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Mês:

setembro, 2014

Um amigo meu, Melville, fora um homem do mar bem antes  de se aventurar na árdua tarefa de ganhar a vida com seus escritos. Certo dia entre uma chávena de chá e outra,  contou-me uma história muito interessante a respeito dos direitos e regulamentos da pesca às baleias.

Na época em que ele ainda viajava pelos sete mares à bordo do Pequod, o único código formal que regulava a caça era já muito antigo, escrito por volta do início do século dezoito, aprovado pelo parlamento da Holanda e respeitado por praticamente todas as nações, inclusive o todo poderoso Império Britânico.  Na sua essência, poderia ser ser resumido em dois únicos artigos. O primeiro dizia que um peixe, uma vez preso, pertenceria à parte que o prendesse e o segundo, ser um peixe solto caça legítima de quem o apanhasse primeiro.

O que salta aos olhos, frizou-me meu amigo, é a “admirável brevidade” do código, tornando  necessário muitos comentários adicionais para aplicá-lo. Afinal, o que significa um peixe preso? Vivo ou morto, um peixe está preso do ponto de vista técnico quando amarrado a um navio ou a um bote tripulado, quer seja pela corda de um arpão, por uma linha, por um remo, ou até mesmo por teia de aranha, pois pouco importa. De modo semelhante, o peixe também é dado como preso quando carrega algum símbolo reconhecível de posse, sempre que o assinalante demonstre claramente capacidade de carregá-lo a bordo.

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Somente após a sua morte, Lima Barreto foi reconhecido como um dos mais importantes literatos brasileiros; quando em vida, o seu jornalismo militante e de princípios éticos foi o que mais o distinguiu.

Literariamente podemos afirmar que encarnou o difícil momento de continuidade e ruptura entre um passado que morria com Machado de Assis e um futuro que pertenceria ao movimento modernista. Se por um lado foi fiel ao modelo do romance realista e naturalista, resgatando as tradições cômicas e picarescas da cultura popular, por outro, seu estilo despojado, fluente e coloquial, tanto influenciaria os modernistas, quanto antes havia enfurecido os parnasianos.

Com relação ao jornalista Lima Barreto, este não possuía apreço especial pela grande imprensa de sua época. Sua atenção era mais voltada para a imprensa alternativa. “ Gosto dos jornais obscuros, gosto dos começos, da luta entre a inteligência e a palavra, das singulariedades, das extravagâncias, da livre ou buscada invenções dos principiantes”. Coerente com esse pensar, por toda a vida foi solidário com aqueles que lutavam por causas que ficavam acima “dos mesquinhos interesses pessoais”.

Em 1907, coerentemente, editou uma pequena revista, O Floreal. Verdadeira peça jornalístico- literária, em cujas páginas surgiram publicados os primeiros capítulos de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”. Apesar de haver existido somente até o quarto número, a revista não passou despercebida do olhar atento de José Veríssimo. Ele reportaria suas impressões na prestigiosa Revista Literária do importante Jornal do Commercio. Pela primeira vez o nome de Lima Barreto seria divulgado para o grande público.

As concepções revolucionárias a respeito dos objetivos da obra de arte e do papel do escritor engajado com a problemática nacional, podem ser exemplificadas em algumas citações transcritas de seus escritos:

“A obra de arte tem que dizer o que os simples fatos não falam. E eles estão aí para fazermos grandes obras de arte… Ela tem o destino de revelar umas almas às outras, de restabelecer entre elas uma ligação necessária ao mútuo entendimento entre os homens.”

“Os escritores brasileiros não deveriam perder tempo nem amesquinhar-se em cantar cavalheiros de fidalguia suspeita e damas de uma aristocracia de armazém por atacado.”

“A arte deve ser um instrumento de edificação moral da população. Devemos mostrar que um negro, um índio, um português ou um italiano podem-se entender e se amar, no interesse comum de todos nós.”

“A solidariedade humana, mais que nenhuma outra coisa, interessa ao destino da humanidade.”

