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Carlos Russo Jr

Escritor, ensaísta e professor, dedica-se ao ensino de Literatura e Mitologia, com militância política na esfera dos Direitos Humanos. Pertence à geração de 1968, quando cursou Medicina na Universidade de São Paulo. Foi líder estudantil e combateu a ditadura militar, tendo sido preso político na década de 70. Posteriormente, cursou Odontologia na Universidade de São Paulo. Mestre em Humanidades, com Monografia sobre “Helenismo e Religiosidade Grega”. Atuou profissionalmente como Executivo em empresas ligadas à área da Saúde e como Professor Universitário.

Website: proust.net.br

O quarto moscovita, onde residia o escritor Mikhail Bulgákov com sua esposa, ficava no corredor de um prédio senhorial coletivizado após a Revolução. Um dia, a administradora ansiosa do imóvel quase arrombou a porta pela manhã, anunciando que alguém no Kremlin estava ao telefone. Ainda sonolento, Bulgákov atendeu: “Agora o camarada Stalin vai lhe falar.” Deveria ser uma brincadeira e ele bateu o telefone, que, no entanto, voltou a soar insistente. Do outro lado, a voz branda e adocicada do “Pai dos Povos” disse ao escritor: “Como vai, camarada Mikhail Afanasievich? Li sua carta, talvez tenha razão em algumas coisas, mas o camarada deve estar com nojo de nós. Está pedindo para deixar o país…” Bulgakov sentiu o golpe e respirou fundo antes de responder: “Eu tenho pensado muito ultimamente, mas pode um escritor russo viver longe da pátria? Não, não pode.” Stalin retrucou-lhe de imediato: “Tem razão. Se quer ficar conosco diga-me se ainda deseja trabalhar no Teatro de Arte”. Perante a afirmativa, o líder prosseguiu: “Envie um requerimento para o teatro, agora eles o aceitarão. E precisamos nos encontrar para conversar.” Bulgákov animou-se: “Quando?” Respondeu-lhe Stalin: “Vamos ver, camarada, vamos ver.” No entanto, por mais que tentasse jamais Bulgákov voltaria a falar com Stalin.

A geração dos grandes artistas e intelectuais dos anos 1890 produziu o maior literato e dramaturgo simbolista russo: Mikhail Bulgákov! No entanto, ele era dono de um simbolismo todo especial, aquele definido por Franz Roh, em 1925, como “realismo mágico” e quase meio século após, adotado pelos principais escritores latino-americanos como Cortazar , Vargas Llosa, Garcia Marques, Bioy Casares e Borges.

Sua obra-prima foi o romance “O mestre e Margarida”, que permaneceu escondido por sua esposa até mesmo dos amigos mais próximos, vindo à luz no princípio dos anos 1960 e publicado trinta anos após sua morte, permitindo que a literatura soviética ganhasse novas e desafiadoras cores e, pode-se mesmo dizer que com sua publicação, o simbolismo se revolucionou.

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Março de 1940, tropas alemãs atravessaram a Dinamarca e derrotaram as unidades anglo-franco-norueguesas que defendiam a Noruega. Maio, as divisões Panzers alemãs invadiram Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Junho, foi a vez do drama de Dunquerque. Em 6 de julho, as tropas francesas evaporaram. No dia 14 de julho, como prometera um ano antes Hitler, as tropas alemãs entraram em Paris sem encontrar qualquer resistência.

O velho Marechal Pétain negociou um armistício com os nazistas. Um governo fantoche estabeleceu-se em Vichy, e uma fronteira foi erguida entre a parcela da França ocupada militarmente, que, logicamente, incluía Paris e o “novo Estado provisório”. Em  9 de julho, a Assembleia Nacional Francesa, transportada para Vichy, decidiu por 468 votos contra 80, dar poderes a Pétain para promulgar uma nova constituição protofascista.

A palavra colaboracionismo deriva do francês “collaborationniste”. O interessante é o fato histórico de ter sido introduzida pelo próprio Pétain no linguajar político. Em discurso radiofônico pronunciado em outubro de 1940, ele exortou os franceses a colaborarem com o invasor nazista. Desde então, a palavra significou uma forma de traição de cidadãos de um país ocupado por inimigos. A atitude oposta ao colaboracionismo — a luta contra o opressor — passou a ser representada historicamente pelos movimentos de resistência ao invasor.

Se a colaboração com o nazismo foi um fator de desagregação nacional, ela partiu sempre uma decisão individual e, nunca, de uma posição de classe social. Entretanto, o escritor católico François Mauriac, Nobel de Literatura de 1952, escreveu em 1943 que “apenas a classe operária ficara fiel à pátria”.

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Isaac Babel nasceu em Odessa, cidade onde alguma liberdade e segurança os judeus poderiam desfrutar. Babel era filho de uma família que fugira a pogroms antissemitas em terras dominadas por cossacos. Justamente ele, que na juventude, lutaria clandestinamente ao lado dos cossacos vermelhos, também antisemitas!

Na adolescência, Babel entrou na Escola do Comércio. Além das matérias normais, estudou o teologia e música. Posteriormente estudou Negócios e Finanças, onde conheceu Eugênia Gronfein, sua futura esposa. Nessa época, já eram ambos marxistas.

Em 1915, Babel se mudou para o centro cultural da Rússia, Petrogrado, onde conheceu Máximo Gorki. Tornaram-se amigos e Gorki publicou algumas de suas histórias na revista que dirigia; orientou também o aspirante a escritor que buscasse mais experiência da vida real. E ele buscou! Anos mais tarde, Babel escreveu em sua autobiografia: “O nome por quem possuo maior amor e admiração é o de Gorky”.

Babel, embora seja, reconhecidamente, um dos mais brilhantes representantes do jornalismo literário da geração dos nascidos na década de 1880, teve sua obra ficcional muito prejudicada pelas vicissitudes da vida.

Seu apogeu literário ocorreu nos anos 20, primeiro com a publicação, em 1920, dos “Diários de Guerra”, que, posteriormente produziram o clássico “A Cavalaria Vermelha”, de 1926. Assinalou Martin Berman que um de seus temas centrais do livro é a ideia de que, para ser ele mesmo, o herói tem que aprender não só a enfrentar, mas de alguma forma internalizar seu antieu, dado que tanto o eu quanto sua antítese giram em torno da violência.” Se o ego do autor é um intelectual racional, com natural tendência para a melancolia e introspecção, seu o antieu é o de um homem de ação animalesco, primitivo, irrefletidamente cruel.

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“Ouvintes alemães!” Sob esta chamada, o escritor alemão exilado, Thomas Mann, transmitia em sua língua pátria, via BBC, discursos diários antinazistas. De sua exortação de 27 de julho de 1943, extraímos esse breve trecho:

“Os anos repletos do mais brutal terror, de martírios e execuções, não foram suficientes para quebrarem a resistência que nasce no seio do povo alemão. Os estrangeiros verdadeiros, contra os quais os bens sagrados da civilização devem ser protegidos, são eles, os nazistas! Apenas uma parte pequena e corrupta da classe superior, uma corja de traidores para quem nada é mais sagrado que o dinheiro e as vantagens, trabalham com e para eles. Os povos se negam a isso, e quanto mais evidente se mostra a vitória dos Aliados, mais cresce a revolta do povo alemão contra o que lhe parece insuportável… Nesse verão o mundo se comoveu profundamente com os acontecimentos na Universidade de Munique, cujas notícias nos chegaram pelos jornais suíços e suecos, primeiro sem muita clareza e, logo, com mais detalhes. Sabemos agora de Hans Scholl, soldado sobrevivente da derrota nazista de Stalingrado e de sua irmã, Sophie Scholl, de Christoph Probst, do professor Huber e de todos os outros… Sabemos de seu martírio, dos panfletos que eles distribuíram… Sim, foi aflitiva essa predisposição da juventude alemã para a revolução mentirosa, falsa, do nacional-socialismo. Agora os olhos da juventude se abriram e por isso eles põem a cabeça jovem sob o cepo do carrasco. Mas para a glória da Alemanha eles não se calam nem mesmo perante os juízes nazistas: ‘Logo vocês estarão aqui, onde nós estamos agora’”.

22 de fevereiro de 1943, há 75 anos: três estudantes universitários alemães foram condenados e executados em Munique, por liderarem um movimento de resistência contra Adolf Hitler. Mais dois estudantes e um professor de filosofia, da mesma Universidade da Baviera seriam decapitados nos meses seguintes. Em Hamburgo, oitos estudantes igualmente seriam presos, condenados e executados. Dezenas de universitários das duas cidades foram presos, muitos torturados, alguns condenados a prisão perpétua e outros a trabalhos forçados em campos de concentração.

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Graciliano Ramos afirmava com toda a coerência que sempre cercou sua vida pública e privada, em anos da ditadura Vargas: “Como a profissão literária ainda é uma remota possibilidade, os artistas em geral se livram da fome entrando para o funcionalismo público”. Também pudera: “Vidas Secas” teve uma primeira edição de trezentos exemplares em 1938; a segunda, de mil, só saiu em 1947 e uma terceira demorou mais cinco anos para ocorrer. Para sobreviver, ele escrevia pela manhã, era inspetor de ensino à tarde e, à noite, editor do “Correio da Manhã”.

Assim como Graciliano, a maioria de nossos escritores detestava tanto a ditadura Vargas quanto o fascismo, mas recebiam dos cofres públicos por serviços prestados. O Ministério da Educação era comandado por Gustavo Capanema que tinha como chefe de gabinete ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, no mesmo período em que este escrevia o poema “A Rosa do Povo” (“Este é tempo de partido, tempo de homens de partidos”). Drummond disse, posteriormente, justificando-se: “Existe uma diferença entre servir uma ditadura e servir sob uma ditadura”.

Capanema, por outro lado, e sob a influência de Drummond, nomeou como inspetores federais para o ensino público: Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Marques Rabelo, Murilo Mendes, Henriqueta Lisboa e Abgar Renault. Quem ganhou com os intelectuais destes quilates, nomeado para postos-chave no ensino, foram a infância e a juventude do Brasil.

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Desde o ano 1918 até 1930, Gorki esteve em todas as listas de concorrentes ao Prêmio Nobel de Literatura, sem, injustamente, jamais ter sido agraciado com o mesmo. Nesses anos tornara-se um legítimo sucessor de Tolstoi e Dostoievski, sendo então o escritor mais amado de toda a Rússia e de boa parte do mundo europeu.

Aquele que já nasceu poeta antes mesmo de aprender a escrever corretamente, faleceu aos 66 anos de uma maneira que até hoje permanece um mistério: tratou-se de morte natural ou foi assassinato?

Gorki morreu nos arredores de Moscou, na mesma casa onde doze anos antes morrera Lênin. O corpo foi sepultado com todas as honras na Praça Vermelha, junto ao mausoléu do dirigente comunista. O laudo médico acusou:  pneumonia.

Dois anos após, entretanto, a Promotoria de Justiça acusou “agentes de Trotski e fascistas” de terem envenenado o escritor-símbolo da literatura proletária. Nos bancos dos réus sentaram Genrikh Iagoda, chefe da polícia secreta diretamente subordinada a Stalin, Vladimir Kriutchov, secretário de Gorki e agente de polícia, e vários médicos do Kremlin. Todos confessaram publicamente seus crimes, incluindo o assassinato de um filho de Gorki, e foram fuzilados.

Gorki, o amargo, pseudônimo de Máximo Peschow, nasceu na extrema pobreza, em 1868. Órfão, ainda criança, o menino teve de deixar a casa do avô para ganhar a vida. Ocupou-se do que havia à mão, de sapateiro e desenhista até lavador de pratos em navios. Mais tarde, peregrinou até Odessa com uma turma de marginais nômades em busca de emprego. Trabalhou como estivador, auxiliar de escritório, jardineiro, cantor de coro, padeiro. Viajou pelo Cáucaso, Crimeia e Ucrânia. Sofreu a miséria, o frio, a fome e a revolta de um andarilho: este é seu curso universitário, batizado mais tarde por ele como “Minhas Universidades”.

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Nas sociedades democráticas contemporâneas a liberdade foi perdida em meio a um sistema que deixou de representar os anseios dos cidadãos, tornando a convivência humana fundada na igualdade política impossível.

Como decorrência, alijado das decisões políticas e sem espaços para o exercício da liberdade, a população tornou-se desinteressada da coisa pública e seu único Espaço Público reduziu-se à uma urna eleitoral eletrônica e o “Ser Cidadão” foi transformado em mero eleitor digital.

Até mesmo o espaço público-privado do dia a dia, do trabalho, da escola, da vida comunitária é tão somente formalmente público, dado que dele não mais fazem parte os discursos, as ações comuns, o contato e a proximidade entre cidadãos, enfim, aboliu-se em todos eles a fraternidade. Pelo contrário, as ruas, as fábricas, os shoppings, são espaços consagrados ao isolamento: um espaço que os indivíduos ocupam solitariamente, mas não o compartilham entre si!

Os arautos do neoliberalismo recitam uma cartilha que busca abolir o coletivo até mesmo na produção capitalista. Inventam o empreendedorismo como um esparadrapo mal arranjado para uma doença criada pela alta tecnologia: o antigo exército industrial de reserva foi substituído pelos desocupados sem perspectiva de empregabilidade.

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Nos anos de 1915 a 1917, a Suíça era um pequeno país a desfrutar a paz em meio ao grande conflito mundial. Por isso mesmo, lá se concentravam milionários que preferiam não correr riscos com suas fortunas  em meio a espiões e contra espiões de todas as potências beligerantes.

Sem dúvida lá viviam também colônias de exilados políticos, expulsos de países autocráticos como a Rússia czarista. Alguns destes viviam “à la larga”, a maioria, entretanto, muito ao contrário.

Como a ordem do dia dentre as grandes potências beligerantes era a guerra imperialista, os exilados estrangeiros cujos focos de atuação fossem a paz e a revolução proletária, não eram considerado muito relevante pelas autoridades e tão pouco pelos serviços de inteligência.

Dentre estes, um especial residia em Zurique. Ele não frequentava hotéis elegantes, assim como jamais aparecia nos bons cafés de época, tão pouco se expunha a reuniões abertas de propaganda política. Vivia discretamente na companhia de sua esposa, hospedado na modesta casa de um sapateiro que alugava quartos na Spiegelgasse, em frente ao Limmat. Seu quarto ficava no segundo andar da velha construção com as paredes externas sujas graças à fumaça expelida por uma fábrica produtora de salsichas vizinha. Se a fumaça pouco incomodava o casal, o mesmo não se dava com o cheiro que ela trazia.

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John Reed nasceu numa influente família de políticos e magistrados do Oregon. Inteligente e astuto, amante de livros, muito prometia desde a infância e por isso foi enviado a Harvard aos vinte anos de idade, a Universidade da mais fina elite, destinado a ser um prestigiado advogado, quiçá um Congressista. Estávamos em 1910.

É claro, que jamais seus parentes imaginariam que o jovem Jack Reed um dia seria escritor, socialista e o primeiro e grande repórter do século XX!

Quando jovem apreciava conviver com os homens, amava as mulheres, assim como comer, escrever, beber, nadar, jogar futebol americano e poetar. E gostava de gente do povo, mesmo que isso o distanciasse de seus colegas de “família”. A seguir descobriu-se curtindo encontrar-se com vagabundos, trabalhadores, sonhadores, gente distanciada da roda da fortuna.

E Jack adulto foi mudando… Após concluir seus estudos universitários, optou pelo jornalismo, começando por uma revista política, a “Masses”, e pelo jornal “Metropolitan Magazine”.

Em Massachusetts, mais  de vinte e cinco mil operários estavam em greve, exigindo jornada de oito horas de trabalho! A repressão policial não economizava cacetadas e espadadas. Reed, repórter, juntou-se aos manifestantes. Preso com os operários, permaneceu detido durante o mesmo período que eles, não permitindo ao diretor do Jornal o pagamento de fiança.

Aprendeu muito com os grevistas e foi um dos organizadores do desfile de mais de uma centena de milhar de manifestantes no Madison Square Garden, em defesa do direito de greve. Jack Reed buscava a “vida, liberdade e a busca da felicidade”, inscritas na declaração de Independência Americana.

E, a partir desta, por que não uma nova revolução? Foi enviado ao México para cobrir a Revolução Mexicana de Pancho Villa. Em pouco tempo, tornou-se próximo do líder revolucionário. Os relatos apaixonados de Reed ajudaram a espalhar a notícia da revolta. Em contrapartida, foram os cactos, as montanhas rochosas, as morenas risonhas, a maldita poeira, a horrível cadência dos tiroteios na noite, os peões morenos de voz delicada morrendo e matando, que ensinaram Jack Reed a descrever as sublevações!

Assim que Reed regressou aos Estados Unidos, no Colorado ocorreu um massacre, o de Ludlow.  Mineiros em greve foram abatidos pela Guarda Nacional a mando da família Rockefeller. E lá estava Reed e os acontecimentos, uma verdadeira guerra de classes, foram para sempre registrados no livro “A Guerra do Colorado”.  Foi num comício de denúncia dos crimes praticados que Jack conheceu Emma Goldman, e ela seria sua fonte permanente de inspiração feminista e anarquismo. Reed tornou-se membro do Partido Socialdemocrata.

A Primeira Guerra Mundial encontrou Reed na Europa. Escreveu: “Aqui estão nações que se lançam aos pescoços umas das outras como cães… e a arte, a indústria, o comércio, a liberdade individual, a própria vida são taxadas para sustentar monstruosas máquinas de morte!” “A guerra é feita pelo lucro, não por ideais.”

John Reed foi, sem a menor sombra de dúvidas, o melhor escritor- jornalista de seu tempo. Se alguém quisesse saber como era a guerra bastava ler seus artigos presenciais acerca da frente alemã, da retirada da Sérvia, de Salonic, por trás das linhas do abalado Império Czarista. E seu trabalho era requisitado pelos mais importantes veículos de divulgação do mundo ocidental.

Acontece que Reed não tinha um lado! Seu lado era o dos alemães, franceses, russos, búlgaros, de todos aqueles que tinham seus corpos estraçalhados… Por que afinal, que importava para que lado armas destruidoras de vidas apontassem? Os “donos da guerra” só queriam poder e dinheiro!

Em 1916, de volta aos EUA, escutou os incessantes discursos sobre os preparativos militares contra “o inimigo,” e escreveu para o “The Masses” que o verdadeiro inimigo para o trabalhador estadunidense eram os 2% da população que recebiam 60% da riqueza nacional. “Nós defendemos que o trabalhador prepare-se para se defender do inimigo. O inimigo está aqui, em Norte-América. Esse deve ser  nosso preparativo.”

Foi naquele ano que John Reed conheceu Louise Bryant, escritora e, também, libertária; eles se apaixonaram imediatamente. Louise separou-se do marido e foi morar com Reed em Nova Iorque.

Quando em abril de 1917, o Presidente Wilson pediu que o Congresso declarasse guerra à Alemanha, John Reed escreveu: “A guerra significa histeria coletiva, crucificando os defensores da verdade, sufocando os artistas… Esta não é nossa guerra.”

Ao mesmo tempo, chegavam da Rússia notícias de que o Czar fora deposto. Uma revolução estava em marcha! “Finalmente, toda uma população se negou a continuar a carnificina e se revoltou contra a classe governante” escreveu Reed. Com Louise Bryant partiu para a Finlândia onde foi preso e todos os seus papéis roubados. Somente por interferência dos socialistas russos, conseguiu novo visto e seguiu viagem a São Petersburgo.

Agora era coisa séria! A revolução avançava à sua volta com operários tomando o poder nas fábricas, soldados recusando-se a combater, manifestando-se contra a guerra e organizando seus próprios sindicatos. O Soviete de São Petersburgo elegeu uma maioria bolchevique. E afinal, entre seis e sete de novembro, ocorreu a  tomada das estações ferroviárias, telégrafo, telefone e correios, e a concentração de trabalhadores e soldados junto ao Palácio de Inverno. Era nem mais nem menos, a Revolução Socialista!

“As janelas do Smolny ( onde se instalara o Soviete), refulgem, ao rubro branco, como a bocarra de um forno, pois não se dorme em Smolny.  Smolny, o laminador gigante funcionando vinte e quatro horas, laminando homens, nações, esperanças milenárias, impulsos, temores”.

Jack tornara-se próximo dos dois maiores líderes soviéticos: Lênin e Trotski. E correndo de cena em cena, Reed tomou notas com uma velocidade incrível, reuniu cada folheto, cartaz e proclamação e, então, no início de 1918, voltou aos EUA disposto a escrever sua maior história.

Ao chegar, entretanto, suas anotações foram confiscadas. Quando liberadas,  com o prefácio de Lênin, o livro “Os dez dias que abalaram o mundo” ganhou uma primeira edição americana. O livro não era apenas um testemunho vivo, narrado no calor dos acontecimentos da Revolução Russa de 1917, mas igualmente a obra que inaugura a grande reportagem no jornalismo moderno, eleito pela Universidade de Nova York como um dos maiores livros do século XX.

Um ano após, surgiria a edição soviética, prefaciada também por Lênin e Krupskaia.

Reed percorreu, então, os Estados Unidos de ponta a ponta palestrando tanto sobre a Guerra quanto sobre a Revolução Russa, ambas por ele vivenciadas. Em setembro de 1919, depois de falar a uma plateia de quatro mil pessoas, Reed foi preso por desencorajar o recrutamento obrigatório nas Forças Armadas.

Jack Reed, quando parcela de membros do Partido Socialdemocrata Americano rompeu com o mesmo, tornou-se  elemento ativo na formação do Partido Comunista dos Trabalhadores e foi à URSS como um de seus  delegados a encontro importante: a III Internacional.

Em Moscou, Reed encontrou sua grande amiga e companheira política Emma Goldman e escutou seu desabafo em relação a certos rumos que a revolução tomava. Logo, ele se incorporou àqueles que se preocupavam com determinados rumos do governo bolchevique, com a necessidade de eleição de novos sovietes, com a inclusão de partidos socialistas e grupos anarquistas nos novos sovietes, com a necessidade de maior liberdade econômica para camponeses e operários, assim como com a restauração de direitos civis para os trabalhadores.

A Reed repugnava que a ditadura exercida em nome do proletariado russo persistisse uma vez vencida a terrível guerra civil. De certa forma ele pressentia no ar a possibilidade de uma revolta como a de Kronstadt, a insurreição dos marinheiros soviéticos , que aconteceria em menos de dois anos e seria reprimida a ferro e fogo. Reconhecia, entretanto, que de todos os modos a primeira república dos trabalhadores estava e permanecia em pé! Vencia uma pugna de morte contra quase todas as potências mundiais! E isto era o mais importante!

John Reed correu de reunião a reunião, de uma conferência em Moscou a uma reunião no Mar Negro. Foi em sua passagem por São Petersburgo que contraiu o impaludismo. Ficou doente, febril e delirante.

Em outubro de 1920, aos trinta e três anos, morreu em um hospital de Moscou.

O corpo de John Reed foi sepultado ao lado do Kremlin na Praça Vermelha, com honras de herói, ao único norte-americano a quem tal honra foi um dia concedida!

Após a morte de Lênin, entretanto, o livro “Os dez dias que abalaram o mundo” foi condenado ao ostracismo por muitos anos, graças à sua não ortodoxia política, assim como à imagem importante que Trótski nele ocupa. Permaneceria, entretanto, como um dos ícones da literatura da esquerda mundial.

Nos anos de 1960, o livro ganhou um enredo teatral e foi encenado pelo grupo Taganká, em Moscou, sob a direção de I. Liubimov. O sucesso obtido foi tão grande que o tempo mínimo para se conseguir um ingresso chegou a ser de três meses, e isto  por mais de dois anos. Calcula-se que meio milhão de espectadores assistiu ao espetáculo teatral.

“Reds”, um drama produzido por Warren Beatty, foi uma das maiores bilheterias dos anos 1980, quando trouxe às telas a vida e a carreira do escritor-jornalista e revolucionário John Reed. Beatty, que personifica Reed, contracena com Diane Keaton e Jack Nicholson, um verdadeiro épico cinematográfico.

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sociedade escravagista e patriarcal em seu apogeu e, posteriormente, na decadência, fundamentou a literatura realista, crítica de toda uma época. Fertilizava-se ao mesmo tempo o terreno para a modernidade.

E o pensamento novo em seu desenvolvimento, insurgiu-se artisticamente tanto contra um Brasil prematuramente envelhecido, desigual e excludente, que pouco conhecia de suas incríveis potencialidades e regionalismos, quanto contra formas literárias estereotipadas e “importadas”da Europa. “Construir  o Novo”, esta era a mensagem!

Serão estas as questões centrais do livro, que será lançado ao final do mês de abril, em colaboração com Gramma, nas versões papel e digital e disponibilizadas nas principais livrarias do Brasil.

Este trabalho não é, prioritariamente, voltado para o crítico ou para o especialista. Seu objetivo central é abrir “poros” no sentido de desbravamentos, novos caminhos, que conduzam o leitor interessado a uma compreensão do que e do quanto ele poderá obter na leitura direta de grandes autores, inseridos em determinados períodos históricos.

“Textos e Contextos” percorre, na velocidade do hipopótamo do delírio de Brás Cubas, pouco mais de cinquenta anos de Literatura e História. O Segundo Império, a sociedade escravocrata em seu auge, a crise do café, o desastre da Guerra do Paraguai, a abolição da escravatura, a proclamação da República. A degradação do Rio de Janeiro e sua transformação em “cidade maravilhosa”. Os imigrantes, a constituição do proletariado urbano, suas lutas, organizações e conquistas.

Logo, à repressão, aos preconceitos que atravessam nossa História. Finalmente, à eclosão do Tenentismo que abalará as estruturas da República dita Velha.

Em “Textos e Contextos” desfilarão inseridos em seus momentos obras de Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, os trabalhos operísticos de Carlos Gomes, assim como materiais dos principais intelectuais que plantarão as sementes do espírito do novo, plasmado na Semana de Arte Moderna de 1922. Os destaques serão para Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e a Villa Lobos, criador da música erudita alicerçada em nosso riquíssimo folclore, percursor da música popular brasileira.

“A análise é boa como instrumento de esclarecimento e da civilização; é boa enquanto liberta, quando abala convicções estúpidas, dissipa preconceitos naturais e solapa a autoridade.” Thomas Mann em “A Montanha Mágica”. Nisso acreditamos.

Lançamentos programados até junho de 2018:

  1. Dia 29/04(domingo), às 16:00 hs.. Rio de Janeiro. Livraria Largo das Letras. Rua Almirante Alexandrino, 501 – Largo dos Guimarães, Santa Teresa.
  2. Dia 03/05 (quinta-feira), às 19,00 hs.. Vale do Paraíba. Museu Histórico e Pedagógico. Rua Marechal Deodoro, 260 – Cidade Pindamonhangaba – SP
  3. Dia 22/05 (terça-feira), às 19,00 hs.. Ribeirão Preto. Instituto ConversAções. Rua Prof. Alonso Ferraz, 81. Alto da Boa Vista.
  4. Dia 05/06 (terça-feira), às 20,00 hs. . São Paulo. Livraria Brooks. Shopping Frei Caneca. (a confirmar).

Em cada evento teremos uma pequena palestra e debates sobre o tema “O Pensar Novo”.

Obs.: O livro encontra-se disponível à venda na Editora Gramma: https://www.gramma.com.br/produto/textos-e-contextos/

 

 

 

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