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Vitória é, sem dúvida, uma obra-prima do romance psicológico. A história embora contada em tom comedido, sem alarde, requer certa analise literária para que se possa desfrutar de toda a extensão de um trabalho impecável, ao qual Jack London se refere como “um dos porquês de se estar vivo para ler”.

Publicado em 1915, Vitória nada tem a ver com a tragédia da guerra que devastava a Europa. Vitória  é do espírito, de Alma, em sua luta contra a morte.

Axel Heyst é um europeu, irresoluto e sonhador, desiludido com a perspectiva de inserção num mundo ao qual despreza, e despreza por ter adquirido o hábito de pensar. “ O pensamento é o grande inimigo da perfeição. O hábito da profunda reflexão é o mais pernicioso de todos os hábitos contraídos pelo homem civilizado… A utilidade da razão é justificar os desejos obscuros que movem nossas condutas, impulsos, paixões, preconceitos e loucuras, e também nossos temores.”

O personagem central é um sujeito incapaz de uma maldade preconcebida, estando sempre pronto a gestos de autêntica solidariedade, na medida em que estes não acarretem envolvimento e muito menos recompensas materiais. Conrad coloca o sueco Heyst como uma figura que nos sugere francamente o Príncipe Michkin de “O Idiota” de Dostoievski, mas já dentro da perspectiva da complexidade do homem moderno.

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Um dos assuntos que Proust se dedica a explorar com profundidade  são as diferentes facetas que o “eu” apresenta, a dissociação dos estados da alma, a independência dos elementos que compõem a vida interior, e, em decorrência disso, a multiplicidade da personalidade.

Para o autor, o homem é o ser que se dissipa e dissocia. Nada permanece estável e uniforme nem mesmo naquilo em que se toca. Tudo se move e decompõe incessantemente, resultando a precariedade da realidade: “O relativo para mim é o absoluto e quaisquer valores permanentes ou supremos perderam seus sentidos, quer se trate de valores sociais quer psicológicos.”

O que se chama experiência não passa da revelação a nossos próprios olhos, um traço de nosso caráter que reaparece naturalmente, e o faz com tanto mais força quanto o havíamos revelado a nós mesmos uma vez, de tal modo que mesmo um movimento espontâneo se encontra reforçado por todas as sugestões da lembrança.

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13 mar 2017, por

Sobre os urubus

Os urubus o que são? Dizem uns, aves de rapina, outros, lixeiros. Para mim aves de arribação. Elas acompanham meus momentos de depressão. Depressão quando meu pai me dava garupa na bicicleta a caminho do trabalho. Ele era funcionário de um matadouro pelas bandas de Ribeirão. O caminho era sem asfalto, de terra mesmo, e de cada lado a trilha terminava em ribanceira e lá ficavam dezenas de urubus em conciliábulo e cumprimentavam-me ao passar. Ouvia de uns: aonde vão? De outros: todos os dias agora? Ainda outros: vai sobrar algum para nós?

Na volta do serviço de meu pai era a mesma lengalenga.

Eu também que já fui ave de rapina, hoje estou mais para lixeiro. E ave de arribação, viajor, desses viajores para os quais os carros e aviões são desnecessários. Basta o espírito e nesse viajar sou soberano. Não corro mais o risco, ou melhor, a certeza de me desencantar com os lugares, com os nomes, com esses seres que ao invés de asas flutuam nos seus uotzaps, tuiteres, facebuques, que adoram expor-se para mostrarem sua vacuidade, sua vanidade.

Disse diversas vezes: se a metempsicose, essa idiotice abraçada por Pitágoras, afinal demonstrar-se real, desejo reencarnar no corpo de um urubu. Não somente no corpo, mas dele ter a alma valente, independente. Pensando bem, talvez nem o seja tão valente assim, o meu urubu. Afinal ninguém tentou domesticá-lo, aprisioná-lo, seja lá o que for. Pois para um ser feito para a liberdade o pior evento é a domesticação.

Nessa vida tantos tentam domesticar-nos… O urubu não precisa ficar tão esperto quanto o humano, um efêmero especial feito para ser enganado pelos amigos, pelas amantes, por si mesmo. E enganar é o melhor caminho para se domesticar. O urubu simplesmente solta seu croatar para delimitar o repasto, distribui bicadas, levanta o peito e alça vôo, deixando-se levar pelas correntes de ar quente, sem o menor esforço.

Se Pitágoras e os indianos não são tão loucos como eu o imagino, depois de morrer, em quarenta e nove dias cabalísticos quero voltar a nascer, um urubu.

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25 fev 2017, por

Eu poetizo, 1.

Ao meu amor entristecido.

 

Pediste-me que poetize,

Pois então pousa tua cabeça dolorida

Tão cheia de quimeras, de ideal, de desesperança,

Sobre o colo brando que acolhe,

De teu amor compadecido.

