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12 janeiro 2018 por Publicado em: ensaio 5 comentários

Antes de iniciarmos a resenha das imagens de Benjamin, vamos traçar algumas linhas sobre o jovem filósofo que visitou Moscou dois anos após a morte de Lênin, no decurso das contradições vivenciadas pelo desenvolvimento da Nova Política Econômica leninista (N.E.P.), a qual substituíra o comunismo de guerra dos anos 1917/ 1921, e que antecederia ao coletivismo e à re-estatização forçada dos meios de produção e comercialização da era de Stalin (a partir de 1928).

Para aqueles que classificam as diferentes filosofias da história de acordo com seu caráter progressista ou conservador, Benjamin escapa a tais definições. Trata-se de um crítico revolucionário da filosofia do progresso, um adversário marxista do “progressismo”, para alguns, um nostálgico do passado que sonha com o futuro.

A filosofia da história de Walter Benjamin inspira-se tanto no romantismo alemão, quanto no messianismo judeu e, principalmente, no marxismo. Seu objetivo teórico foi o de radicalizar a oposição entre a análise marxista e as filosofias burguesas da história, na medida em que considerava as filosofias responsáveis pelo historicismo identificadas com as classes dominantes, em detrimento do ponto de vista dos vencidos. Logo, os conceitos de vencido e vencedor só podem ser entendidos dentro do contexto da luta de classes.

Desse modo, o materialismo histórico de Benjamin substituiu a ideologia de progresso preconizada pelo materialismo histórico mecanicista, pois sua visão atacava a concepção de evolução automática e contínua da civilização. Rejeitando o culto moderno da deusa Progresso, Benjamin coloca no centro da filosofia da história o conceito da Catástrofe: “A catástrofe é o Progresso, o progresso é a catástrofe. A Catástrofe é o contínuo da história”.

Seu pessimismo em relação às catástrofes geradas pelo otimismo sem consequências da ideologia do progresso se demonstraram absolutamente justificáveis e até mesmo proféticas, tendo-se em vista os desastres ocorridos no século XX e a sequencia dos mesmos no século XXI..

E será através das lentes deste marxista hetrodóxo que visitaremos a Capital dos Sovietes.

Moscou, 1926.

A visita durou de princípios de dezembro de 1926 até fevereiro de 1927, e foi repleta de expectativas pessoais, filosóficas, políticas e literárias. Benjamin queria conhecer a Pátria do Socialismo por dentro e de perto.

Vamos a alguns de seus relatos:

