localizador vehicular gps tracker rastreador gsm gprs sms programa para espiar cualquier tipo de celular gratis here link here vendo celular espia free blackberry messenger spy app como espiar el whatsapp de alguien mas est espiar celulares 2013 i spy books for android programa espiar whatsapp spy descargar press site

Mês:

novembro, 2013

Cem anos são transcorridos desde o nascimento de Albert Camus. Ao escrever  “A Peste”, ainda sob o impacto dos horrores da Guerra e da luta de libertação argelina, ele  associa o absurdo, “que não se encontra no homem e nem no mundo, mas na coexistência entre ambos”, a uma surpreendente solidariedade que surge entre os seres exclusivamente em momento de extremos estresse, como o vivenciado em presídios políticos, campos de concentração e guerras.

Em Camus todas as ideias gerais são falsas, pois o mundo não lhe parecia nem explicado ou explicável. Não era cristão, talvez agnóstico, não era marxista, nada! Era Albert Camus filho do sol, da miséria, da morte. Intelectual, sem dúvida, mas um intelectual que gostava de viver e observar o viver. Participou da Resistência Francesa ao nazismo até a libertação em 1944. Foi editor do jornal O Combate. Em 1951, rompe com Sartre, ataca o socialismo real e a própria perspectiva do comunismo. Em 1957, durante a guerra de libertação argelina, ele que defendia uma saída negociada, recebe o Prêmio Nobel de Literatura. Morre em um acidente automobilístico em 1959, aos 46 anos de idade.

Ao receber o Nobel,em 1957, ele ressaltou que: “Perante tantos horrores um artista não pode conformar-se com uma diversão sem alcance, com a perfeição formal. Ele falará no vazio se não se voltar para as misérias da História”. O artista moderno é um rebelde que pinta a realidade vivida e sofrida. Mas se sua rebelião for extremamente destrutiva, não chegará aos homens, será um “Calígula de café”. Para falar a todos é necessário falar do prazer, do sol, da necessidade, do desejo, da luta contra a morte, mas falar a verdade! O “realismo socialista” não é realista. O academicismo quer seja de direita ou de esquerda esquece o sofrimento dos homens.

A arte não é nada sem a realidade e sem a arte a realidade não valeria à pena. A arte é uma rebelião contra o mundo tal como ele é. Nem negativa total, nem consentimento total. O objetivo da arte não é julgar, mas compreender. “Advogo por um verdadeiro realismo contra uma mitologia talvez ilógica e mortífera e contra um niilismo romântico, burguês ou pretensamente revolucionário”.  Questionado se não teria deixado de ser um homem de esquerda ele responde: “Tradicionalmente a esquerda tem sempre lutado contra o obscurantismo, a injustiça e a opressão”.

A Peste é a vida em comunidade. Oran, uma cidade imaginária na costa argelina, é acometida por uma impossibilidade: um surto de peste bubônica na segunda metade do século XX.

Continue lendo

Todo revoltado, só pelo movimento que o soergue diante do opressor, defende a causa da vida, comprometendo-se a lutar contra a servidão, a mentira e o terror e afirmando, com a rapidez de um raio, que estes três flagelos fazem reinar o silêncio entre os homens, obscurecendo-os uns aos outros e impedindo que se reencontrem no único valor que pode salvá-los do niilismo: a longa cumplicidade cujo limite é precisamente o poder de revolta de dos homens em conflito com seu destino.

A revolta não é, de forma alguma, uma reivindicação de liberdade total; pelo contrário, ela ataca permanentemente a liberdade total, contesta o poder ilimitado que permite ao superior violar a fronteira proibida. Longe de reivindicar uma independência geral, o revoltado quer que se reconheça que a liberdade possui limites em qualquer lugar em que se encontre o ser humano, já que o limite é o seu poder de revolta.

Ele não humilha ninguém; a liberdade que quer é a mesma que reivindica para o outro, a que recusa a proíbe para todos. Sua lógica profunda não é a da destruição, mas a da construção. A lógica do revoltado é querer servir à justiça a fim de não aumentar a injusta condição humana, esforçar-se no sentido de uma linguagem clara para não aumentar a mentira universal e apostar, diante do sofrimento humano, na felicidade.

A história das revoluções mostra que quase sempre elas entram em conflito entre a justiça e a liberdade como se elas fossem inconciliáveis. A liberdade absoluta é o direito do mais forte dominar. Ela mantém os conflitos que beneficiam a injustiça. A justiça absoluta passa pela supressão de toda liberdade. A história em seu movimento puro, não fornece por si mesma nenhum valor. Um pensamento puramente histórico é niilista: ele aceita todo o mal da história, opondo-se nisso, à revolta. De nada adianta afirmar a racionalidade absoluta da história; ela só se completará ao fim da história, na cidade de Deus na terra.

Continue lendo

Em: resenha | Tags:

A atitude do ser humano perante a morte ao invés da morte em si não seria a busca de um mistério primordial? Talvez seja preciso descortinar as paixões profundas perante a morte, considerar o mito da morte em toda a sua humanidade, para somente depois visualizar a morte nua, desumanizada, em sua simples realidade biológica; ela, que não possui essência alguma, pois que é simplesmente o nada, um nada que encerra uma tremenda realidade. Ou seja, no dizer de Morin, “a morte é a mais vazia das ideias vazias, com seu conteúdo impensável, inexplorável, e a ideia da mesma é traumática por excelência”.

