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conto

A casa antiga de três andares um dia abrigara uma família de posses, elegante. Quem saberia dizer desde quando havia sido abandonada aos gatos, aos ratos, aos insetos e aos pássaros? Parte do telhado havia cedido e as marcas da umidade que avançava eram visíveis mesmo do lado de fora do imóvel.

Há algum tempo, dizia a vizinhança, alguém interessado em apropriar-se do terreno por lá aparecera e, trazendo consigo dois ou três trabalhadores erguera um muro na porta de entrada e cerrara as janelas com tábuas. Pouco lhe importava a deterioração pela qual passava o sobrado. Contava com que o tempo tudo destruísse.

Certo dia o sobrado abandonado foi descoberto por um pequeno grupo de desvalidos da sorte que polvilham minha cidade. Sem muita discussão ou pedido de licença, a um primeiro pontapé bem aplicado seguiram-se outros; como por acaso, um dos arrombadores trazia em sua carroça de trastes da rua, uma barra de ferro. Logo a paliçada foi ao chão e cada qual foi se acomodando como podia.

Existem notícias que circulam com as asas do vento. O certo é que não tardou para muitos moradores sem teto, dos mais diferentes pontos da cidade, descobrissem aquela ancoragem e a ocupassem.

As famílias maiores e as mais fortes ocuparam os melhores quinhões do imóvel, o que logicamente excluía o porão escuro e úmido da casa antiga. Somente este espaço foi o que restou para as mulheres sem companheiros, algumas com crianças enfraquecidas.

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“Porém dentro de seus limites, minha capacidade de sofrimento também marcará um termo às minhas dores, além do qual o padecimento não poderá prolongar-se, sendo como é, limitado. Tu me pintas o prazer e a dor como incomensuráveis, mas exageras, porque nenhum dos dois ultrapassa a capacidade humana”. ( Thomas Mann, “José e seus irmãos”)

Sonho primeiro (durante a greve de fome na Penitenciária do Estado).

Quando eu caminhava pela mata e perseguia alguma presa me sentia livre, no entanto, o coelho pulsava no meu coração. Quando fugia dos meus bestiais predadores, os caçadores, me sentia livre, e um homem pulsava em meu coração.

Mas um dia, na louca disputa para me alimentar, sentei numa armadilha e me dei conta de que era uma armadilha para raposas. Só então me ocorreu ser uma raposa; enrodilhado na malha contorci-me até o desespero e de meu coração desapareceram tanto o coelho quanto o homem.

Com o tempo fui me adaptando à prisão e a perda da liberdade deixou de me pesar. Sei que vivi um longo tempo na armadilha. Até que um instinto, nada mais que um instinto obrigou-me a lutar contra a teia que me recobria naquele tipo de vida. Lutei, então, com todas as minhas forças na tentativa de escapulir, mas os nós bem arranjados da malha não o permitiram. Como prêmio por meus esforços, tive um bocado de pele dilacerada.

Aquela mata, meu pedaço de chão estranhou-me. Senti muito frio, talvez todo o inverno do mundo tenha estado presente naquele canto de prisão.

Desejei novamente escapar, fugir da armadilha ou ao menos arrumar uma manta emprestada, pois a pele perdida na tortura não tornara a crescer, tosada todo o tempo pelas infindáveis culpas que só o conhece aquele que já teve tanto um coração de lebre quanto um de homem caçador.

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Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar na calada da noite ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo, naquela noite de quatro de novembro de 1969. O homem desconfiado, precavido, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções, de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra.

Quando se deteve frente a mim, percebi que a cada passo dado as feridas cicatrizavam; as unhas, ao tocarem o tampo da mesa onde eu estava, recompunham-se. A respiração ofegante sossegava.  Os lábios sorriam para mim num sorrir franco.

Ele todo irradiava a felicidade que se tem ao chegar a um porto seguro. Olhou-me e notei seus olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder como eu nunca havia visto outro igual.

Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Predadores que inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. Agora, para o recém-chegado, a corrida e o labor haviam chegado ao fim.

Era o homem que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades, para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que dos próprios devaneios retiravam o alimento único para a alma combalida, conduzida a tremendos embates.

Sentei-me a seu lado. O que passaria por trás dos olhos fechados dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante descortinei uma fileira de outros homens, livres de todas as amarras caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, de um amar que é o viver, o sofrer e o morrer.

E a esse projeto mágico dedicara-se desde todo o sempre o espírito daquele que repousava ao meu lado, que desesperadamente buscara por iguais em todo o universo, seres libertos para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.

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***Trecho adaptado do conto “Benvinda”, da coletânea “Máscaras de Perséfone” , lida pelo autor durante ato realizado pelo transcurso de quarenta e cinco anos do assassinato de Marighella.

Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar na calada da noite ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo. O homem desconfiado, precavido, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções, de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra.

Quando se deteve frente a mim, percebi que a cada passo dado as feridas cicatrizavam; as unhas, ao tocarem o tampo da mesa onde eu estava, recompunham-se. A respiração ofegante sossegava.  Os lábios sorriam para mim num sorrir franco. Ele todo irradiava a felicidade que se tem ao chegar a um porto seguro. Olhou-me e notei seus olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder como eu nunca havia visto outro igual.

Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. Finalmente, para o recém-chegado, a corrida e o labor haviam chegado ao fim.

Era o homem que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades, para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que dos próprios devaneios retiravam o alimento único para a alma combalida, conduzida a tremendos embates.

Sentei-me a seu lado. O que passaria por trás dos olhos fechados dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante descortinei uma fileira de homens, livres de todas as amarras caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, amar, viver, sofrer e morrer. A esse projeto mágico dedicou-se desde todo o sempre o espírito daquele que repousava ao meu lado, que desesperadamente buscara por iguais em todo o universo, homens, mulheres e crianças libertas para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.

E a cada sonho, ele e seus companheiros de viagem combatiam forças muito superiores às suas, que os destruíam, que os matavam, esquartejavam, mas que jamais os impediam de tornar a reviver, de se multiplicarem em outros corpos no sonhar coletivo.

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Quem me conhece socialmente não pode imaginar o rio de desencanto e perversão que correm juntos por minhas veias, num sangue feito fel, que nada mais faz que transportar o desalento de uma vida que se arrasta, se arrasta… 

Sou afável, conversador, e os que me encontram pelas ruas do mundo até julgam descobrir em mim alguém de certo humor, na têmpera do viver. E talvez eu seja assim porque alguém como eu tem que buscar atrair alguma simpatia ou, quem sabe, o olhar comparsa de outro ser que se me assemelhe nos vícios, na canalhice e no desalento. Afinal, todo decadente precisa ainda assim de certo amparo, e somente o logra encontrar quando da compania de pessoas ingênuas ou, então, de seres que se lhe pareçam, para os quais a torpeza e o desalento sejam o pão e a carne de todo dia. 

Confesso ser um tipo muito perspicaz, mesmo porque não se pode ser canalha sem argúcia e eu lhes garanto que somente quem se fixar no meu modo de olhar oblíquo com habilidade, poderá encontra alguma pista real de minha personalidade. 

Mas não se vá pensar que eu tenha sido sempre assim. Não, isto não é verdade! Pois, creiam-me, já tive até mesmo dias de glória, de prazer, de muita companhia. Afinal, fui jóvem, promissor, amado, competente…Até o dia em que eu simplesmente preferi nada fazer. 

Do dito, não se vá imaginar que em algum momento do meu passado, eu tenha compartilhado da felicidade idiotizada dos simplórios e dos ingênuos; apenas que, na juventude, deles também necessitava para respirar. Afinal, engolir o purgante da idiotice, da credulidade e da vulgaridade era uma maneira de conviver com aqueles por quem eu nutria o mais amargo desprezo. Era em seu meio que meu egocentrismo podia se espalhar e a minha vaidade podia se nutrir da estupidez daqueles parvos e onde a minha soberbia tornava-se intocável. 

Enfim, como já disse, teve um momento em que toda a minha vida ativa de homem prático, por ser destituída de qualquer sentido, chegou ao fim e eu preferi nada fazer. Foi então que num de meus passeios encontrei-me com alguém que, apesar de há muito tempo não ver, sempre se me assemelhou no meu sentir. Meu amigo Melville. 

Escritor afamado no seu então, ele me aconselhou a que eu me ocupasse em escrever, pois, no seu dizer, “a vida se arrastaria menos devagar, e, talvez, aí sim, com certa dose de parcimônia, você poderia filtrar um pouco de seu desalento, destilar em gotas o fel que lhe consome…” Mas qual, eu disse ao meu amigo, “eu prefiro não fazer…e  escrever para quem, para que, e onde encontrar um editor tão estúpido que concorde em editar o que eu teria para por no papel? Não, Melville, eu prefiro, realmente, não fazer”. 

 Foi então que meu amigo me falou de um tal de Bartleby, um escrevente como tantos que povoavam nossos cartórios, como alguém que, de repente, como eu, “preferia nada fazer”. Meu amigo conheceu-o naquela época em que os correios não possuiam a concorrência arrazadora dos “e-mails”, aliás meu interlocutor mostrou-se muito curiososo para saber como isto funciona, mas esta já é outra história que um dia ainda contarei. 

Voltemos ao senhor Bartleby, o copista. Ele trabalhara num departamento do correio, o de cartas devolvidas. Disse-me Melville: “Cartas mortas, isto não soa como homens mortos? Imagine um homem que por natureza tem a tendência a uma insidiosa desesperança. Alguma atividade pode ser mais apropriada  para aguçar essa desesperança do que manipular cartas mortas e separá-las para o fogo? Com mensagens de vida, essas cartas caminhavam para a morte”. E aduziu: “É meu amigo, Bartleby era um escrevente já sem alma, ela toda se consumira nos milhares de cartas com mensagens vivas que se destruíram no fogo. Por isso ele dizia que a tudo “preferia nada fazer…” 

Eu entendi perfeitamente a mensagem que, com Bartleby, meu amigo me passara. Chegando a minha casa, puz-me a escrever, eu “que preferia não fazer…”. 

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Um amigo meu, Melville, contou-me certo dia uma história muito interessante a respeito dos direitos e regulamentos da pesca às baleias. Na época em que ele ainda viajava pelos sete mares à bordo do Pequod, o único código baleeiro formal era já muito antigo, feito por volta do início do século dezoito e que, na sua essência, dizia:
1. Um peixe preso pertence à parte que o prende;
2. Um peixe solto é caça legítima de quem o apanhar primeiro.
O que, frizou-me o amigo, muito prejudicava a aplicação desse código era a sua “admirável brevidade”, dado que necessitava muitos comentários para ser interpretado. O que é um peixe preso? Vivo ou morto, um peixe está preso do ponto de vista técnico quando amarrado a um navio ou a um bote tripulado, quer seja pela corda de um arpão, por uma linha, por um remo, ou até mesmo por teia de aranha, pois pouco importa. De modo semelhante, o peixe também é dado como preso quando carrega algum símbolo reconhecível de posse, sempre que o assinalante demonstre claramente capacidade de carregá-lo a bordo.
A parte estas considerações, meu amigo contou-me uma história antiga de apropriação indébita ocorrida nos mares da Inglaterra e que terminou nas barras da justiça. Os autores da ação declararam, após uma caçada difícil a uma baleia, terem-na arpoado, mas que devido a risco de morte haviam sido obrigados a abandonarem a presa, assim como o arpão, arpoeira e o próprio bote. Os réus que estavam em um navio próximo, não se fizeram de rogados e empulhando suas lanças terminaram por matar o cachalote e dele se apropiaram na frente daqueles que o haviam arpoado, com todo o mais que flutuasse. Deste modo, a parte queixosa pleiteava receber o valor da baleia, arpoeira, arpões e barco.
Durante o julgamento, o advogado da defesa espertamente recorreu a um caso criminal recente. Um homem depois de tentavas vãs de repressão dos instintos sexuais da mulher, abandonara-a nos mares da vida; no decorrer dos anos arrependera-se e movera uma ação na tentativa de recuperar a posse da mesma, sem, entretanto, obter ganho de causa na justiça. O rábula dizia que se era verdade que o cavalheiro, no passado, arpoara a senhora e a tivera presa, ao abandoná-la, transformara-a em peixe livre para que qualquer outro fincasse-lhe o arpão e dela se apropriasse. Dizia, em conclusão, que o caso da baleia e da senhora se ilustravam reciprocamente, e constituiria uma “certa jurisprudência”.
Muito bem, o magistrado julgou a comparação pertinente. Que os réus tinham direito à posse da baleia, pois no momento em que ela fora abandonada pelos autores da ação, ela era um peixe livre. Que os arpões e arpoeiras que a baleia trazia presos ao costado, constituiam posse do próprio cetáceo e, desta forma, passariam à propriedade de quem o caçasse, ou seja dos réus. Somente o bote deveria retornara aos queixosos.
Ao perceber a minha reação contrária à disposição do ilustre juiz inglês, Melville simplesmente sorriu e disse-me que os preceitos relativos ao peixe preso e peixe solto, constituem os fundamentos de toda a jurisprudência humana, pois “apesar de seus complicados traçados, os Templos da Lei e o dos Filisteus têm apenas duas colunas a apoiá-los”. E prosseguiu: “Não se diz por aí que a posse é meia propriedade, sem se levar em conta como se obteve essa posse? Mas frequentemente a posse é o direito de propriedade”.
Passou, então, a citar-me alguns exemplos: o que seriam os músculos e as almas dos escravos e dos servos, senão peixes presos cuja posse significa todo o direito de propriedade? O que é para um proprietário de terras a última migalha de uma viúva senão peixe preso? O que é a mansão de um vilão encoberto senão peixe preso? O que significa o ágio que os bancos cobram daqueles que necessitam de dinheirto emprestado senão peixe preso? O que são os salários altíssimos dos alto dignatários senão peixes presos? O que seriam as fazendas herdadadas e as propriedades citadinas senão peixes presos? Não seriam as grilagens todas formas de posse que se transformam em propriedade, portanto, peixe preso?
Apressou-se meu amigo a dizer-me que se a doutrina do peixe preso é bastante disseminada, a do peixe solto o é ainda mais amplamente, sendo internacional e universalmente aplicada. O que era a América em 1492 senão peixe solto quando aqui aportaram os colonizadores? O que era o Brasil com suas imensas riquezas e seus índios mansos, senão peixe solto, cuja posse tornaram-nos peixe preso? E a índia para a Inglaterra? E os países árabes para os Yankees? Todos peixes soltos.
Mas os que são os Direitos Universais do Homem, sua Liberdade senão peixes soltos? O que são as menteS e opiniões de todos os homens senão peixes soltos? O que é o princípio da crença religiosa dentro dos mesmos senão peixe solto? E as reflexões dos pensadores? Que é o grande globo terrestre senão peixe solto?
E você que me lê, o que você é? Eu garanto, que assim como eu mesmo, você é peixe preso, mas também peixe solto, senão jamais perderia tempo comigo.

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