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Mês:

novembro, 2016

A democracia, prática política inventada pelos gregos, decompôs-se por preferir o prazer à excelência, a covardia à coragem, a decadência à construção de um homem novo! Mas Sócrates, ao submeter-se à morte pela cicuta, criou os alicerces da renovação espiritual.

No tempo em que a Grécia era regida pela aristocracia feudal, não havia ainda distinção entre virtude política e individual. A “arete”, como virtude, era transmitida de geração em geração pelo ambiente em que vivia o aristocrata, e se realizava por meio de exemplos pessoais e dos poetas como Homero, Píndaro.

Quando se estabeleceu a tirania e, posteriormente a democracia, essa forma de transmissão de virtudes desapareceu, surgindo, então, a necessidade de se criar uma nova forma que a substituísse não mais para uma elite, mas para todos os homens livres da “polis”.
Surgiram primeiramente os Sofistas com a proposta de que a virtude poderia ser ensinada. Mas qual virtude? Com a entrada em cena do cidadão, a antiga virtude já havia se fragmentado, apresentando-se tanto como política, quanto como individual.

Os Sofistas pensavam a educação não como um esforço a realizar-se para a sociedade como um todo, mas como uma ação a exercer-se unicamente sobre seus líderes, encarando-os não como cidadãos comuns, mas como sujeitos que desejavam os meios mais eficazes para chegarem ao poder. A educação para eles não visava desenvolver virtudes individuais, mas aquelas capazes de dotar um homem com poder sobre as massas.

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Em: ensaio | Tags:

“Porém dentro de seus limites, minha capacidade de sofrimento também marcará um termo às minhas dores, além do qual o padecimento não poderá prolongar-se, sendo como é, limitado. Tu me pintas o prazer e a dor como incomensuráveis, mas exageras, porque nenhum dos dois ultrapassa a capacidade humana”. ( Thomas Mann, “José e seus irmãos”)

Sonho primeiro (durante a greve de fome na Penitenciária do Estado).

Quando eu caminhava pela mata e perseguia alguma presa me sentia livre, no entanto, o coelho pulsava no meu coração. Quando fugia dos meus bestiais predadores, os caçadores, me sentia livre, e um homem pulsava em meu coração.

Mas um dia, na louca disputa para me alimentar, sentei numa armadilha e me dei conta de que era uma armadilha para raposas. Só então me ocorreu ser uma raposa; enrodilhado na malha contorci-me até o desespero e de meu coração desapareceram tanto o coelho quanto o homem.

Com o tempo fui me adaptando à prisão e a perda da liberdade deixou de me pesar. Sei que vivi um longo tempo na armadilha. Até que um instinto, nada mais que um instinto obrigou-me a lutar contra a teia que me recobria naquele tipo de vida. Lutei, então, com todas as minhas forças na tentativa de escapulir, mas os nós bem arranjados da malha não o permitiram. Como prêmio por meus esforços, tive um bocado de pele dilacerada.

Aquela mata, meu pedaço de chão estranhou-me. Senti muito frio, talvez todo o inverno do mundo tenha estado presente naquele canto de prisão.

Desejei novamente escapar, fugir da armadilha ou ao menos arrumar uma manta emprestada, pois a pele perdida na tortura não tornara a crescer, tosada todo o tempo pelas infindáveis culpas que só o conhece aquele que já teve tanto um coração de lebre quanto um de homem caçador.

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Em: conto | Tags:

O risco da morte é a própria aventura humana. Sem este risco tudo seria fácil demais, portanto inútil, logo, impossível. Como diria em outras palavras Sólon, ninguém sabe qual será a face de sua morte. Portanto, jamais poderemos considerar alguém vivo como feliz, na melhor das hipóteses, julguemo-lo uma pessoa bem aquinhoada.

Eu por muito tempo busquei um homem a quem pudesse realmente qualificá-lo de feliz! E, confesso, não consegui encontrá-lo. Entretanto, não consegui aceitar meu fracasso. Quiçá meu conceito de felicidade fosse equivocado. Conversei, então, com pessoas consideradas sábias, realizei peregrinações aos mais diversos livros, visitei distintas correntes filosóficas, e cada vez mais árduo se me demonstrava encontrar até mesmo o conceito de uma pessoa plenamente feliz.

Foi quando, ao final da busca, deparei-me com um interessantíssimo diálogo ocorrido lá pelo século sexto antes de Cristo, travado entre Creso,o  imperador Lídio, e Sólon, o primeiro dos Atenienses, conversa reportada pelo historiador Heródoto, que tomo a liberdade de contar aos meus amigos.

Transcorreram quase dois anos desde que Sólon partira da Ática, deixando a querida Atenas no auge de seu poder e prestígio. Isso se deu quando ele julgou, após muitos anos, seu trabalho de legislador concluído. Realmente, pelo que conhecemos dos políticos e magistrados, recusar-se a exercer o poder no auge da popularidade já faz de Sólon um ser humano no mínimo extraordinário.

Mas não somente isso. Após uma década de governança, o Sólon que saiu pelo mundo não possuía uma única dracma a mais do que possuía ao ser eleito Arconte de Atenas pelos ricos e pelos pobres de sua cidade. Outro dado de insofismável beleza!

“Envelheço aprendendo todos os dias coisas novas”, assim justificava publicamente a longa viagem que empreenderia. Aos mais íntimos, entretanto, ele confessou que se retirava para não ser obrigado a alterar leis que havia imposto, principalmente aquelas ao Partido dos Nobres; afinal, obrigara todos os cidadãos ao juramento de que as regras seriam cumpridas pelo período em que ele estivesse ausente de Atenas. E esse tempo, que duraria quase outros dez anos, foi o responsável pela consolidação das normas precursoras da democracia ateniense.

Sólon, dando o exemplo pessoal, reafirmava a crença de que “a beleza das leis cumpridas faz reinar por toda a parte a ordem e a harmonia”.

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Em: ensaio | Tags:

Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar na calada da noite ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo, naquela noite de quatro de novembro de 1969. O homem desconfiado, precavido, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções, de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra.

Quando se deteve frente a mim, percebi que a cada passo dado as feridas cicatrizavam; as unhas, ao tocarem o tampo da mesa onde eu estava, recompunham-se. A respiração ofegante sossegava.  Os lábios sorriam para mim num sorrir franco.

Ele todo irradiava a felicidade que se tem ao chegar a um porto seguro. Olhou-me e notei seus olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder como eu nunca havia visto outro igual.

Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Predadores que inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. Agora, para o recém-chegado, a corrida e o labor haviam chegado ao fim.

Era o homem que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades, para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que dos próprios devaneios retiravam o alimento único para a alma combalida, conduzida a tremendos embates.

Sentei-me a seu lado. O que passaria por trás dos olhos fechados dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante descortinei uma fileira de outros homens, livres de todas as amarras caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, de um amar que é o viver, o sofrer e o morrer.

E a esse projeto mágico dedicara-se desde todo o sempre o espírito daquele que repousava ao meu lado, que desesperadamente buscara por iguais em todo o universo, seres libertos para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.

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