La Rochefoucauld, ao refletir sobre a incapacidade de o ser humano encarar a morte, escreveu: “nem o sol nem a morte podem ser vistos de frente”. Encará-la pode tanto nos cegar sobre seus mistérios como também nos fazer olhar no poço de nossa existência, que é um poço sem fundo, onde apenas veremos a imagem de nosso eu refletida, tão só, tão terrivelmente só, como diria Mann.

Não existiu nenhum grupo, por mais arcaico que fosse que abandonava os seus mortos, ou o fizesse sem os ritos preliminares. As pedras funerárias estão ali para proteger o morto contra os animais e assegurar-lhe alguma maneira de sobrevivência. O antropólogo Fraser insiste em um importante aspecto da universalidade da crença na imortalidade “como um prolongamento da vida por um período de tempo indefinido, não necessariamente eterno. A crença na imortalidade faria desta uma metáfora da vida”. Dialeticamente, a consciência da morte causa um trauma, que necessita da imortalidade como contraponto. Segundo Freud, “no fundo ninguém acredita em sua própria morte, ou o que dá no mesmo, em seu inconsciente cada um está persuadido de sua própria individualidade”.

No entanto, a dor pela morte só ocorre se o morto for próximo e tiver reconhecida sua individualidade, como ser único, insubstituível, daí a emoção-choque, o terror, a dor, o sentimento de ruptura, o trauma. Temos a consciência de um vazio, de um nada, que se abre onde havia plenitude individual. O traumatismo da morte é, então, um fato não menos fundamental que a consciência do fato da morte e na crença na imortalidade. Quanto mais o homem descobre a perda da individualidade por traz do cadáver, mais ele é afetado pela morte, mais descobre que ela é a perda irreparável da individualidade. Goethe afirmou que “a morte de um ser próximo é sempre incrível e paradoxal, uma impossibilidade que se transforma em realidade. Esta aparece como um castigo, um erro, uma irrealidade.”

Caso o morto não seja alguém próximo, a dor simplesmente não existe; e se algo dela existir será uma espécie de solidariedade distante.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

Dois dias após conceder à rádio Record a última entrevista de sua vida, na qual defendeu a campanha “O Petróleo é Nosso”, Monteiro Lobato faleceu aos 66 anos de idade. O seu corpo foi velado na antiga Biblioteca Municipal de São Paulo e em seu cortejo fúnebre havia mais de dez mil pessoas. O Repórter Esso do dia 4 de julho de 1948, na voz de Heron Domingues, assim anunciou sua morte,… “e agora uma notícia que entristece a todos: acaba de falecer o grande escritor e patriota Monteiro Lobato!” 

Monteiro Lobato, nascido em 1882, paulista de Taubaté, ao seu modo representou o ímpeto pioneiro, renovador, criador de tantas iniciativas fecundas e ousadas aventuras que formataram o Brasil moderno. Advogado sem vocação foi promotor público na cidade de Areias. Depois, teve sua experiência como fazendeiro, quando suas ousadias inovadoras agro-pecuárias demonstraram-se desastrosas, mas “enquanto o fazendeiro se enterra, o escritor se levanta”, diz seu biógrafo Edgard Cavalheiro, porque os melhores “frutos da fazenda” foram Jeca Tatu (1919) e Urupês (1918).

No pequeno volume de Jeca Tatu havia algo de novo, “um instrumento claro de luta contra o atraso cultural de nosso país, contra a miséria e o conservantismo corrupto e corruptor”; Urupês, por sua vez, “era um brado de revolta que não se ouvia desde os Sertões de Euclides da Cunha”, no entender de Astrojildo Pereira. Os livros, que coincidiram com a greve geral de 1917, e com a onda de reivindicações operárias que se alastrou por todo o país até os anos 20, expressavam literariamente novos anseios populares. 

Continue lendo

Em: ensaio | Tags:

A geração que passou para a história como a “geração dos anos sessenta”, foi o marco de um grande momento histórico: o ressurgimento massivo dos espíritos livres por quase toda a face da velha Terra, um fenômeno especial e tão tumultuoso que influenciou a política, as artes, os costumes e até mesmo o próprio modo de o ser humano relacionar-se com a natureza.

Falamos dos anos sessenta, mas não podemos deixar de ressaltar que este momento, o do despertar dos “espíritos livres”, já ocorreu centenas de vezes na História da humanidade; alguns deles duraram períodos mais longos como o despertar do Renascimento; outros foram mais rápidos, e, em compensação a chama acesa brilhou com muito mais intensidade, como em 1789, na Grande Revolução Francesa; nas barricadas de 1848 que varreram a Europa reacionária; em 1871, na Comuna de Paris e no outubro de 1917, na Rússia libertária.

Sempre que os espíritos ousaram se libertar, eles assumiram a responsabilidade de mudar o mundo e sob sua ação nada mais permaneceu como era antes. Nem mesmo é importante o fato de que o sentido destas mudanças tenha se perdido ou se desvirtuado no seu próprio processo de vida, que os ideais revolucionários tenham sido substituídos pelo bem-estar pessoal e pelo espírito dos burocratas; o mais importante, o que definitivamente conta é que os espíritos livres fizeram a História da Humanidade e nela escreveram as linhas mais belas, as mais humanas, até mesmo “demasiadamente humanas”.

Continue lendo

Em: ensaio | Tags: