localizador vehicular gps tracker rastreador gsm gprs sms programa para espiar cualquier tipo de celular gratis here link here vendo celular espia free blackberry messenger spy app como espiar el whatsapp de alguien mas est espiar celulares 2013 i spy books for android programa espiar whatsapp spy descargar press site

Mês:

dezembro, 2018

Antes de apresentar prognósticos para o difícil período que se inicia, desejo frisar que entrei para aquela parcelada população, que desde a Revolução Francesa de 1789, denomina-se esquerda por indignação moral e estética, não por conta de raciocínios dialéticos ou por desígnios históricos. Eu o fiz também pelo horror e pelo nojo infinito aos homens que exploram sem limites outros homens, que os manipulam, que os corrompem, que os massacram. Meti-me porque os pobres, os desvalidos me constrangem e doem profundamente por serem considerados socialmente supérfluos, desnecessários, criados pela ganância e pela sordidez daqueles menos de 1% da humanidade que em tudo mandam, que quase tudo consomem, num mundo de perpétuas novidades que simplesmente se dissolvem no ar. Mantive-me para sempre na esquerda por arderem profundamente em minha alma os preconceitos que consideram inferiores  os seres ditos diferentes das normas.

À bem da verdade, mesmo em meus tempos de “maior ortodoxia”, tão distantes, nunca tive crença muito forte no materialismo dialético e menos ainda na inevitabilidade da História, pois em quase setenta anos de vida vivida e algumas centenas estudadas, nada, absolutamente nada, se mostrou inevitável. A previsibilidade é ainda menos preponderante que o acaso. E, para não faltar com a verdade ao que sinto, nem mesmo o progressismo se mostrou sempre benéfico para o ser humano; desde jovem lhe torci o nariz, e creio mesmo que  muitas vezes ele tenha sido, sim, ferramenta para acorrentar os homens à servidão.

Olhando para um passado muito distante, sinto que os gregos possuíam em certa medida graus de humanidade similares e, mesmo, superiores ao do homem pós-moderno. O que se desenvolveu nos últimos dois milênios foi antes de nada a tecnologia, a capacidade do homem de transformar e desfigurar a natureza, em função de seus interesses. Daí que, no meu entender, o sentido da importância do progresso material para mim foi esplendidamente definido por W. Benjamin, quando cotejado com a excelente metáfora do “Anjo da História”, que Paul Klee desenhou no “Angelus Novus”:

“O Anjo da História representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O Anjo da História deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruínas sobre ruínas e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos Progresso.”

Continue lendo

Talvez nenhum escritor tenha pressentido, ainda no auge da modernidade, o significado de uma realidade que se imporia tempos após sua morte, e que se substancializa de forma dramática nos dias pós-modernos do século XXI.

Em Kafka se faz sentir, com uma intensidade desenhada em Dostoievski, o sentido trágico da vida, sem nenhum Cristo exemplar. O senhor K., personagem sem nome, apenas uma inicial que adota em quase todos os seus escritos, simbolizava o seu sentir só, despersonalizado num universo agressivo e irracional, apenas lógico nos lucros e no poder que a todos se impõe. De onde a absoluta ausência de fraternidade, do individualismo extremado, do consumismo absoluto, que trás apenas conforto imediato e que logo após, se esgota e requer mais e mais. Um mundo em ruínas em que as utopias, a religiosidade autêntica e as ilusões humanistas naufragaram.

O isolamento do homem de seu habitat, as notícias instantâneas (hoje, as mídias sociais), o pavor imediato, o desenraizamento social. Em Kafka já antevemos o ser humano coisificado, desumanizado, de nossa sociedade líquida. Daí a alienação e a brutalidade física e psicológica, o conflito entre pais e filhos, o surgimento de personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas que se aprofundam.

Com isso, a vida privada dos homens médios, da economia à cultura, por perfeitamente enquadrados e passivos, torna-se absolutamente manipulável. São obrigados a consumir o que interessa aos oligopólios.

O capitalismo tardio e a insegurança intrínseca a ele acarretam uma angústia dissociativa, que se mantém graças a permanente oscilação entre o terror e esperança, aliados ao coletivo que atua como rebanho.

Enfim, para Kafka a arte não é um meio para recuperar o tempo perdido (como o fora para Proust) ou desafiar o destino (no caso de Malraux), mas sim, uma descrição objetiva do absurdo. No auge do modernismo ele expressa um humanismo que se revolta, pois antevê um futuro espírito totalitário no horizonte da humanidade.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

Assim que os olhos da madura Madame de Pompadour pousaram no jovem gravador da corte, uma brusca paixão tomou conta da senhora e ele a fez sentir-se jovem outra vez. Ao primeiro pedido apresentou-o ao rei e fez com que Dominique-Vivant Denon, aos vinte um anos, fosse nomeado Cavaleiro e Intendente das Pedrarias Antigas de Versailles. Este foi o primeiro degrau de uma fortuna que somente fez por multiplicar-se toda a vida.

Mundano culto e esperto, a seguir convenceu Pompadour apresentar-lhe seu amigo, o intelectual mais famoso da época, justamente o grande Voltaire, com o qual desenvolve amizade, e dele se tona hóspede por algum tempo; como recompensa Denon o retrata no quadro “O almoço em Ferney”.

Vivant-Denon, entretanto, sonhava mais alto. Aspirava à bela carreira diplomática. Pompadour intervém outra vez por seu “queridinho” e o faz nomear secretário da embaixada francesa na Rússia.Em Petersburgo, ele se apresenta à czarina Catarina, trazendo no bolso interno da sobrecasaca uma carta de recomendações de Voltaire.

Continue lendo

No dizer de George Steiner “O Grande Inquisidor”, uma lenda contada por Ivan Karamazov a seu irmão Aliocha, é prometeica quanto ao fincar os pés no passado, permitir antever o futuro manipulável da sociedade de massas. Pois a religiosidade utilitária aponta tanto para as recusas de liberdade real nas sociedades modernas e pós-modernas, quanto para formas tão somente exteriores das denominadas “democracias representativas”. Ao mesmo tempo, este capítulo essencial de “Irmãos Karamazovi” prenuncia os regimes totalitários do século XX e que ensaiam sua retomada no século XXI, como o controle do pensamento e o prazer brutal das massas na Revolução Cultural chinesa, nas Danças de Nuremberg nazista, no Estádio de Moscou stalinista.

Na lenda, a aparição do Santo Inquisidor e o retorno de um Cristo redivivo ocorrem na cidade de Sevilha, no auge da repressão do Estado atrelado à Igreja Católica no século XVI.

Ela  segue sendo um sinal de alerta para as recusas de liberdade, para a invasão das privacidades, para as parvoíces hipócritas, para as mentiras, que “viralizadas” milhares e milhões de vezes, passam a ser são tidas como verdades.

Sinaliza também a vulgaridade espantosa da cultura de massas, o consumismo desmedido, os homens que buscam líderes, mágicos ou tiranos, até mesmo pastores religiosos que retirem da mente dos rebanhos as reações de revolta contra as injustiças sociais e a busca por liberdade.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags: