovardamento.

Finalmente, o não pensar se torna um problema social em momentos de crise, quando os antigos padrões e códigos de conduta e ética caíram por terra. É quando aqueles que não pensam se deixam levar pelas novas regras que terminam sendo ditadas por bandidos movidos por ideologias, ideologias que espelham que mundo deveria ser segundo eles próprios, um mundo criminoso.

Em momentos de crise, é necessário mais que nunca discernir-se o certo do errado. Por isso mesmo “aqueles que pensam, precisam aparecer para julgar os acontecimentos políticos nos momentos de crise”.

A História sempre demonstrou ser prenhe de pessoas que, mesmo sob condições do terror mais extremo, são capazes de resistir, julgando o que é certo e o que é errado, e agirem de acordo com suas consciências. Seremos capazes?

Comentários

  1. Marcelo Mário de Melo
    ter 08th maio 2018 at 18:05

    DISTANCIÁPOLIS
    Marcelo Mário de Melo

    Distanciápolis é um país especial que você visita sem precisar viajar, cruzar fronteiras, devorar estradas, singrar mares, voar nos espaços. Também não é necessário fazer despesa com hospedagem e manutenção. No seu dia-a-dia de sempre, e sem sentir, você pode estar permanentemente presente em Distanciápolis. Um grande contingente humano já vive assim. A marca distintiva de Distanciápolis é exatamente esta. As pessoas que o povoam não têm consciência da sua condição de habitantes.
    A migração para Distanciápolis é lenta. Pouco a pouco vamos cortando a percepção das coisas e das pessoas próximas – principalmente das pessoas – e mergulhando nas ondas vazias do outro país, transportados a uma redoma em que as coisas que vêm dos outros não nos afetam. E quanto mais nos anestesiamos, mais mergulhamos nessa nova dimensão. No início damos só umas fugidinhas de fim de semana ou de férias. Depois as viagens ficam mais frequentes e passamos a viver a maior parte do tempo fora, nos territórios de Distanciápolis.
    Há uma grande diferença entre o método brechtiano do distanciamento e a atitude mental da migração a Distanciápolis. Brecht propunha o distanciamento como uma espécie de recuo para se divisar melhor o conjunto da situação, assim como alguém que se põe num ponto mais alto para olhar a paisagem e ter uma melhor noção do conjunto. O resultado final do método brechtiano é provocar nas platéias a consciência crítica ante as engrenagens da dominação social e política.
    A passagem a Distanciápolis é diferente na essência. É lenta, leve, sibilina, insidiosa, imperceptível, hipnótica e anestésica. É névoa envolvente que obscurece a vista e enovela a mente. É fio d’água que vai formando um rio sem que se o perceba. O habitante de Distanciápolis vê as coisas passando na sua vida como quem está alheio numa conversa, a cabeça voando noutras paragens. Ou como alguém que entra num salão com a orquestra tocando, liga o seu walkman, coloca os fones nos ouvidos e passa a dançar solitário em outro ritmo, ignorando os circunstantes..
    Muitos caminhos conduzem a Distanciápolis. A convivência comezinha. O excesso de trabalho. A rotina sufocante. Os grupos tirânicos. A falta de lazer e de amigos. A fuga de si. O medo das coisas novas. A roleta do imediatismo. A insolidariedade. O isolamento em torres. A humanofobia e assemelhados.
    É preciso encontrar os caminhos para trazer à convivência normóide aqueles que se evadiram para Distanciápolis em nuvens de alheamento. Uma tarefa difícil, porque, como o câncer, na maioria dos casos, só se descobre a doença quando ela já está num grau avançado. Daí a necessidade de uma política de prevenção, que identifique os riscos e os indícios e exerça uma ação profilática.
    O desafio é muito grande, porque as engrenagens da vida atual só favorecem os fluxos migratórios para Distanciápolis. E mesmo que não se trate de um mal de identificação recente, ainda são limitados os conhecimentos acerca dele. Por tudo isto, muito cuidado. Você já pode ser um habitante cadastrado de Distanciápolis, sem o saber. É bom conferir.

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    • Isabel de Sena  –  sex 11th maio 2018 at 22:40

      Excelente comentário. Como um filme de ficção científica, só que não é mais ficção, é mesmo assim.

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  2. qua 09th maio 2018 at 20:59

    Tom Zé dizia, numa velha canção sobre a cidade de SP, “aglomerada solidão”. Pode-se dizer que as solidões se aglomeraram ainda mais e que não se trata apenas de São Paulo, porque hoje em dia mesmo as cidades do interior parecem subúrbios de uma megalópole mundial sem limites em que o único papel reservado ao ser humano é o de consumir, admirar gente blindada e lutar para estar no topo com as botas sobre a cabeça de alguém. Somos pródigos criadores de desertos, na Natureza e na Humanidade.Estamos sozinhos, não gostamos de estar sozinhos, mas não gostamos da companhia dos outros solitários tampouco. Ninguéns tentando comunicação com outros ninguéns. A passagem para a ação verdadeira, solidária, foi obstruída por milhares de senões mesquinhos do cotidiano.
    Gostei do texto e compartilho no meu facebook.

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