  1. Moscou hibernal é uma cidade silenciosa. A enorme movimentação de suas ruas, onde mal se consegue caminhar sem empurrar ou encolher-se, é silenciosa. Ao contrário de Berlim, em Moscou existem poucos automóveis que são mobilizados somente em matrimônios, falecimentos e pela apressada administração pública. Abundam, em compensação, os cavaleiros e os trenós. A cidade é rigorosamente limpa.
  2. A variedade do comércio ambulante o impressionou. As mercadorias irrompem por todas as partes das casas, penduradas em cercas, jazem no calçamento. A cada cinquenta metros, vendedoras de doces, cigarros, frutas. Outros com cestos cheios de brinquedos de madeira, carrinhos e pás, todos amarelos ou vermelhos, muito bem feitos, sólidos, de clara origem camponesa. Artigos de primeira necessidade, roupas íntimas, tudo se vende e compra, recordando uma cidade como Nápoles. Mas aqui, em plena rua abaixo dos 25 graus negativos!
  3. Vendem-se bolos ainda quentes, rodelas de linguiça frita, mas tudo em silêncio! Aqui, ao contrário de Nápoles, não se grita. As pessoas se dirigem aos transeuntes com palavras sóbrias, senão sussurradas, nas quais existe a humildade do pedinte. Como o comércio ambulante é em parte ilegal, ele evita qualquer sensacionalismo.
  4. No panorama das ruas de todos os bairros proletários as crianças são muito Elas aqui são mais numerosas que o usual, se deslocam convictas de seu destino e são muito ocupadas. Entre as mesmas existe uma hierarquia comunista. Os konzomoltses , por serem mais velhos, estão no topo. Têm seus clubes e são a verdadeira descendência instruída do Partido. Os menores, lá pelos seis anos, são pioneiros. Também se reúnem em clubes, usam gravatas vermelhas com o emblema “somos de outubro”, e, finalmente, os lobos, crianças pequenas que já aprenderam a assinalar a figura de Lenin.
  5. Além dessas crianças, existem os besprizornie, decaídos e tristes, desconfiados e amargurados, os sem nome. Durante o dia são vistos solitários, na própria guerra pela sobrevivência. À noite se reúnem em bandos e aos turistas se recomenda se precaver de encontra-los. O Estado instala por toda parte áreas de reeducação infantil e nomeia educadoras para que se aproximem dos garotos e organizem distribuição de alimentos e jogos. Métodos pedagógicos tradicionais não poderiam dar certo com essas crianças. É necessário que a instrutora se ligue às senhas da rua e quando o consegue, a área sob sua responsabilidade pode chegar a congregar até 200 crianças! E como o orgulho do proletariado se faz sentir com cada besprizornie agrupado a uma coletividade!
  6. Numa ronda de estudos por museus moscovitas nada surpreende mais agradavelmente que observar como nessas salas, em grupos, muitas vezes com guias, crianças, jovens e operários se movem com toda naturalidade. Na Rússia, na realidade, o proletariado começou a se apossar da arte burguesa. Ademais de Museus de Arte, existe o Politécnico, o do Brinquedo. Como sabiamente diz Proust, a educação não é fomentada exatamente por obras-primas.
  7. A mendicância aqui não é agressiva como na Europa meridional. Aqui existe como que uma corporação de moribundos. As esquinas de muitos bairros estão tomadas por embrulhos de fardos, camas ao ar livre. Longos discursos suplicantes acompanham os transeuntes. Moscou seria preciso conhecê-la como a conhecem estes mendigos! Sabem de que lado de uma loja lhes é permitido se aquecerem por dez minutos, sabem onde e quando irem buscar pães e onde existem abrigos com vagas para se amontoarem. Com centenas de esquemas e variantes, os mendigos aqui transformaram a mendicância numa arte. Acontece que na União Soviética a mendicância perdeu seu fundamento mais forte: a má consciência social, que mais que a compaixão abre os bolsos.
  8. Existe uma vontade inexaurível de experimentar. Poucas coisas definem a URSS com mais vigor. Ocorre um estado de mobilização incondicional. Dia e noite o País está mobilizado e à frente de tudo o Partido. Por exemplo, o atual diretor do Teatro da Revolução foi outrora general; mas antes de se tornar um comandante vitorioso, fora crítico literário! Outro, o porteiro do hotel em que Walter se hospedara. Até 1924 esteve no Kremlin, foi então acometido de forte dor ciática. O Partido enviou-o à Crimeia para repouso e aos melhores médicos. Ao retornar necessitava de uma posição aquecida e que não demandasse muitos movimentos. Enviaram-no como porteiro do hotel, e se melhorasse, retornaria ao Kremlin.
  9. Oposição como se define no Ocidente já não existe. Ou ela contraiu algum compromisso com os bolcheviques ou foi exterminada. Fora do Partido já não se admite política.
  10. O bolchevismo aboliu a vida privada. A natureza dos serviços públicos, a atividade política, sindical, coletiva, e a imprensa, são tão poderosas que não sobra tempo para interesses que não confluam com elas. Tão pouco espaço. Casas com seus cinco a oito cômodos que antes abrigavam uma família, abrigam sete, oito famílias inteiras. De dentro de casa as pessoas suportam a existência, pois devido ao seu estilo de vida, alhearam-se a ela. Seu tempo fora do trabalho é o clube, a rua, as reuniões. Os dias dos moscovitas são repletos de atividades. Reuniões e comissões são marcadas a todas as horas nas fábricas, nos clubes, como se o conjunto social as esboçasse, planejasse e convocasse.
  11. Pela moradia paga-se de acordo com o salário. Toda a propriedade é estatizada. Quem pode paga 1 rublo por mês; os mais abastados, até 60.
  12. O trabalhador sindicalizado tem toda a cobertura possível para assuntos de saúde sem gastar um centavo. Já o não sindicalizado pode ir mendigar e se degenerar na miséria se, como membro da nova pequena burguesia (fruto da N.P.E.), não estiver em condições de pagar até milhares de rubros por tratamentos mais sofisticados.
