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junho, 2018

Isaac Babel nasceu em Odessa, cidade onde alguma liberdade e segurança os judeus poderiam desfrutar. Babel era filho de uma família que fugira a pogroms antissemitas em terras dominadas por cossacos. Justamente ele, que na juventude, lutaria clandestinamente ao lado dos cossacos vermelhos, também antisemitas!

Na adolescência, Babel entrou na Escola do Comércio. Além das matérias normais, estudou o teologia e música. Posteriormente estudou Negócios e Finanças, onde conheceu Eugênia Gronfein, sua futura esposa. Nessa época, já eram ambos marxistas.

Em 1915, Babel se mudou para o centro cultural da Rússia, Petrogrado, onde conheceu Máximo Gorki. Tornaram-se amigos e Gorki publicou algumas de suas histórias na revista que dirigia; orientou também o aspirante a escritor que buscasse mais experiência da vida real. E ele buscou! Anos mais tarde, Babel escreveu em sua autobiografia: “O nome por quem possuo maior amor e admiração é o de Gorky”.

Babel, embora seja, reconhecidamente, um dos mais brilhantes representantes do jornalismo literário da geração dos nascidos na década de 1880, teve sua obra ficcional muito prejudicada pelas vicissitudes da vida.

Seu apogeu literário ocorreu nos anos 20, primeiro com a publicação, em 1920, dos “Diários de Guerra”, que, posteriormente produziram o clássico “A Cavalaria Vermelha”, de 1926. Assinalou Martin Berman que um de seus temas centrais do livro é a ideia de que, para ser ele mesmo, o herói tem que aprender não só a enfrentar, mas de alguma forma internalizar seu antieu, dado que tanto o eu quanto sua antítese giram em torno da violência.” Se o ego do autor é um intelectual racional, com natural tendência para a melancolia e introspecção, seu o antieu é o de um homem de ação animalesco, primitivo, irrefletidamente cruel.

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“Ouvintes alemães!” Sob esta chamada, o escritor alemão exilado, Thomas Mann, transmitia em sua língua pátria, via BBC, discursos diários antinazistas. De sua exortação de 27 de julho de 1943, extraímos esse breve trecho:

“Os anos repletos do mais brutal terror, de martírios e execuções, não foram suficientes para quebrarem a resistência que nasce no seio do povo alemão. Os estrangeiros verdadeiros, contra os quais os bens sagrados da civilização devem ser protegidos, são eles, os nazistas! Apenas uma parte pequena e corrupta da classe superior, uma corja de traidores para quem nada é mais sagrado que o dinheiro e as vantagens, trabalham com e para eles. Os povos se negam a isso, e quanto mais evidente se mostra a vitória dos Aliados, mais cresce a revolta do povo alemão contra o que lhe parece insuportável… Nesse verão o mundo se comoveu profundamente com os acontecimentos na Universidade de Munique, cujas notícias nos chegaram pelos jornais suíços e suecos, primeiro sem muita clareza e, logo, com mais detalhes. Sabemos agora de Hans Scholl, soldado sobrevivente da derrota nazista de Stalingrado e de sua irmã, Sophie Scholl, de Christoph Probst, do professor Huber e de todos os outros… Sabemos de seu martírio, dos panfletos que eles distribuíram… Sim, foi aflitiva essa predisposição da juventude alemã para a revolução mentirosa, falsa, do nacional-socialismo. Agora os olhos da juventude se abriram e por isso eles põem a cabeça jovem sob o cepo do carrasco. Mas para a glória da Alemanha eles não se calam nem mesmo perante os juízes nazistas: ‘Logo vocês estarão aqui, onde nós estamos agora’”.

22 de fevereiro de 1943, há 75 anos: três estudantes universitários alemães foram condenados e executados em Munique, por liderarem um movimento de resistência contra Adolf Hitler. Mais dois estudantes e um professor de filosofia, da mesma Universidade da Baviera seriam decapitados nos meses seguintes. Em Hamburgo, oitos estudantes igualmente seriam presos, condenados e executados. Dezenas de universitários das duas cidades foram presos, muitos torturados, alguns condenados a prisão perpétua e outros a trabalhos forçados em campos de concentração.

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Graciliano Ramos afirmava com toda a coerência que sempre cercou sua vida pública e privada, em anos da ditadura Vargas: “Como a profissão literária ainda é uma remota possibilidade, os artistas em geral se livram da fome entrando para o funcionalismo público”. Também pudera: “Vidas Secas” teve uma primeira edição de trezentos exemplares em 1938; a segunda, de mil, só saiu em 1947 e uma terceira demorou mais cinco anos para ocorrer. Para sobreviver, ele escrevia pela manhã, era inspetor de ensino à tarde e, à noite, editor do “Correio da Manhã”.

Assim como Graciliano, a maioria de nossos escritores detestava tanto a ditadura Vargas quanto o fascismo, mas recebiam dos cofres públicos por serviços prestados. O Ministério da Educação era comandado por Gustavo Capanema que tinha como chefe de gabinete ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, no mesmo período em que este escrevia o poema “A Rosa do Povo” (“Este é tempo de partido, tempo de homens de partidos”). Drummond disse, posteriormente, justificando-se: “Existe uma diferença entre servir uma ditadura e servir sob uma ditadura”.

Capanema, por outro lado, e sob a influência de Drummond, nomeou como inspetores federais para o ensino público: Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Marques Rabelo, Murilo Mendes, Henriqueta Lisboa e Abgar Renault. Quem ganhou com os intelectuais destes quilates, nomeado para postos-chave no ensino, foram a infância e a juventude do Brasil.

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