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Em 1895, um movimento no sertão baiano liderado por um beato de nome Antônio, conhecido como Conselheiro juntou mais de oito mil sertanejos miseráveis na fundação de um arraial, “O Império de Belo Monte”, que passaria para a História como Canudos.

Ademais de condenarem a República, sobre a qual quase nada sabiam, formaram uma verdadeira congregação religiosa, preparando-se para um futuro de justiça e prosperidade que viria após o Juízo Final.

O sertão nordestino era uma terra de latifúndios improdutivos, de secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos famintos partiram para Canudos unidos na crença de uma salvação de corpos e de almas. Chegando ao arraial, organizavam-se como podiam e conseguiam sobreviver na solidariedade e em suas crenças de salvação espiritual.

Aos primeiros seis mil, mais de trinta mil sertanejos se somariam. Surgia uma comunidade camponesa que, além de abolir a propriedade privada, recusava-se a pagar impostos. A atitude de rebeldia e a capacidade de sobrevivência demonstrada por eles eram um péssimo exemplo que os coronéis nordestinos e sua aliada, a Igreja Católica, não poderiam permitir que se disseminasse.

Estes pressionaram a República exigindo o aniquilamento do movimento. Criaram factoides que a imprensa reproduzia: Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia.

No entanto, a resistência heroica de mulheres, homens e crianças fariam com que somente a quarta expedição punitiva do Exército de Caxias conseguisse dizimá-los, desfazendo a miragem de uma sociedade de justiça e fartura que se formatara no imaginário evangélico do paupérrimo sertão brasileiro.

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Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar na calada da noite ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo, naquela noite de quatro de novembro de 1969. O homem desconfiado, precavido, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções, de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra.

Quando se deteve frente a mim, percebi que a cada passo dado as feridas cicatrizavam; as unhas, ao tocarem o tampo da mesa onde eu estava, recompunham-se. A respiração ofegante sossegava.  Os lábios sorriam para mim num sorrir franco.

Ele todo irradiava a felicidade que se tem ao chegar a um porto seguro. Olhou-me e notei seus olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder como eu nunca havia visto outro igual.

Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Predadores que inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. Agora, para o recém-chegado, a corrida e o labor haviam chegado ao fim.

Era o homem que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades, para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que dos próprios devaneios retiravam o alimento único para a alma combalida, conduzida a tremendos embates.

Sentei-me a seu lado. O que passaria por trás dos olhos fechados dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante descortinei uma fileira de outros homens, livres de todas as amarras caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, de um amar que é o viver, o sofrer e o morrer.

E a esse projeto mágico dedicara-se desde todo o sempre o espírito daquele que repousava ao meu lado, que desesperadamente buscara por iguais em todo o universo, seres libertos para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.

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Trata-se de um dos romances mais curtos da maturidade de Dostoiévski, escrito em apenas três meses, vindo à luz em 1870. Muitos dos temas mais caros ao autor estão nele referidos de uma maneira compacta: o mau trato a crianças no interior dos lares, o tormento psicológico carregado de culpas, as figuras jocosas e ao mesmo tempo trágicas de um “eterno marido”, daqueles que chegam ao extremo da degradação humana sem conseguir “curarem-se”.

Em poucos de seus tantos escritos, observamos um Dostoiévski mais livre, sarcástico, irônico e por que não, bem humorado. Ele vivia uma realidade pessoal de todo modo nova: seu casamento com Ana Grigorievna era harmonioso e ela engravidara pela segunda vez; sentia saudades da Pátria, pois residia em Dresden (fugira da Rússia devido às dívidas que poderiam levá-lo à cadeia), mas em compensação nem os credores, nem os censores oficiais lhe batiam à porta. Há algum tempo também deixara as roletas e os baralhos, considerando-se curado do antigo vício do jogo.

O Eterno Marido insere-se num ambiente de costumes sociais e literários em mutação.

O “eterno marido” é aquele que complementa a mulher, numa inversão da moral corrente da mulher submissa, a esposa socialmente aceita.

A grande Revolução Francesa de 1789 erguera a mulher-cidadã ao mesmo patamar do homem-cidadão. A Restauração pós-napoleônica, entretanto, fizera a condição feminina retroagir a antes da revolução burguesa: submissão ao marido, mulher objeto, esposa decorativa e procriadora. Somente após 1830, ao mesmo tempo em que na Europa ocorre um abrandamento da repressão política, gradualmente, a mulher irá reiniciar um longo processo de reconquista de seus direitos.

Na literatura, Balzac, idolatrado por Dostoiévski, foi entre os anos 1830/ 1840 o primeiro a romper com as cortinas da hipocrisia. O “ciclo de Vautrin”, nas Ilusões Perdidas, apodera-se da homossexualidade masculina e define um perfil de mulher que se torna independente do machismo dominante. Em Pai Goriot a mulher busca seu futuro à custa do antigo terror familiar – um “eterno pai” tornado “manso” e escravizado pela ambição filial. Em A menina dos olhos de ouro, Balzac expõe a homossexualidade feminina, no que é seguido, em 1850, pelo próprio Dostoiévski com Nietochka Nezvanova.

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O Rio antigo, cidade das melindrosas e dos almofadinhas, “flaneurs” tropicais, cidade múltipla, carnavalesca, sentimental, terra de revoltas populares, de muitas alegrias e tristezas, de trabalho suado, de inclusão e exclusão social, da repressão e das conquistas populares, o Centro Político e Cultural do Brasil por quase dois séculos. Em 2015, a Cidade Maravilhosa completará quatrocentos e cincoenta anos!

Vivaldo Coaracy, um de seus maiores memorialistas, refere-se a episódios da História relacionados às lutas políticas e aos movimentos populares que os habitantes do Rio de Janeiro sustentaram nas mais diversas épocas contra o escravagismo, o colonialismo, a prepotência de usurpadores dos direitos populares e lutas por melhores condições de vida.

I- Nos tempos da Colônia

Os africanos escravizados foram trazidos pelos navios negreiros desde a sua fundação. Em 1583, o Governador Salvador Correa de Sá instituiu uma taxa por escravo trazido de África, oficializando o tráfico. Deixou ao português João Gutierrez Valério o monopólio das “carnes humanas”. As primeiras revoltas não se fizeram esperar. Os negros, primeiro de forma individual e, depois em grupos, fugiam para “os matos” em busca da liberdade. Os quilombos na Serra dos Órgãos multiplicaram-se rapidamente e, em 1625, foram considerados “um perigo público”.

A autoridade colonial instituiu prêmios para a prisão de negros fugidos, fixando taxas a serem pagas pelos proprietários dos mesmos. Uma nova profissão surgiu e prosperou na província, a dos caçadores de escravos denominados capitães-do-mato.

A Câmara Municipal decidiu, em 1640, organizar uma milícia civil armada, a primeira de tantas a serem criadas no Rio, que teria direito a dois terços do valor do escravo capturado, além de todas as “crias” que apanhasse no mocambo. O primeiro comando da milícia foi construída na fazenda dos Jesuítas, nos contrafortes da Serra dos Órgãos. Apesar de toda a repressão, a resistência quilombola permaneceria ativa e cresceria até mesmo após o treze de maio de 1888.

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Dentre os momentos mais marcantes da História da humanidade estão aqueles em que surgem as Religiões. A ideia que brota quase sempre de um único cérebro, transborda atingindo centenas, milhares e milhões. É precisamente esse o caso de um enorme conjunto de Seitas Religiosas, denominadas genericamente de “Religiões Neo-Pentecostais”, que se desenvolveram nos Estados Unidos da América a partir da última década do século XIX e empolgam, no século XXI, parcelas crescentes da humanidade em quase todos os continentes.

Os Neo-Pentecostais abrangem mais de dezenove mil denominações e congregam mais de trezentos milhões de seguidores. Possuem mídia televisiva e forte presença em todos os outros canais próprios de divulgação de massa. Influenciam a vida política das nações, compondo bancadas parlamentares cada vez mais influentes. Por vezes seu alvo é o Poder Central da República!

Estima-se que as seitas no geral movimentem mais de trinta bilhões de dólares anuais, boa parte dos quais com isenção de impostos e à margem de controles formais.

Encontraremos nessas crenças religiosas muitos pilares que lhes são comuns, tais quais a “doutrina da prosperidade” e a da “confissão positiva”; empregam conceitos comuns “a pobreza e a doença derivam de maldições, de fracassos, das vidas em pecado ou da falta de fé religiosa” e, em decorrência desses preceitos, um “verdadeiro cristão” deve ter a marca da plena fé, ser bem-sucedido financeiramente, possuir saúde física, emocional e espiritual.

Outro pilar comum na maior parte das Seitas é a permanente batalha espiritual entre os componentes da “Santíssima Trindade” e o Diabo, trazendo um renascer de conceitos medievais, tais como o confronto direto entre o homem e os demônios, as ditas maldições hereditárias, a posse dos crentes pelas forças “magnéticas” do mal. Não pocas vezes aqueles “pastores” ou “médiuns” operam “curas milagrosas” para doenças psíquicas ou físicas, chegando mesmo ao ponto de negação da materialidade dos males que afligem os homens.

Desenvolveram ainda formas arcaicas de encarar a fé religiosa, tendo por foco a busca de revelações diretamente feitas por Deus ou pelo Espírito Santo a seus “pastores”, “bispos” ou “apóstolos”, relações de privilégios nas quais o rebanho é conclamado a inserir-se.

A unirem as mais variadas Seitas, estão aspectos socialmente reacionários como os preconceitos claros ou encobertos contra a homossexualidade e sobre a possibilidade da mulher decidir sobre seu próprio corpo.

Muitas das Seitas, numa busca que é quase sempre totalitária, anseiam pela exclusão do Estado laico, atrelando, por exemplo, a educação a formas do criacionismo bíblico. O contraponto dessas filosofias que negam a realidade e a evolução, que mistifica o conceito do divino, é o seu mais cru materialismo assentado numa estreitíssima aliança do espiritual com o dinheiro e os créditos bancários. Elas substituem o ensinamento de Cristo “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, por um avatar que não lhes é exclusivo, mas que em nenhuma religião é tão explícito: uma moeda onde o lado “cara” tem a figura de Cristo, e o lado “coroa” a imagem do dinheiro, preferencialmente o dólar.

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Aproxima-se o dia Primeiro de Maio. Nos dias de hoje, ele é oficialmente celebrado em mais cento e vinte países, e sua importância nas sociedades somente é comparável aos dias vinte e cinco de dezembro e primeiro de janeiro. Mas não foi sempre assim, como veremos.

Há um século, o Primeiro de Maio de 1914 foi uma das primeiras jornadas de afirmação de classe do proletariado brasileiro, barbaramente reprimida. Coordenada por Domingos Passos, logo a seguir fundou-se a Federação Operária do Rio de Janeiro e, em 1917, ocorreu a primeira Greve Geral Brasileira.

Um dos fatores que mais diferenciam o dia “Primeiro de Maio” das demais datas comemorativas é o fato de ela não haver sido instituída por religião alguma, assim como tão pouco foram poderes governamentais que a instituíram, mas sim, um movimento absolutamente não oficial de homens e mulheres pobres. O evento internacional da classe operária e dos trabalhadores foi instituído em 1890, através de uma convocação da Segunda Internacional, a bem da verdade, de sua ala marxista. Uma resolução aprovada em Paris, em junho de 1889, em comemoração ao centenário da Grande Revolução Francesa, e sua principal bandeira de lutas era pelo limite do dia de trabalho em oito horas.

Um importante detalhe. A convocação foi feita para uma única manifestação internacional, “que deveria realizar-se de acordo com as condições de cada país”. Como, posteriormente, escreveu Edouard Vailland, um dos mais importantes delegados da Internacional Socialdemocrata: “Quem poderia ter previsto o rápido e impressionante crescimento do Primeiro de Maio?”

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Com Sófocles a tragédia grega torna-se mais humana; as ações dos humanos revestem-se de maior responsabilidade perante o destino e tornam-se mais exemplares. O homem da jovem democracia ateniense está numa encruzilhada na definição do direito, em face de decisões que o confundem. No dizer de Vernant, “num mundo de forças obscuras e ambíguas (dialéticas), onde uma justiça luta contra outra justiça, onde o direito nunca é fixo, mas vira e transforma-se no seu contrário.”

Antígona é uma tragédia que dá continuidade às desgraças que pairam sobre os descendentes de Édipo. Antígona, a imagem de mulher como heroína, que desafia o príncipe e a própria cidade em defesa de sua phylia. Sófocles rompe aqui com uma série de paradigmas de uma sociedade machista. Ela é capaz de viver, sofrer e morrer por um ideal.

O enredo se desenvolve após a luta de Polinice, cujo trono havia sido usurpado pelo irmão, e seus  aliados contra Tebas, luta que é vencida pela cidade sitiada, após as mortes em combate singular dos dois: Etéocles, rei de Tebas e Polinices. Creonte, que sucede o rei morto, é irmão de Jocasta e o tio dos dois, assim como das duas irmãs Ismênia e Antígona. O homem no poder, muitas vezes acredita que está optando pelo bem, como o príncipe, mas é o mal que ele termina por praticar.

Antígona tem como primeiro cenário o palácio real de sua cidade, Tebas. Com Etéocles e Polinices mortos, o exército de Argos fugiu. Creonte é o herói do momento e ordena honras fúnebres para o cadáver de Etéocles, que comandou vitoriosamente a resistência de Tebas; ao mesmo tempo, ordena que o corpo de Polinices, declarado traidor, não receba sepultura, tornando-se pasto de aves e cães. O édito de Creonte é claro: aquele que der sepultura e realizar libações ao traidor da Pátria morrerá.

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A tortura como formatação da repressão e do abuso contra seres humanos foi praticada de forma contumaz e, até mesmo corriqueira, em todos os períodos de nossa História. No Brasil Colonial e durante o Império, os alvos preferencias eram os índios e os negros escravos; já na República, quer em seus períodos ditatoriais ou nos democráticos, com grau maior ou menor de abrangência, aos índios e aos negros juntaram-se os mulatos, os cafuzos, os mestiços e brancos, desde que pobres ou marginalizados. A tortura e a barbárie como modo de submissão, de castigo, de investigação ou de simples satisfação sádica, percorrem todos os nossos cinco séculos “civilizatórios”, até os dias de hoje.

Hoje nos deteremos nas deformações corporais produzidas nos negros escravos, causadas por excesso de trabalho, por doenças infecciosas e contaminantes, pelas condições de absoluta falta de higiene e penúria alimentar em que eles eram mantidos na senzala. E, sem dúvida, as marcas deixadas pelo açoite, pelos ferros em brasa, por mutilações e tantas outras formas de tortura aplicadas no homem, na mulher ou nos meninos escravos.

Essas informações chegaram até nós graças aos anúncios  em jornais do tempo do Império, inseridos e pagos pelos próprios proprietários de “negros fugidos”, com o objetivo de facilitar a identificação e a captura dos mesmos pelos capitães-do-mato, mediante recompensa.

Gylberto Freire descreve os numerosos anúncios em que negros “procurados” são descritos como “rendidos” ou “quebrados”, no sentido de haverem sido, de uma forma ou outra, castrados. Também de pretos com “veias estouradas ou calombos no corpo”, escravos com andar “cambaio ou banzeiro”.

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Neste segundo episódio trataremos das revoltas e  da repressão ao negro escravo, assim como do surgimento da figura do capitão-do-mato e das milicias para-militares, invenções cariocas. Nosso heroi, escondido na história, será o resistente João Grande, o clavoniteiro fantasma de Euclides da Cunha.

Edison Carneiro esquematiza a reação do negro contra a escravidão em três formatos básicos: na revolta organizada tendo como objetivo a tomada do Poder Político, na insurreição armada propriamente dita e na fuga para o mato e auto resistência, de que resultou a formação dos quilombos.

Foi no século XIX que a resistência negra atingiu seu auge. Carneiro identifica como revolta organizada os Levantes de Negros Malêses na Bahia, que ocorreram diversas vezes entre os anos de 1807 e 1835. Os negros ditos malêses eram muçulmanos, que chegaram ao Brasil no final do século XVIII, oriundos da região sudanesa da África. Eles possuíam um nível cultural superior ao dos brancos senhores de escravos da época: eram bilíngues, alfabetizados em árabe, tinham conhecimentos de matemática e de plantas medicinais. Lutavam pela condição de homens livres e visavam à destruição do Estado e ao banimento do cristianismo. A última dessas revoltas foi a grande Jehad de 1835, exatamente um século antes no movimento insurrecional de 1935. Infelizmente, a revolta foi precipitada por delação e deflagrada antes do momento planejado.

Os revoltosos sofreram, então, pesadas baixas nas ruas de Salvador. Eram inferiores em número e em organização bélica, no entanto, suas colunas conseguiram tomar dois quartéis de polícia, somente sendo desbaratados pela ação da artilharia e pelas tropas do Exército.

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A tortura no Brasil foi praticada de forma contumaz e, até mesmo corriqueira, em todos os períodos de nossa História. No Brasil Colonial e durante o Império, os alvos preferencias eram os índios e os negros escravos; já na República, quer em seus períodos ditatoriais ou nos mais democráticos, com grau maior ou menor de abrangência, aos índios e aos negros juntaram-se os mulatos, os cafuzos, os mestiços e brancos, desde que pobres ou marginalizados. A esse padrão “cultural” veio somar-se, no século XX, a tortura sistemática de presos políticos. Ou seja, a tortura como modo de submissão, de castigo, de investigação ou de simples satisfação sádica, percorre todos os nossos cinco séculos de “civilização branca”, até os dias de hoje.

O Espaço Literário Marcel Proust publicará uma série de artigos jornalísticos e crônicas de época sobre o uso da violência, do desrespeito e do terror contra pessoas indefesas nos períodos de nossa História que remontam até à República Velha. Ao final de cada episódio, reportaremos um caso específico de revolta contra a barbárie, de alguém que se tenha tornado um símbolo, um herói de nossa Pátria, tantos deles escondidos nas brumas da História.

Hoje vamos nos referir a uma crônica escrita pelo jornalista e teatrólogo Arthur de Azevedo, no alvorecer do século XX. Azevedo resenha os tipos de tortura afligidos aos negros escravos, quer os aplicados por autoridades, quer os utilizados pelos senhores-de-engenho e capatazes nas fazendas e nos interiores de nosso país. Ao final da crônica, rememoraremos a “Vivandeira da Coluna Prestes”, na versão literária de Jorge Amado.

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