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24 novembro 2017 por Publicado em: ensaio 2 comentários

Enquanto no final de tarde de 11 de dezembro de 1910, Noel Rosa nascia em Vila Isabel, a Lapa com seus casarões antigos e cinzentos acordava da sonolência diurna de pequenos comércios e de hotéis barato e, então seus bares, restaurantes e cabarés iluminavam aquele bairro do Rio noturno que fervilhava.

O largo da Lapa era quase intransitável, todo mundo bebendo, cantando e dançando, mesas nas calçadas, alegria, mas com todo respeito, uma beleza! Ponto de encontro obrigatório de boêmios, intelectuais e artistas, a Lapa possuía também suas Musas, as cocotes que viviam nas diversas “pensões imperiais”, como a da gorducha Madame Chouchou.

Parto difícil, Noel Rosa nasceu à base de fórceps, e como resultado teve uma atrofia do maxilar inferior, que o atormentaria toda a vida. Em 1928, termina o curso secundário no Colégio São Bento, tendo como colegas de turma de Lamartine Babo e Augusto Frederico Schmidt. Ao invés de seguir com os estudos, funda seu primeiro grupo musical, O Bando dos Tangarás.

Em 1930 foi matriculado quase que à força pela mãe na Faculdade de Medicina, que frequentou por apenas dois anos. “Prefiro ser um bom sambista a ser um mau médico”. Sua mãe se desespera com o filho e esconde suas roupas de boemia. Compõe seu primeiro grande sucesso musical, “Com que roupa”.

Nos sete anos que ainda viveria compôs e musicou mais de duas centenas de músicas, muitas delas magistrais, o berço do samba moderno pós- Sinhô, das modinhas carnavalescas e do samba-canção. Sempre com pouco dinheiro executou seu próprio enredo: “O samba, a prontidão, e outras bossas/ São coisas nossas… são coisas nossas.”

Nosso mais genial compositor popular inspirou-se principalmente no cotidiano carioca. Ademais, louvou em diversas composições o bairro em que nasceu e viveu: Vila Isabel. Em 1935, nasce o “Feitiço da Vila”.

Desde os dezoito anos trocara o dia pela noite, amante da madrugada e de mulheres, muitas mulheres. Dentre suas maiores amigas estava Araci de Almeida; saiam juntos pelos botecos da Lapa para “tomar cerveja e comer batata frita, às vezes no bar do Alemão”. Um problema o acompanha desde a puberdade: a tuberculose. Noel se alimenta mal, sua mastigação é péssima. Quando as crises surgem, refugia-se em Nova Friburgo.

Foi num cabaré da Lapa, o Apolo, em junho de 1934, que ele conheceu uma de suas maiores paixões: a dançarina Ceci, a quem dedicou “Último desejo” e “Dama do cabaré”.

Figura presente em quase toda noite lapiana, Noel se encontrou muitas vezes com Agildo Barata, San Tiago Dantas, Jorge Amado, Cândido Portinari, Villa-Lobos, Sergio Buarque de Holanda, Mário de Andrade.

Num prédio ao lado do Beco das Carmelitas, morava Manuel Bandeira. “Beco das minhas tristezas/Não me envergonho de ti/ Foste rua das mulheres? Todas são filhas de Deus”.

Não somente intelectuais, artistas e boêmios circulavam pelo bairro. Os malandros também rufiavam pelas ruas da Lapa; a coragem e a perícia no manejo da “pastorinha” (navalha) eram atributos para a fama e o respeito pessoal. Madame Satã, um destemido e respeitado homossexual, foi o mais famoso deles. Cozinheiro, garçom, travesti e estrela do rebolado, segurança em casa noturna, passou por várias prisões desde que, em 1928, matou um policial que o desacatara.

Em suas Memórias, Madame Satã traçou um quadro do bairro: “Minha querida Lapa sempre me recebeu de braços aberto… Fiz amizade com Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Cartola, Nelson Cavaquinho, Chico Alves. Na noite e no mundo dos bordéis havia muitos viciados em tóxicos que definhavam, morrendo aos poucos nos braços da cocaína e outras drogas… E compravam mesmo era nas farmácias. Tinha ópio, cocaína… Enquanto a Pensão da Lapa cobrava 1,100 reis por uma cerveja, as farmácias cobravam 2,000 reis por 5 gramas de coca e uma ampola de heroína, 1,500.”

Em 1934, após a paixão por Ceci se apagar, Noel casou-se com a sergipana Lindaura Martins. Em 1935 compôs o imortal “Conversa de botequim” ao lado da mulher.

Chega o ano de 1937. A aliança de Getúlio Vargas com a hierarquia militar e com as oligarquias regionais criou as condições para um golpe político com a implantação da ditadura. A polícia do Estado Novo violentamente decide exterminar a baixa prostituição do Distrito Federal. Fecha, então, todos os bordeis da Lapa.

Para os donos do poder interessava a expansão dos negócios com a abertura dos Cassinos de luxo que em breve seriam inaugurados; o jogo passa a organizado com muito show, vedetes e muito, muito dinheiro. Logo, o polo noturno que a Lapa representava teria de entrar em vertiginosa decadência para que o mundo dos cassinos-hotéis surgisse. E foi isto o que aconteceu.

No mesmo ano em que a velha Lapa foi assassinada, antes de completar 27 anos, em 1937, também falece em crise de hemoptise o poeta, compositor e sambista Noel Rosa, encerrando uma fase de nossa História artística. Um de seus últimos sambas, entretanto, jamais será esquecido:

“Último desejo”. “Nosso amor que eu não esqueço/ E que teve seu começo/ Numa festa de São João/ Morre hoje sem foguete/ Sem retrato e sem bilhete/ Sem luar… sem violão”.

Com eles morria também o espírito de uma época.

Comentários

  1. Antônia Mara Vieira Loguercio
    ter 28th nov 2017 at 4:35

    Primoroso, Russo. Noel e os bordeis da Lapa, nasceram e morreram juntos. Um não viveria sem o outro. Simples assim. Todas as canções dele são perfeitas.

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  2. Regina M. A. Machado
    qua 29th nov 2017 at 17:47

    Deliciosa crônica, informativa, afetiva, cheia de saudade.
    Parabéns.

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