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novembro, 2014

O romance Pais e Filhos, do russo Ivan Turguêniev (1818-1883) é antes de tudo um clássico,  divisor de água, abridor de sendas. Um dos mais belos romances de cunho social escritos. Pode-se sem margem a dúvidas aplicar o adjetivo delicado, suave, eterno como sempre serão as florezinhas que brotarão na tumba onde jaz o jovem niilista Bazárov.

Às forças da natureza, ao tempo, o que incomodam o pensar e as angústias existenciais dos efêmeros? Esses filhos de Prometeu que devem continuamente optar pela negação ou pela afirmação em suas curtas existências, sem nem ao menos pensar que dentro de cinco, dez, trinta anos cada opção, afirmação ou negação, o que importará? Nada. Nihil.

Talvez ainda mais que por sua extensa obra, Turguêniev destacou-se por ter dado ampla circulação ao termo niilismo (embora não o tenha inventado). O niilista, explica Turguêniev por intermédio de um de seus personagens, “é uma pessoa que não se curva diante de nenhuma autoridade, que não admite nenhum princípio sem provas”.

Ao descrevermos Pais e Filhos como um clássico dentre os romances sociais, temos o dever de esclarecer que tudo nele está profundamente calcado na realidade russa. A Rússia de Turguêniev vivia no atraso de uma economia agrária e feudal, sob a autocracia czarista. Entretanto, um grande clamor por reformas se fazia ouvir, sobretudo nas camadas mais esclarecidas às quais Turguêniev pertencia. Essa foi, aliás, uma das grandes virtudes do escritor: analisar um quadro político e social de mudanças no momento mesmo em que estas  começavam a tomar forma.

Embora Turguêniev buscasse inspirações para as mudanças sociais em seu país no ocidente, isso não foi obce à amizade que por muito tempo o uniu a um eslavófilo como Dostoiévski, que apreciou tanto Pais e Filhos que inspirou-se nele ao estruturar algumas personagens centrais em seus romances como Roskhonikov, Ivan Karamazov e Smierdiakov.

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No dia 2 de julho de 1948, Monteiro Lobato concedeu à rádio Record aquela que seria a última entrevista de sua vida, a qual encerrou com as palavras: “O Petróleo é Nosso”! Dois dias após, “O Repórter Esso”, na voz de Herón Domingues, anunciou a morte de um grande brasileiro, desses que surgem poucos a cada geração: “E agora uma notícia que entristece a todos: acaba de falecer o grande escritor e patriota Monteiro Lobato!”

Monteiro Lobato, nascido em Taubaté em 1882, falecia aos 66 anos de idade; o corpo foi velado na antiga Biblioteca Municipal de São Paulo e em seu cortejo fúnebre, que seguiu a pé até o Cemitério da Consolação, havia mais de dez mil pessoas a quais cantavam o Hino Nacional. Compreendiam que Monteiro Lobato representou a seu modo o ímpeto pioneiro, renovador, criador de tantas iniciativas fecundas e ousadas, aventuras pessoais ou coletivas, que formatariam o Brasil moderno.

Advogado sem vocação, seu primeiro emprego foi o de promotor público na cidade de Areias. Depois, teve sua experiência como fazendeiro, quando suas inovadovações agro-pecuárias demonstraram-se desastrosas; no entanto, “enquanto o fazendeiro se enterra, o escritor se levanta”, diz seu biógrafo Edgard Cavalheiro, porque os melhores “frutos da fazenda” foram os livretos Jeca Tatu (1919) e Urupês (1918).

Esses coincidiram com a greve geral de 1917/18, e com a onda de reivindicações operárias que se alastrou por todo o país até os anos 20, e expressavam literariamente os novos anseios populares. No pequeno volume de Jeca Tatu havia uma jóia rara se revelava no propósito do autor de que o conto infantil fosse “um instrumento claro de luta contra o atraso cultural de nosso país, contra a miséria e o conservantismo corrupto e corruptor”. Urupês, por seu lado, “era um brado de revolta que não se ouvia desde os Sertões de Euclides da Cunha”, no entender de Astrojildo Pereira.

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Em: ensaio | Tags:

***Trecho adaptado do conto “Benvinda”, da coletânea “Máscaras de Perséfone” , lida pelo autor durante ato realizado pelo transcurso de quarenta e cinco anos do assassinato de Marighella.

Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar na calada da noite ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo. O homem desconfiado, precavido, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções, de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra.

Quando se deteve frente a mim, percebi que a cada passo dado as feridas cicatrizavam; as unhas, ao tocarem o tampo da mesa onde eu estava, recompunham-se. A respiração ofegante sossegava.  Os lábios sorriam para mim num sorrir franco. Ele todo irradiava a felicidade que se tem ao chegar a um porto seguro. Olhou-me e notei seus olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder como eu nunca havia visto outro igual.

Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. Finalmente, para o recém-chegado, a corrida e o labor haviam chegado ao fim.

Era o homem que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades, para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que dos próprios devaneios retiravam o alimento único para a alma combalida, conduzida a tremendos embates.

Sentei-me a seu lado. O que passaria por trás dos olhos fechados dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante descortinei uma fileira de homens, livres de todas as amarras caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, amar, viver, sofrer e morrer. A esse projeto mágico dedicou-se desde todo o sempre o espírito daquele que repousava ao meu lado, que desesperadamente buscara por iguais em todo o universo, homens, mulheres e crianças libertas para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.

E a cada sonho, ele e seus companheiros de viagem combatiam forças muito superiores às suas, que os destruíam, que os matavam, esquartejavam, mas que jamais os impediam de tornar a reviver, de se multiplicarem em outros corpos no sonhar coletivo.

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Em: conto | Tags: