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resenha

“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, uma das obras mais revolucionárias e inovadoras da literatura brasileira, é antes de tudo uma sátira social e de costumes, muito bem definida pelo próprio autor como fundadora do seu “realismo fantástico”.

O pano de fundo é a sociedade escravocrata de meados dos anos oitocentos. A elite política e econômica que praticamente se confundem, mantém um comportamento absolutamente retrógrado do tipo senhor-escravo, mesmo que parcela da mesma se dê ares de um pseudo liberalismo. Uma vez na Corte ou nas Províncias, seus membros exercem a política baseada no compadrio e na corrupção, ou apenas nada fazem na vida, exceto flanar. Já o trabalho real ou é escravo, ou é exercido por agregados, em situações de submissão clientelista.

Essa é a centralidade do enredo de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Machado de Assis com este trabalho se antecipou a muitos elementos do modernismo e do realismo mágico.

No romance não existe uma única frase que não tenha uma segunda intenção ou um propósito espirituoso e se nos colocarmos a certa distância do texto, fica simples entrever as grandes linhas da estrutura social de classes e são essas que dão a terceira dimensão ou integridade ao romance, segredos  da obra de um gênio.

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Por volta dos cinquenta e cinco anos de idade, o maior escritor russo de sua época, o autor de “Guerra e Paz”, a “Ilíada” do povo russo, e de “Anna Karenina”, Liev Tolstoi interrompe toda a sua produção artística e chega mesmo a renegá-la. Em sua crise existencial tudo perde valor e sentido, pois percebe o nada imenso de seu destino, assim como o de todo o ser humano.

Deste momento em diante seu olhar se voltará para a compreensão do inexplicável, buscará contemplar a angústia primitiva do ser humano e, talvez como poucos, terá a coragem de encarar resolutamente o problema que o destino impõe ao homem: a humanidade interrogando seu próprio destino!

“Por que viver? Qual a causa de minha existência e a dos outros? Que finalidade tem minha vida e a de todos os seres vivos? O que significa a dualidade entre o bem e o mal que sinto em mim? Como devo viver? O que é a morte? Como poderei salvar-me?” São frases que anotou em uma folha de papel, sua companheira por toda a vida.

Livra-se de toda literatura e em seus estudos somente têm lugar os filosóficos. Como nos filósofos tão pouco encontra respostas, afasta-os e debruça-se sobre um único livro: a Bíblia.

Mas como alcançaria seu objetivo aquela mentalidade aberta, desafiadora, um cristão primitivo em sua essência anarquista em textos míticos e históricos?

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Poderíamos imaginar que um escritor genial como Tolstoi tomaria os últimos vinte anos de sua vida para escrever Khadii Murat? Que, quando ele abandonou a casa familiar em Krasnaia Polyana, pela última vez antes de morrer de pneumonia numa estação ferroviária, carregava consigo mais de duas mil páginas, e dentre elas o original de sua colossal novela ainda inconclusa?

Enquanto a inspiração ao escrevê-la advinha de memórias da juventude, os propósitos eram descortinar na alma humana tudo o que ela tem de digno e de covarde, de honrado e de abjeto. Talvez seja ao alvorecer do século XX, o mais claro berro de horror contra o despotismo e à guerra posto na literatura.

Em meados do século XIX a Rússia czarista, na expansão de seu império, guerreou contra as tribos muçulmanas da Tchetchênia. A memória de Tolstoi trazia reminiscências do serviço militar prestado pelo escritor quando jovem.

A personagem Maria Dmitrievna, esposa de um major russo, assim se expressa a respeito dos bravos oficiais czaristas:  “Vocês são assassinos, não os suporto, uns verdadeiros assassinos. Não me venham dizer que os massacres sejam coisas da guerra, vocês são assassinos e é tudo.”

Existem diferenças significativas entre o fanatismo religioso, sectário e tribal, que propaga a violência, a vinganças, a intolerância e o ateísmo real, travestido da religiosidade oficial que incendeia aldeias, mata população civil, regurgitando o bafo de vodka? A resposta para Tolstoi é sim e não, ou seja, a responsabilidade maior pelas desumanidades da guerra é do invasor, daquele que quer impor o poder despótico do Czar. Os tribais reagem e aglutinam a violência sectária, inclusive contra seu próprio povo. Também eles se desumanizam na guerra.

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“A Lei”, antepenúltimo conto escrito por Thomas Mann é geralmente considerado uma “alegoria do poder” e, mais particularmente, “uma alegoria da libertação face ao Terror, o Egito podendo ser comparado à Alemanha nazista e seu faraó a Hitler”.

Mann mostra-nos o libertador do povo hebreu a partir de uma visão mundana, porém altamente espiritualizada, da qual resulta a figura de um líder civilizador, revolucionário dos costumes e das crenças de seu povo e, ao mesmo tempo, um déspota místico-ideológico.

O nascimento de Moisés reduz-se ao apetite sexual que seu pai, escravo hebreu, despertara na filha do Faraó Ramsés. O pai, assassinado imediatamente após a satisfação da Princesa, como era de costume, deixou-lhe um filho.

A gravidez foi acobertada e na ocasião do nascimento da criança, todos os cuidados tomados:  o bebê foi encontrado num pequeno cesto e recolhido pelas serventes da Princesa. Esta lhe deu como mãe adotiva uma israelita e ele ganhou irmãos. Chamaram-no, então, Moisés, que significa “filho”. Mas filho de quem?

Quando jovem, foi tirado de seus pais de adoção e colocado no mesmo internato dos filhos da realeza. Assim, Moisés aprendeu astronomia, geografia, a escrita e as leis. Como todos, ele também sabia sobre sua origem: o Faraó Ramsés, o construtor, era seu verdadeiro avô e isso lhe dava ganas de assassinar aqueles que se divertiam com seu nascimento. Talvez, graças ao precisamente a este, Moisés cresceu “amando apaixonadamente a ordem, o inviolável, a regra e a proibição”.

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(Em homenagem ao Centenário do nascimento de Albert Camus)

Todo revoltado, só pelo movimento que o soergue diante do opressor, defende a causa da vida, comprometendo-se a lutar contra a servidão, a mentira e o terror e afirmando, com a rapidez de um raio, que estes três flagelos fazem reinar o silêncio entre os homens, obscurecendo-os uns aos outros e impedindo que se reencontrem no único valor que pode salvá-los do niilismo: a longa cumplicidade cujo limite é precisamente o poder de revolta de dos homens em conflito com seu destino.

Compreender a revolta não é, de forma alguma, uma reivindicação da liberdade total; pelo contrário, aquela ataca permanentemente a liberdade total, contesta o poder ilimitado que permite ao superior violar a fronteira proibida. Longe de reivindicar uma independência geral, o revoltado quer que se reconheça que a liberdade possui limites em qualquer lugar em que se encontre o ser humano, já que o limite é o seu poder de revolta.

O revoltado não humilha ninguém; a liberdade que quer é a mesma que reivindica para o outro, o que recusa, o proíbe para todos. Sua lógica mais profunda não é a da destruição, mas a da construção. A existência que o sustém desmorona, se a revolta não se sustenta.

A lógica do revoltado é querer servir à justiça a fim de não aumentar a injusta condição humana, esforçar-se no sentido de uma linguagem clara para não aumentar a mentira universal e apostar, diante do sofrimento humano, na felicidade.

A história das revoluções mostra que quase sempre elas entraram em conflito entre a justiça e a liberdade, como se ambas fossem inconciliáveis. Uma falácia, dado que a liberdade absoluta será sempre o direito do mais forte dominar o mais fraco. A justiça absoluta, caso utopicamente se realizasse, passaria pela supressão de toda liberdade.

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Escrito em 1875, logo após “Notas do Subsolo”, “Krotkaia” nos aporta uma problemática atualíssima na relação a dois: a fatalidade humana ligada ao egoísmo, ao orgulho, à vaidade, à arrogância, à mesquinhez, a opiniões e idéias que exigem meios ilícitos e sacrifícios dentro de uma relação conjugal.

Em Dostoievski, escritor existencialista com quase um século de antecipação,  o homem e todo o conjunto de suas emoções e pensamentos são o eixo do universo, em conformidade com Sartre: “A existência precede e governa a essência”.

Pouco antes da primeira publicação de “Krotkaia”, ele redige no seu “Diário de um escritor” comentários a respeito de uma notícia jornalística: uma costureira, recém-casada,  atingida pela miséria, suicidara-se em Moscou, jogando-se da janela de um alto edifício, agarrada a uma imagem da Virgem. Em vez de um bilhete de despedida, um ícone sagrado. Era o mote do qual se originaria “Krotkaia”.

O conto consiste em um monólogo interior de um homem diante da esposa morta, que se jogara da janela do quarto, suicidando-se agarrada a um ícone.

Ele, nobre, Ela, plebéia. Ela, dezesseis anos, Ele, quarenta e um. Ele é um homem solitário, autoritário, articulador, vive da usura e do penhor (Dostoievski, por tanto depender dos “penhoristas”, odiava-os), com passado desdenhado pelos que o conhecem (covardia num duelo, expulsão do regimento, decadência moral e financeira da qual fora salvo por uma herança), contumaz no jogo do silêncio, da sedução e da contradição.

Ela, uma professora desempregada, órfã, miserável, submissa, com arroubos doentios, arvora-se “o direito de amar”; ignorando muito da vida adquiriu convicções gratuitas, sendo ao mesmo tempo dócil e submissa,  podendo chegar à tirana impetuosa, agressiva e desvairada, nervosa e histérica. Vive assustada, pensativa, e está para ser “vendida” pelas tias para um gordo comerciante de mais de cincoenta anos.

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“A frieza na relação sexual é morte e imbecilidade”.

”Quer que eu lhe diga? Quer que eu lhe diga o que você tem e os outros homens não têm? (…) Coragem dos próprios sentimentos, coragem da ternura; essa coragem que o faz pôr a mão na minha bunda e dizer que a tenho magnífica!”

“O que os olhos não vêm e a mente desconhece não existe. A cada dia basta seu mal e a cada momento a aparência da realidade.”

David Herbert Lawrence ( 1885, 1930) foi um dos mais importantes modernistas  ingleses,  aquele que ao abordar a sexualidade e as relações humanas , pôs a nu os convencionalismos e os preconceitos. No conjunto, sua obra expõe uma profunda reflexão sobre os efeitos desumanizantes da modernidade e da industrialização.

Pese que sua vida tenha sido interrompida precocemente pela tuberculose,  suas contibuições estenderam-se a praticamente todos os gêneros literários:  novelas, contos, poemas, teatro, livros de viagens, traduções,  arte e crítica literária. Ademais, além de escritor, Lawrence era pintor e produziu obras expressionistas de valor.

“O Amante de Lady Chatterley” foi  considerado obsceno e proibido por mais de trinta anos na Inglaterra ( publicado na Itália em 1928, apenas em 1960 no Reino Unido) e circulou  clandestinamente nos países de língua inglesa. O uso de palavras tidas como “indecentes” ( o “amor à italiana”, por exemplo), as descrições dos atos sexuais, a relação entre uma burguesa- aristocrata e um trabalhador, a crítica à guerra, tudo isso eram afrontas ao conservadorismo e ao moralismo tradicional.

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O romance Pais e Filhos, do russo Ivan Turguêniev (1818-1883) é antes de tudo um clássico,  divisor de água, abridor de sendas. Um dos mais belos romances de cunho social escritos. Pode-se sem margem a dúvidas aplicar o adjetivo delicado, suave, eterno como sempre serão as florezinhas que brotarão na tumba onde jaz o jovem niilista Bazárov.

Às forças da natureza, ao tempo, o que incomodam o pensar e as angústias existenciais dos efêmeros? Esses filhos de Prometeu que devem continuamente optar pela negação ou pela afirmação em suas curtas existências, sem nem ao menos pensar que dentro de cinco, dez, trinta anos cada opção, afirmação ou negação, o que importará? Nada. Nihil.

Talvez ainda mais que por sua extensa obra, Turguêniev destacou-se por ter dado ampla circulação ao termo niilismo (embora não o tenha inventado). O niilista, explica Turguêniev por intermédio de um de seus personagens, “é uma pessoa que não se curva diante de nenhuma autoridade, que não admite nenhum princípio sem provas”.

Ao descrevermos Pais e Filhos como um clássico dentre os romances sociais, temos o dever de esclarecer que tudo nele está profundamente calcado na realidade russa. A Rússia de Turguêniev vivia no atraso de uma economia agrária e feudal, sob a autocracia czarista. Entretanto, um grande clamor por reformas se fazia ouvir, sobretudo nas camadas mais esclarecidas às quais Turguêniev pertencia. Essa foi, aliás, uma das grandes virtudes do escritor: analisar um quadro político e social de mudanças no momento mesmo em que estas  começavam a tomar forma.