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Em: ensaio | Tags:

O Rio antigo, cidade das melindrosas e dos almofadinhas, “flaneurs” tropicais, cidade múltipla, carnavalesca, sentimental, terra de revoltas populares, de muitas alegrias e tristezas, de trabalho suado, de inclusão e exclusão social, da repressão e das conquistas populares, o Centro Político e Cultural do Brasil por quase dois séculos. Em 2015, a Cidade Maravilhosa completará quatrocentos e cincoenta anos!

Vivaldo Coaracy, um de seus maiores memorialistas, refere-se a episódios da História relacionados às lutas políticas e aos movimentos populares que os habitantes do Rio de Janeiro sustentaram nas mais diversas épocas contra o escravagismo, o colonialismo, a prepotência de usurpadores dos direitos populares e lutas por melhores condições de vida.

I- Nos tempos da Colônia

Os africanos escravizados foram trazidos pelos navios negreiros desde a sua fundação. Em 1583, o Governador Salvador Correa de Sá instituiu uma taxa por escravo trazido de África, oficializando o tráfico. Deixou ao português João Gutierrez Valério o monopólio das “carnes humanas”. As primeiras revoltas não se fizeram esperar. Os negros, primeiro de forma individual e, depois em grupos, fugiam para “os matos” em busca da liberdade. Os quilombos na Serra dos Órgãos multiplicaram-se rapidamente e, em 1625, foram considerados “um perigo público”.

A autoridade colonial instituiu prêmios para a prisão de negros fugidos, fixando taxas a serem pagas pelos proprietários dos mesmos. Uma nova profissão surgiu e prosperou na província, a dos caçadores de escravos denominados capitães-do-mato.

A Câmara Municipal decidiu, em 1640, organizar uma milícia civil armada, a primeira de tantas a serem criadas no Rio, que teria direito a dois terços do valor do escravo capturado, além de todas as “crias” que apanhasse no mocambo. O primeiro comando da milícia foi construída na fazenda dos Jesuítas, nos contrafortes da Serra dos Órgãos. Apesar de toda a repressão, a resistência quilombola permaneceria ativa e cresceria até mesmo após o treze de maio de 1888.

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I-

A primeira imagem que nos vem à mente quando temos em mãos Em busca do tempo perdido é de uma realidade impossível; nela, as absorções do místico na arte do prosador, da verve num autor satírico, do saber num autor altamente erudito se mesclam na incrível concentração de um sujeito monomaníaco. Como resultado disso tudo temos uma monumental obra semi-autobiográfica.

Em Proust nada tem conformidade, tudo excede a norma. De uma maneira geral, todas as grandes obras literárias ou inauguram um gênero determinado ou o ultrapassam, criando novos caminhos, outras veredas. Em busca do tempo perdido é um trabalho praticamente impossível de ser classificável. O que nos espera é uma estrutura absolutamente não convencional, fora das medidas, que conjuga o poético e o lírico, a memorialística e o comentário, concretizando-os numa sintaxe de parágrafos torrenciais, nos quais uma única frase apropria-se de uma página inteira.

Agora deixemos que nossos olhos alcancem o escritor e, porque não, Marcel, o narrador. Chegaremos a uma imagem das condições objetivas e subjetivas do autor, que serviram de fundamento para uma das maiores obras literárias de todos os tempos. Uma doença insólita, uma riqueza incomum e uma disposição anormal serão os alicerces objetivos. Como diria W. Benjamin “se nem tudo na vida é modelar, tudo é exemplar”. Proust é um exemplo sem modelos.

Ele assumidamente não descreveu em sua obra uma vida que de fato tenha sido vivida, mas uma vida “lembrada por quem a viveu”, ou o que seria ainda melhor: o tecido da recordação de um ser que não é já o próprio, graças à multiplicidade de seus eus. A outro Marcel ocorrem as reminiscências de um eu transformado. E para realizar sua obra ele transformou os dias em noites e as dedicou todas ao trabalho sem qualquer interrupção, num quarto escuro, isolado por cortiça. Somente ele e a luz artificial, no afã de não permitir que qualquer de suas recordações se perdesse pelos caminhos que a memória involuntária lhe franqueasse.

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