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Carlos Russo Jr

Escritor, ensaísta e professor, dedica-se ao ensino de Literatura e Mitologia, com militância política na esfera dos Direitos Humanos. Pertence à geração de 1968, quando cursou Medicina na Universidade de São Paulo. Foi líder estudantil e combateu a ditadura militar, tendo sido preso político na década de 70. Posteriormente, cursou Odontologia na Universidade de São Paulo. Mestre em Humanidades, com Monografia sobre “Helenismo e Religiosidade Grega”. Atuou profissionalmente como Executivo em empresas ligadas à área da Saúde e como Professor Universitário.

Website: proust.net.br

Foram as Cruzadas que, em nome de Deus, se predispuseram a matar todos os judeus da Europa. Os massacres se tornaram tão sangrentos que, bando após bando, os judeus se foram agrupando no recém-criado Reino da Polônia, onde foram bem recebidos, confundindo-se com o princípio da própria Polônia. Uma série de reis poloneses garantiram liberdade religiosa e proteção para os judeus vindos da Boêmia.

Como não havia uma classe média entre os aristocratas e os camponeses, os judeus trouxeram as artes, ferramentas de trabalho, comércio e profissões manuais.

A perseguição aos judeus iniciou-se quando a Igreja Católica cresceu em poderio e se consolidou como religião estatal. Os jesuítas aprovaram conflitos medievais contra os judeus. Logo estes receberam apoio dos comerciantes alemães emigrados e ambos impuseram um imposto judeu, expulsão de ofícios competitivos, comércio e profissões. Os pans feudais proibiram que judeus tivessem a posse das terras. Na Polônia deu-se a criação de um dos primeiros guetos judeus do mundo, trancafiados e emparedados.

Daí, entre os diversos grupos judeus, principiou uma longa experiência em autogestão. Falavam iídiche ao invés da língua local, criaram sua própria cultura e literatura.

Varsóvia com seu um milhão de habitantes, antes da Segunda Guerra, era a Paris da Europa Oriental. Os judeus, então, representavam mais de um terço da população, embora ocupassem apenas 3% da área total da cidade.

Em 1º de setembro de 1939, soldados nazistas atravessaram a fronteira e marcharam para a Polônia. Era o primeiro teste da blitzkrieg (ataque relâmpago) alemão.  Em 27 de setembro, Varsóvia se rendeu.

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A situação de desagregação da República de Weimar e a crise socioeconômica profunda da Alemanha do final dos anos 1920 sinalizavam a possibilidade do surgimento de um regime voltado para a destruição das conquistas civilizatórias e humanísticas, ao estilo do que ocorrera na Itália no princípio da década, com a assunção ao poder do falastrão fundador do fascismo italiano, o antigo ex-socialista Benito Mussolini.

Em 1930 ele escreveu um pequeno conto intitulado “Mário e o Mágico”.

Thomas Mann, literariamente, buscou compreender os aspectos essenciais de um povo trabalhador que concordasse em se submeter a líderes ridículos, imorais e oportunistas, assim como os mecanismos com que esses líderes espúrios logravam o domínio das massas. Sobre o conto nos confessa o próprio autor: “A história se inclina sobre a psicologia do fascismo e também sobre a psicologia da liberdade que com sua doutrina de boa vontade, coloca-se em estado de inferioridade diante da inabalável resolução animalesca e dominadora do adversário, do líder”.

Ao chegar a um balneário italiano em férias com sua família, o narrador alemão descreve a atmosfera à qual, diferentemente daquela por ele conhecida no passado do povo italiano, faltava inocência, “pois havia opressão demais”. Os italianos da elite haviam se transformado em um público que vigiava demais, muito altaneiro, que fingia diante de si mesmos e dos estrangeiros um porte que não possuía e vivia em constante estado de alerta, como para identificar possíveis inimigos.

“Não tardamos a entender que se tratava de política, que a ideia de nação estava em jogo. Efetivamente a praia formigava de crianças e jovens vestidos com símbolos patrióticos, o que não deixa de ser um fenômeno anormal e aflitivo.”

“Dizíamos que essas pessoas atravessavam um período análogo a uma doença.” De todo modo o narrador e sua família, por falta de opções de Torre de Venere, decidiram estarem presentes num teatro onde se apresentaria um mágico. Aliás, ao que tudo indicava, a maioria das pessoas iria à apresentação. Os estrangeiros e a elite do local muito bem acomodados em cadeiras e os populares dos locais, normalmente servidores do turismo, acotovelavam-se em pé.

O Mágico tão aguardado será a figura central; ele é um italiano autoritário ilusionista e hipnotizador de audiências. Na plateia, de pé, teremos o outro protagonista, Mário, um digno trabalhador de um restaurante, que, como veremos, contra sua própria vontade, terminará se submetendo no palco, sendo dominado e rapidamente reduzido a uma marionete do Mágico prestidigitador.

“Il Cavaliere Cipola”, era o Mágico, ostentava o mesmo título pelo qual o próprio Mussolini, o Mito, gostava de ser chamado. Cipola é o “moderno domador das multidões, homem de vontade e ação, cuja astúcia e energia estavam inteiramente a serviço do mal”.

Para quem se designa como um Ilusionista a verdade será simplesmente um parâmetro que nada significa, apenas sua versão de uma ficção mal intencionada importa ,versão que ele deseja impor a todos os que o assistam.

É claro que Cipola evita submeter os turistas e a aristocracia presentes à Torre de Venere ao seu controle e caprichos; serão apenas a audiência que ele deseja que apreciem e aplaudam o seu domínio sobre as massas. Os esforços de amestrador são dirigidos aos espectadores locais, aos estudantes e aos trabalhadores braçais do balneário.

O narrador não se confunde com a aristocracia e a elite italiana presente. Sente- se profundamente incomodado com o acanalhamento de Cipola e se questiona: “Sob o regime de hipnotizadores da vontade das pessoas, de manipuladores que tornam homens livres em marionetes, qual a margem de liberdade que nos é concedida?”

O mal estar, que ele e as poucas pessoas pensantes da plateia, vai se agravando até o limite do intolerável, ao mesmo tempo em que a grande plateia se deixa encantar com as manipulações que Cipola realiza com eles próprios. Aplaude, vibra, se entregam ao manipulador.

Cipola falava bem sem interrupção, mas tudo o que diz são expressões vagas, presunçosas, frases de propaganda, sem a mínima consistência. Interrogava pessoas, mas seus cumprimentos tinham qualquer coisa de zombador e degradante. Dizia: “A faculdade de desembaraçar-se de si próprio, de torna-se instrumento, de obedecer, no sentido mais absoluto e mais perfeito da palavra, era o inverso do outro poder, da faculdade de querer e comandar.”

Para Cipola, assim como para os exterminadores da liberdade, “comandar e obedecer constituem um só princípio, uma identidade absoluta.” Assim como a ideia de povo e do chefe.

Il Cavaliere Cipola tinha o hábito de escolher uma pessoa por noite e torna-la seu alvo. “Mas suas indiretas deixavam transparecer um rancor para com os demais humanos, que nada possuía de fingido.” Fixava seus olhos no vazio, e exclamava uma mentira suprema: “Todo mundo sabe escrever e ler na Itália, cuja grandeza não oferece nenhum asilo à ignorância e às trevas.”

Obriga diversos jovens a papéis humilhantes, embora o auge seja deixado para o final, quando uma catástrofe irá se tornar inevitável. “A alma não pode viver sem querer, não querer fazer coisa alguma é insuficiente para preencher uma vida, e, logo, não querer alguma coisa permite que outra vontade se imponha”, infere o narrador.

Afinal, ser Ninguém é pior que ser Bom ou Mau. Ser Ninguém é o adubo preferido do fascismo.

Mário, um dos escolhidos na plateia, sobe ao estrado. Sob o estalar do chicote do prestidigitador, primeiro é obrigado a reproduzir a saudação faccio- romana, o braço erguido e a mão estendida. Chamado por Cipola de Ganimedes ( o camponês grego escolhido por Zeus para ser seu pederasta na mitologia), Mário é levado a beijá-lo próximo da boca na presença da própria noiva.

“Eu o amo, beije-me, ordena o corcunda Mágico”. E Mário o faz, com uma expressão estúpida de felicidades. Cipola sorri, brutal, cruel, antes de estalar novamente o chicote despertando Mário do transe.

Quando desce do estrado, ouvem-se dois tiros. Mário “não tinha outra saída para escapar à humilhação e reencontrar sua própria dignidade a não ser matando Cipola”.

Um fim impressionante, funesto, contudo, uma libertação, nos diz o narrador. Mas ao princípio da narrativa, Mann de certa forma, antecipara o final. “As crianças, graças a Deus, não compreenderam onde terminava o espetáculo e onde começava a catástrofe, e nós as deixamos sob a ilusão de que tudo havia teatro”.

Pois não fora teatro, mas, como o próprio conto “Mário e o Mágico”, uma imitação da vida, um simbolismo da dominação e da submissão do ser humano sob o fascismo. Ao mesmo tempo o momento do sacrifício, nos tiros que saem da arma de Mário  sua possível ressurreição, na morte do prestidigitador.

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Hoje nos deparamos com uma política antiimigratória desumana dos Estados Unidos, que atinge milhares de famílias de paupérrimos mexicanos, assim como as de diversos países desconstruídos da América Central.

Acontece que, historicamente, existe uma série de fatores que ao mesmo tempo em que propiciaram, por um lado, a riqueza e a pujança da economia americana, por outro atuaram para que a pobreza e a decadência de diversos países se perpetuassem e se agudizassem perante o neoliberalismo triunfante. Estes fatores têm suas raízes em meados do século XIX e chama-se imperialismo.

Acentua com toda a correção Edmund Wilson, autor de “A sangreira Americana” (1961), que os americanos e sua mídia sempre chamaram de imperialismo os avanços sobre os países vizinhos da antiga Prússia, da Alemanha, da Turquia e, principalmente, da antiga U.R.S.S.. “Todavia é-nos difícil reconhecer que somos um país devorador, e que a linguagem que utilizamos é feita para enganar. Se quisermos realmente entender o tipo de papel que desempenhamos, teremos que olhar para trás e tentar ver objetivamente quais foram, no passado, nossas tendências e nossas práticas.”

Mapa do México e U.S.A. -1824

Os Estados Unidos da América iniciaram sua expansão imediatamente após a expulsão dos ingleses. Compraram, logo a seguir, a Louisiana dos franceses e a Flórida dos espanhóis.

No Texas, parcela do território mexicano e sob o domínio espanhol, os norte-americanos iniciaram a invasão colonizadora. Quando o México se torna independente, os U.S. tentam comprá-lo, mas os mexicanos não querem vendê-lo. Os colonos americanos se organizam em milícias e expulsam de suas terras os mexicanos, proclamando a república independente do Texas, que mais tarde se juntaria aos U.S.A..

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Os estudos sobre o fascismo italiano realizado por Gramsci, nos anos 1920, conduziram-no a uma conclusão:

Até mesmo os delitos comuns tinham aumentado assombrosamente com o advento do fascismo, mesmo com toda a brutal repressão por ele aportada. A causa era a da marginalização e perda dos direitos dos trabalhadores nas regiões mais atrasadas da Itália. O desenvolvimento capitalista, com a destruição da democracia, estava organizado não em proveito do povo, mas no das grandes corporações, que haviam financiado a ascensão de Mussolini ao poder.

E com que ferramentas o fascismo se apossara da Itália? Para Gramsci “a primeira liberdade a ser aniquilada e aniquilada da forma mais brutal, não ocorrera com a adoção ou mesmo a promulgação de leis ou decretos, mas com o exercício da violência pura e simples e com o aumento da criminalidade,” fora a liberdade de organização e do movimento econômico dos operários, dos camponeses, dos pobres; depois, a liberdade de opinião e de expressão e nesse barbarismo todo já estava contida- como germe- a essência do fascismo.

E no avanço do mesmo, Gramsci destacou duas consequências: “A primeira é que, quando o fascismo organizou o poder, primeiramente substituiu ou expulsou o velho pessoal dirigente político, tradicional e corrupto”. A segunda, é que o governo arrastou atrás de si, até o fim, uma “trupe de inconscientes, aventureiros e delinquentes”, tão ou mais corruptos que os políticos socialdemocratas tradicionais.

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Nascido em uma família judaica do Bronx, em 1927, Roy Cohn era o único filho do Juiz Albert Cohn, um influente membro do Partido Democrata Americano. Em 1946, Roy formou-se em Direito na “Columbia Law School”, com a idade de 20 anos. Teve que esperar até a maioridade para poder ser admitido como profissional, não sem antes haver tentado subornar o Professor Lionel Trilling.

É verdade que seu seguidor, Olavo de Carvalho, jamais concluiu curso universitário algum, autodenominando-se filósofo; mas isso não importa muito.

Cohn usou suas conexões familiares para fugir do serviço militar e da guerra na Europa, assim como para obter uma posição no escritório do “United States Attorney”, em Manhattan, aos 21 anos de idade. Seguindo indicações e graças às ligações de seu pai Juiz, registrou-se no Partido Democrata, o que jamais constituiu qualquer empecilho para que Cohn fosse apoiado pela maioria dos republicanos influentes de sua época, incluindo dois Presidentes dos Estados Unidos.

Uma vez no “U.S. Attorney”, rapidamente tornou-se assistente do Procurador dos U.S.A. em Nova York, Irving Saypol. E foi como seu assistente que Cohn contribuiu para que um grande número de cidadãos americanos fosse acusado de serem marxistas e de cooperarem com a União Soviética. Um dos primeiros envolvidos na perseguição foi William Remington, um funcionário do Departamento de Comércio, acusado de espionagem por Elizabeth Bentley, formalmente uma desertora da KGB, o que futuramente concluiu-se ser uma mentira plantada por Cohn. Pese a ausência de provas, Remington foi condenado por duplo perjúrio ao não assumir sua ligação com o Partido Comunista Americano.

Cohn também perseguiu ferozmente os onze membros da direção do Partido Comunista Americano, que atuava na legalidade, acusando-os de pregarem a derrubada violenta do governo americano, “a dissolução da família americana”, o que permitiu a aprovação do “Smith Act” pelo Congresso, com enorme prejuízo às liberdades individuais.

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Antes de apresentar prognósticos para o difícil período que se inicia, desejo frisar que entrei para aquela parcelada população, que desde a Revolução Francesa de 1789, denomina-se esquerda por indignação moral e estética, não por conta de raciocínios dialéticos ou por desígnios históricos. Eu o fiz também pelo horror e pelo nojo infinito aos homens que exploram sem limites outros homens, que os manipulam, que os corrompem, que os massacram. Meti-me porque os pobres, os desvalidos me constrangem e doem profundamente por serem considerados socialmente supérfluos, desnecessários, criados pela ganância e pela sordidez daqueles menos de 1% da humanidade que em tudo mandam, que quase tudo consomem, num mundo de perpétuas novidades que simplesmente se dissolvem no ar. Mantive-me para sempre na esquerda por arderem profundamente em minha alma os preconceitos que consideram inferiores  os seres ditos diferentes das normas.

À bem da verdade, mesmo em meus tempos de “maior ortodoxia”, tão distantes, nunca tive crença muito forte no materialismo dialético e menos ainda na inevitabilidade da História, pois em quase setenta anos de vida vivida e algumas centenas estudadas, nada, absolutamente nada, se mostrou inevitável. A previsibilidade é ainda menos preponderante que o acaso. E, para não faltar com a verdade ao que sinto, nem mesmo o progressismo se mostrou sempre benéfico para o ser humano; desde jovem lhe torci o nariz, e creio mesmo que  muitas vezes ele tenha sido, sim, ferramenta para acorrentar os homens à servidão.

Olhando para um passado muito distante, sinto que os gregos possuíam em certa medida graus de humanidade similares e, mesmo, superiores ao do homem pós-moderno. O que se desenvolveu nos últimos dois milênios foi antes de nada a tecnologia, a capacidade do homem de transformar e desfigurar a natureza, em função de seus interesses. Daí que, no meu entender, o sentido da importância do progresso material para mim foi esplendidamente definido por W. Benjamin, quando cotejado com a excelente metáfora do “Anjo da História”, que Paul Klee desenhou no “Angelus Novus”:

“O Anjo da História representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O Anjo da História deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruínas sobre ruínas e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos Progresso.”

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Talvez nenhum escritor tenha pressentido, ainda no auge da modernidade, o significado de uma realidade que se imporia tempos após sua morte, e que se substancializa de forma dramática nos dias pós-modernos do século XXI.

Em Kafka se faz sentir, com uma intensidade desenhada em Dostoievski, o sentido trágico da vida, sem nenhum Cristo exemplar. O senhor K., personagem sem nome, apenas uma inicial que adota em quase todos os seus escritos, simbolizava o seu sentir só, despersonalizado num universo agressivo e irracional, apenas lógico nos lucros e no poder que a todos se impõe. De onde a absoluta ausência de fraternidade, do individualismo extremado, do consumismo absoluto, que trás apenas conforto imediato e que logo após, se esgota e requer mais e mais. Um mundo em ruínas em que as utopias, a religiosidade autêntica e as ilusões humanistas naufragaram.

O isolamento do homem de seu habitat, as notícias instantâneas (hoje, as mídias sociais), o pavor imediato, o desenraizamento social. Em Kafka já antevemos o ser humano coisificado, desumanizado, de nossa sociedade líquida. Daí a alienação e a brutalidade física e psicológica, o conflito entre pais e filhos, o surgimento de personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas que se aprofundam.

Com isso, a vida privada dos homens médios, da economia à cultura, por perfeitamente enquadrados e passivos, torna-se absolutamente manipulável. São obrigados a consumir o que interessa aos oligopólios.

O capitalismo tardio e a insegurança intrínseca a ele acarretam uma angústia dissociativa, que se mantém graças a permanente oscilação entre o terror e esperança, aliados ao coletivo que atua como rebanho.

Enfim, para Kafka a arte não é um meio para recuperar o tempo perdido (como o fora para Proust) ou desafiar o destino (no caso de Malraux), mas sim, uma descrição objetiva do absurdo. No auge do modernismo ele expressa um humanismo que se revolta, pois antevê um futuro espírito totalitário no horizonte da humanidade.

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Assim que os olhos da madura Madame de Pompadour pousaram no jovem gravador da corte, uma brusca paixão tomou conta da senhora e ele a fez sentir-se jovem outra vez. Ao primeiro pedido apresentou-o ao rei e fez com que Dominique-Vivant Denon, aos vinte um anos, fosse nomeado Cavaleiro e Intendente das Pedrarias Antigas de Versailles. Este foi o primeiro degrau de uma fortuna que somente fez por multiplicar-se toda a vida.

Mundano culto e esperto, a seguir convenceu Pompadour apresentar-lhe seu amigo, o intelectual mais famoso da época, justamente o grande Voltaire, com o qual desenvolve amizade, e dele se tona hóspede por algum tempo; como recompensa Denon o retrata no quadro “O almoço em Ferney”.

Vivant-Denon, entretanto, sonhava mais alto. Aspirava à bela carreira diplomática. Pompadour intervém outra vez por seu “queridinho” e o faz nomear secretário da embaixada francesa na Rússia.Em Petersburgo, ele se apresenta à czarina Catarina, trazendo no bolso interno da sobrecasaca uma carta de recomendações de Voltaire.

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No dizer de George Steiner “O Grande Inquisidor”, uma lenda contada por Ivan Karamazov a seu irmão Aliocha, é prometeica quanto ao fincar os pés no passado, permitir antever o futuro manipulável da sociedade de massas. Pois a religiosidade utilitária aponta tanto para as recusas de liberdade real nas sociedades modernas e pós-modernas, quanto para formas tão somente exteriores das denominadas “democracias representativas”. Ao mesmo tempo, este capítulo essencial de “Irmãos Karamazovi” prenuncia os regimes totalitários do século XX e que ensaiam sua retomada no século XXI, como o controle do pensamento e o prazer brutal das massas na Revolução Cultural chinesa, nas Danças de Nuremberg nazista, no Estádio de Moscou stalinista.

Na lenda, a aparição do Santo Inquisidor e o retorno de um Cristo redivivo ocorrem na cidade de Sevilha, no auge da repressão do Estado atrelado à Igreja Católica no século XVI.

Ela  segue sendo um sinal de alerta para as recusas de liberdade, para a invasão das privacidades, para as parvoíces hipócritas, para as mentiras, que “viralizadas” milhares e milhões de vezes, passam a ser são tidas como verdades.

Sinaliza também a vulgaridade espantosa da cultura de massas, o consumismo desmedido, os homens que buscam líderes, mágicos ou tiranos, até mesmo pastores religiosos que retirem da mente dos rebanhos as reações de revolta contra as injustiças sociais e a busca por liberdade.

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O teatro de Eurípides, em seu maior momento, reflete a desestruturação social pela qual passa a “polis” de Atenas, e, nela, a democracia grega, há vinte e cinco séculos atrás. Ao revisitarmos uma de suas mais importantes tragédias, “Hércules”, nos damos conta da semelhança com os dias de hoje, onde encontramos junto à decadência civilizatória e ética, o do retorno dos tiranos aceitos como líderes de sociedades desestruturadas. Tiranos estes que prestam juras e homenagens  a deuses degradados, cuja religiosidade apenas serve aos interesses de dominação.

Eurípedes nasceu na ilha de Salamina por volta de 485 a.C., na mesma época da gloriosa batalha naval travada no estreito de Salamina que livrou os gregos da segunda aventura do Império Persa, que tentava dominá-los.

Sobre sua vida social pouco se sabe, mas a crer nas paródias que autores cômicos como Aristófanes a ele se referiram, Eurípedes preferia o recolhimento, o pensar e o saber às relações sociais mais amplas. Provavelmente o sofista Protágonas e o filósofo Sócrates, de quem era amigo, tenham sido aqueles que mais influenciaram seu pensamento crítico.

Após a vitória sobre Xerxes, sucessor no Império Persa de Dario, a Atenas comandada por Péricles, assumindo a liderança do Peloponeso, passou a exercer um papel imperialista sobre as demais cidades gregas; a cidade enriquece ao mesmo tempo em que vê crescer a perda dos valores éticos na decadência das virtudes cidadãs.

Pois a maturidade de Eurípedes conviveu com a revolta das cidades gregas contra a Atenas imperial, dando origem à longa e destruidora guerra do Peloponeso, onde gregos enfrentavam outros gregos. Pois foi durante a guerra que o poeta escreveu a maior parte de suas peças teatrais, filhas do forte ceticismo do poeta e da sua ruptura tanto com as tradicionais crenças religiosas, como com os valores da decadente democracia grega.

Um dos fatores preponderantes pelo qual Eurípedes desenvolveu um forte espírito antibelicista foi o extermínio que os atenienses realizaram ao derrotar os gregos da ilha de Melos; o fato serviu como substrato de diversas de suas tragédias, onde os vencedores agressores (tal qual os atenienses), são os assassinos e os vencidos, os verdadeiros heróis na defesa da Pátria.

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