Embora Turguêniev buscasse inspirações para as mudanças sociais em seu país no ocidente, isso não foi obce à amizade que por muito tempo o uniu a um eslavófilo como Dostoiévski, que apreciou tanto Pais e Filhos que inspirou-se nele ao estruturar algumas personagens centrais em seus romances como Roskhonikov, Ivan Karamazov e Smierdiakov.

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Em conformidade com a Bíblia Sagrada, que é sempre História e mito, Jacob já ostentava o título de Israel- o guerreiro de Deus- pelo qual a posteridade conheceria seus descendentes como a raça escolhida pelo Senhor de Abraão, quando conduzia todos os seus bens através dos caminhos perigosos que demandavam a Canaã.

Desde que empreendera a fuga dos domínios de seu sogro Labão, Israel era um homem rico que buscava um lugar seguro onde pudesse implantar as suas tendas, apascentar o gado e cultivar a terra. Seus bens incluíam suas duas mulheres, Lia e Raquel que, conjuntamente com as servas Bala e Zelpa, haviam-lhe gerado doze filhos (Benjamin ainda estava por nascer); dezenas de escravos e escravas, pastores e vaqueiros; mais de cinco mil cabeças de ovinos, burros, camelos e montaria.

Após longo caminhar, o séquito deixara para traz vales perigosos, até chegar a uma região relativamente calma, um pouco montanhosa, onde as flores, frutas e a cevada cresciam sem cultivo. E, ao fundo, guarnecendo o planalto, estava a cidade dupla de Siquém mais que centenária, com seus quinhentos habitantes, cercada por fortes muralhas.

Pode-se bem imaginar os sentimentos desencontrados com que o povo da cidade viu se aproximar a comitiva dos nômades de Israel. Quais seriam as suas intenções? A população de Siquém não era belicosa, mas pacífica, dedicada ao comércio e amante do conforto. Seu rei, Hemor, um velho artrítico e rabugento que nada negava ao príncipe seu filho, um fidalgote mimado, chamado, tal qual a cidade, Siquém. A guarnição da cidade era composta por vinte egípcios, acostumados à boa vida e confiantes no poder das grossas muralhas, assim como no distante poder do Faraó, a quem a cidade prestava suserania.

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A figura da Esfinge, misto de mulher e leoa alada, devoradora de homens, inquire Édipo sobre o enigma: “Qual é o ser que é dípous, tripous e tetrapous?”Gustave_Moreau_005

Nesta tragédia- tipo, as mesmas palavras irão, quando pronunciadas por pessoas diferentes adquirir sentidos ambíguos e mesmo opostos, dado o ponto de vista a que direcionem o seu valor semântico, quer seja o da linguagem religiosa, o do direito, ou o linguajar da pessoa comum.

A casa dos Labdácias trazia em si uma maldição, que principia com Pelops e tem continuidade com o coxo Labdco, pai de Laio. Laio, o pai de Édipo, que cometera na juventude uma desmedida: convidado por um amigo hospedara-se em sua casa e apaixonara-se por Crisipo, seu filho. Ultrapassara suas medidas imitando Zeus em sua pederastia divina, com Ganimedes. Além disso, Crisipo, pressionado pela voracidade sexual do pederasta, suicida-se e o pai amaldiçoa Laio.

Desta maldição decorrerá o oráculo apolíneo de que o filho que ele tivesse o mataria e casaria, em incesto, com sua mulher. Laio evita filhos, mantendo apenas relações anais com Iocasta, sua mulher, até que um dia, embebedado, desvirgina-a. Agora Jocasta engravida e dará à luz o filho destinado a cumprir o oráculo maldito, Édipo, “o dos pés inchados”.

Édipo-Rei passa-se em Tebas, diante do Palácio de Real, onde o coro dos anciões joelhado, representando o povo, é acompanhado pelo sacerdote de Zeus. O fato de estar ajoelhado é um símbolo de que Édipo era tratado como um deus ou como um tirano, pois tudo podia e sabia. “Édipo, tu que és o mais sábio dos homens”. Pela boca do sacerdote o rei será comunicado sobre calamidades que assolam a cidade: a peste que a dizima, a infertilidade do gado e das mulheres. Édipo declara-se condoído pela dor dos tebanos, que, inclusive, “padece as dores de toda a cidade, e as próprias dele.” Declara ter enviado Creonte, seu cunhado ao templo de Apolo para consultar o oráculo sobre o que fazer para salvar a cidade. E assina pela própria palavra a sua sentença futura ao dizer: “considerai-me um criminoso se eu não executar o que o deus ordenar”.

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