  13. “Tempo é dinheiro”, esta frase é atribuída a Lênin e ela é absolutamente genial, pois o espírito dos russos é dispersivo, perdem tempo com tudo, discutem por tudo. A unidade de tempo perante qualquer pedido é “imediatamente”. Acontece que o imediato aqui nada significa, pois geralmente nada acontece. O raro de ouvir-se é um “não”, o que não significa que o solicitado seja possível. As coisas terminam indeferidas por decurso de prazo.
  14. Sob o capitalismo, poder e dinheiro são grandezas mensuráveis. Qualquer quantidade de dinheiro pode ser convertida numa quantidade mensurável de poder. Nesse sentido só se pode falar em corrupção quando esse fenômeno se torna excessivamente manuseado. O Estado soviético interrompeu esta comunicação entre dinheiro e poder. O Partido reserva o poder para si; o dinheiro deixa, por enquanto, para o homem da N.E.P. . Aos membros do Partido Comunista assegura-se o mínimo dos mínimos para a existência, e fixa, para os escalões mais altos um máximo 250 rublos mensais. Acima disto, somente com uma atividade extra, além do horário de trabalho, por exemplo, a literária. Neste sentido, a Rússia de hoje não é um Estado de classes, mas de castas. O valor do cidadão é definido exclusivamente pela sua relação com o Partido. Para aqueles não filiados, desde que não reneguem o Partido, abrem-se alternativas laborais. Mas um homem da N.E.P., aquele que se desenvolve como pequena burguesia, este é condenado ao ostracismo social.
  15. Todos os russos se unem na edificação do trabalho nacional. Uma vida isolada de eventos, mas repleta de perspectivas, todos buscam fatias de poder. Se um dia, a correlação dinheiro e poder voltar a se implantar na Rússia, tudo estará perdido, o Estado ruirá e ficará nas mãos daqueles que saberão realizar o câmbio negro do poder.
  16. O Partido se propõe equacionar o nível de consumo do povo russo ao de toda a Europa. Conseguirá? Este será o seu inconteste certificado de vitória.
  17. Existem milhões e milhões de analfabetos e sobre eles deve se assentar uma educação genérica. Essa a missão essencial. Já a educação superior pré-revolucionária era europeia; e essas características europeias e nacionais da educação elementar buscam seu ajuste. No setor tecnológico, apesar dos desvios dos primeiros anos é de se supor que o sucesso estará garantido no futuro.
  18. Com relação à produção artística, é o conteúdo e não a forma que decide se ela vem a ser revolucionária ou contrarrevolucionária. O intelectual é, antes de tudo, um funcionário. Trabalha no Departamento de Censura, de Justiça, de Finanças. Quando não cai em decadência é um sócio do trabalho, o que na Rússia significa sócio do poder. Um membro da casta dominante. A associação mais avançada é a União Geral dos Escritores Proletários.
  19. Quem entra pela primeira vez numa sala de aula russa fica paralisado pela surpresa. As paredes estão tomadas por quadros, desenhos, modelos de papelão, onde as crianças depositam seus trabalhos para a comunidade. O tom vermelho prevalece e os trabalhos são impregnados pela foice e o martelo e por cabeças de Lênin. O mesmo se pode ver em clubes, empresas, sindicatos, na medida em que também para os adultos são esquemas de manifestação coletiva. Cada um dos chamados cantos de Lênin tem seu jornal mural. A ingênua alegria é uma constante e a ela se misturam exortações e propostas de melhorias dos serviços públicos.
  20. São comuns os debates pedagógicos na formatação de “debates judiciais”. Juntam-se entre 200 a 300 pessoas numa sala forrada de vermelho e no palco um busto de Lênin sobre um pedestal. No cenário, figuras de operários e camponeses sublimam a união do campo com a cidade. No palco três mesas. Numa um juiz, noutra um promotor e na outra, um defensor. De costas para o público a ré, toda de preto. A encenação julgará um caso de uma camponesa acusada de curandeirismo com desenlace fatal, uma intervenção errada na hora do parto. O perito da o seu laudo: responsável pelo falecimento da parturiente; o defensor apela por não ter havido má fé e no interior do país há falta de instrução e higiene. O promotor pede a pena de morte. No estrado surge um konsomol que exige castigo sem complacência. O tribunal se retira e ao final a acusada é condenada a 2 anos de prisão. O juiz esclarece que é necessário estabelecer em todo o interior centros de higiene e instrução. O efeito destas sessões é excepcional!  Não pode haver meio mais eficaz para mobilizar o público para questões da moral bolchevique segundo a ótica do Partido!
  21. Todos os dias alguma festa é organizada nos diferentes bairros da cidade. Além disso, Moscou é cheia de restaurantes e teatros. Sentinelas com guloseimas patrulham as ruas, muitas lojas de gêneros alimentícios só fechem à meia noite e nas esquinas se abrem salões de chá e cervejarias. Em certas tabernas pode-se além de comer, alegrar-se com músicas folclóricas ao som de cantos, violinos e acordeões.
  22. Hoje é aniversário da morte de Lênin. A maioria das pessoas carrega uma tarja preta no braço. Para os bolcheviques, o luto por Lênin é também um luto por um tempo heroico, um luto pelo comunismo de guerra. Por todos os lados encontra-se com o retrato do líder, mas o mais frequentemente exibido é o de Lênin à mesa, inclinado sobre um exemplar do Pravda representando a tensão dialética de sua existência: o olhar voltado para a distância, mas a incansável preocupação com o momento.
  23. Nesses tempos se explica a cada comunista que o trabalho revolucionário destes tempos não é mais a luta, não é o fratricídio ou a guerra civil, mas a construção de canais, a construção de pontes, a eletrificação e construção de fábricas.

Essas foram as impressões mais importantes da visita de Walter Benjamin à Moscou de 1926.

Comentários

  1. seg 15th jan 2018 at 15:42

    Parabens pela resenha,
    nao conhecia esse texto.
    bacana!

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  2. seg 15th jan 2018 at 16:48

    Achei muito oportuna e instigante a publicação do texto idealizado por Benjamin. E não deixa de lançar uma projeção sobre o que se seguiu, década após década. Obrigado, Carlos, pela seleção do material !

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  3. seg 15th jan 2018 at 19:25

    Grato Carlos pelo envio deste texto, muito oportuno pelas sensíveis observações de benjamim. A mim fica claro que economia e política não podem se misturar. Abs. Ronaldo

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  4. Luciano Lima
    seg 15th jan 2018 at 22:41

    Sua sensibilidade em nos disponibilizar pequenos detalhes da história que, por serem demasiadamente humanos, são a própria história do homem a se fazer humano, é tocante.

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  5. ter 16th jan 2018 at 17:58

    Que beleza de resenha, Russo. Em poucas palavras você nos trouxe como era a União soviética. Walter Benjamin nos leva a caminhar pela cidade e ver muito do que nela existia; com sensibilidade apurada descreve o momento político, cultural e humano daquela época. Obrigada por nos trazer esta páginas tão importantes para nossa compreensão daquele momento histórico. Um grande abraço!

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