 

Hás de me contar nessa voz  querida,

Tão querida quando terna,

A tua dor que julgas sem igual,

E eu, pra te consolar, direi o mal

Que à minha alma profunda fez a Vida.

 

E hás de adormecer nos meus joelhos…

E os meus dedos enrugados, velhos,

Hão de se fazer leves e suaves…

Tais quais flores brancas tombando docemente,

Sobre o teu rosto adorado …

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“Sou espantosamente preguiçoso e maravilhosamente ativo, mas a espaços. Há períodos em que toda atividade intelectual para mim é uma tortura e só me satisfaz a comunhão solitária com a natureza.” Assim se expressava Poe em sua “Autobiografia Espiritual”, bem ao espírito de  seu ídolo, o poeta Byron. E prosseguia: “A minha vida tem sido apenas capricho, ilusão, arrebatamento, desejo de solidão, desdém pelo presente, sede de futuro. Escrevo por imperativo mental, para satisfazer meu gosto e o meu amor pela arte. A glória não exerce em mim a menor influência. Como eu poderia preocupar-me com o juízo de uma multidão se desprezo cada um dos indivíduos que a constituem?”.

Edgar nasceu Poe, em 1809, filho de David Poe, de uma família bostoniana tradicional; David abandonou a perspectiva de ser uma futura magistratura pelo palco ao conhecer a atriz que viria a ser a mãe de Poe. Infelizmente, David iria se tornar um ator medíocre, alcoólatra e morrerá de tuberculose logo após o nascimento do filho Edgar. A mãe, Elizabeth Arnold, arrastará Edgar e seus irmãos para Richmond, na Virgínia sulista onde, três anos após, ela também sucumbirá à mesma enfermidade que acometera o marido.

Então, a companhia teatral adota solidariamente os órfãos de Elizabeth. Ao cabo de trinta dias, entretanto, uma enorme catástrofe marcará a todos. O teatro em que atuam incendeia-se provocando o trágico falecimento de sessenta espectadores.

Os meninos Poe são deixados à caridade pública. Assim Edgar, mal chegado ao mundo, adquire familiaridade com a morte. Ele será adotado por Frances Allan, esposa de um importante comerciante impossibilitada de ter filhos. Edgar passa a chama-se Allan Poe. Ele recebe todo um afeto “sufocante e exclusivista” de Frances, na casa satisfazem-lhe todas as vontades; aos seis anos o pequeno sabe ler, desenhar e cantar, ao mesmo tempo em que é  uma criança mandona e caprichosa. A percepção de um lado bom e de outro mal irá inspirar no artista futuro o conto “Willian Wilson”, onde o garoto Wilson é mau e crescerá mau, sendo perseguido pelo seu lado bom, que se empenhará em frustrar as perfídias cometidas pelo antípoda.

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Assim que os olhos da madura Madame Pompadour deram conta do jovem gravador da corte, uma brusca paixão tomou conta da senhora; ele, o galante rapaz, a fará sentir-se jovem novamente. E ao seu primeiro pedido, ela o apresentou ao rei e fez com que Denon, com vinte um anos de idade, fosse nomeado Cavaleiro e Intendente das Pedrarias Antigas de Versailles. Este foi o princípio de uma fortuna que somente fez por multiplicar-se toda a vida.

Mundano culto e esperto, ele convenceu Madame de Pompadour a apresentar-lhe seu amigo, o intelectual mais famoso da época, o grande Voltaire, com o qual desenvolveu amizade, e dele se tonou hóspede por algum tempo; como recompensa, Denon o retrata no quadro “O almoço em Ferney”.

Vivant-Denon, entretanto, sonhava mais alto. Aspirava à bela carreira diplomática. Pompadour intervém novamente por seu “queridinho” e o faz nomear secretário da embaixada francesa na Rússia.

Em Petersburgo, ele se apresenta à Czarina Catarina, trazendo no bolso interno da sobrecasaca uma carta de recomendações de Voltaire. Agora é a vez de a outra matrona apaixonar-se pelo jovem francês e facilitar-lhe a vida entre as jovens da corte; infelizmente o frio russo o incomoda até mesmo nas alcovas.

Dois anos após deixa a Rússia e decide ir à Holanda, onde se dedica a estudar Rembrandt e, seguindo os traços do mestre, pinta “A adoração dos pastores”.

Retorna, então, à França e obtém a secretaria da representação diplomática em Nápoles. Serve de intermediário da venda de antigos vasos etruscos para o Rei Luís XV, o que lhe rende uma fortuna em comissão. Parte deste dinheiro negocia o apoio para sua entrada na Academia Real de Pintura Francesa.

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A relação entre Sartre e Camus começou por volta de 1940, primeiramente com a descoberta mútua dos livros editados, e, posteriormente, com a amizade pessoal, que durou toda uma década.

Primeiramente, Camus realizou uma resenha absolutamente entusiasmada de “A náusea” de Sartre, escrito em 1938. O personagem Roquetin insistia nos traços repugnantes da humanidade ao invés de fundar em algumas de suas grandezas os motivos para se desesperar. A maioria das pessoas desfrutaria de uma liberdade que lhes era inútil. “Aliás, será a liberdade sem limites que os levará a tropeçarem em suas próprias vidas ou encontrarão seu próprio fim?” A imagem de Roquetin ao final do romance é a de um homem sentado em meio às ruínas de seu presente, de seu passado e de sua própria vida.

Sartre, por seu lado, entusiasmara-se pelo “O estrangeiro” de Camus: Meursault é claramente um indivíduo inconsequente e destituído de objetivo. “O absurdo não está nem no homem e nem no mundo se os examinarmos isoladamente; mas como a característica essencial do homem é estar no mundo, o absurdo acaba por coincidir com a condição humana.”

Filosófica e politicamente muito próximos, eles eram frequentemente vistos como estando juntos na resistência ao nazi- fascismo, embora o comprometimento de Camus tenha sido muito mais importante que o de Sartre. De qualquer modo, ambos tornaram-se os escritores mais célebres na França após a libertação e foram os que mais arrebataram as atenções da esquerda intelectual e, de certa forma, a formataram, por quase duas décadas.

Ao final de 1944, após a expulsão dos alemães, o PCF ( Partido Comunista Francês) tinha 400.000 filiados e praticamente todos os grandes sindicatos operários  seguiam suas orientações. Em 1946, este número chegou a 800.000 e a máquina partidária possuía 14.000 funcionários. Nas eleições gerais do final do ano o Partido obteve quase um terço dos votos e os Ministérios da Educação, Segurança Social e Polícia ficaram sob seu controle. As transformações socialistas pareciam estar ao alcance das mãos.

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Os franceses atravessaram tantas revoluções, golpes e contragolpes de Estado em menos de um século, que se pode afirmar que nos tempos da infância e da juventude de Proust, a classe média à qual ele pertencia respirava a política com certo enfado.

“Temos tido muitas revoluções desde 1789! A nossa experiência nos revela que as revoluções terminaram sempre em tiranias, que os Partidos se dissolvem, as divergências são esquecidas e os adversários de hoje serão os aliados amanhã. O adversário político, que apesar de raciocínios e provas, considerava como traidor o sectário da doutrina oposta, chega a compartilhar das detestadas convicções quando já não interessam àquele que antes tentava inutilmente difundi-las. Esta costuma  ser “a fortaleza” das convicções dos nossos políticos”.

A França teve aquela muitas vezes centenária Monarquia dos Bourbons derrubada pela grande Revolução Francesa, que instituiu a Primeira República, e com ela a fundação de seu primeiro Estado Nacional.  Em 1793 , entretanto, a Revolução viveu a fase conhecida como do Terror e, logo a seguir, a adveio a derrocada dos jacobinos. Bonaparte, então, ganhou destaque no âmbito da Primeira República Francesa. Em 1799, liderou um golpe de Estado e instalou-se como primeiro cônsul, sendo que cinco anos após, fez-se proclamar Imperador.

Fruto de uma política imperialista agressiva, os franceses guerrearam contra praticamente todas as potências europeias, as chamadas Guerras Napoleônicas. Após quinze anos de guerras, com a derrota na frente russa, Napoleão I é derrubado e, logo após os seus “cem dias”, em 1815, assassinado.

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A gestão de Artur Bernardes à frente do Governo Federal foi marcada por uma permanente instabilidade política, crise econômica, revoltas dos trabalhadores e de parcela das forças  armadas. Governou o país sob “estado de sítio” em detrimento dos direitos e das liberdades individuais. Criou o Departamento de Ordem Política e Social em 1924, cujo objetivo era censurar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Como  DEOPS, este órgão repressor se manterá ativo até a redemocratização do Brasil, em 1983.

No entanto, é graças aos seus arquivos que podemos não somente reconstruir a intolerância e a repressão que foi a tônica do século passado, mas também a resistência de intelectuais, de trabalhadores e de estudantes às injustiças sociais e à repressão política. Parcela de seu acervo são milhares de exemplares de jornais apreendidos.

Nosso ensaio falará especificamente de dois Jornais Alternativos, com linha editorial anarquista, que sobreviveram durante meio século, entre os anos 1901 e 1951, graças ao denodo de homens que enfrentaram a pobreza, a cadeia e a tortura e que não podem ser esquecidos.

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Antes de apresentar meus votos para o ano que se inicia, devo frisar que me meti na esquerda por indignação moral e estética, não por conta de raciocínios dialéticos ou por desígnios históricos. A bem da verdade, nunca acreditei muito no materialismo dialético e muito menos na inevitabilidade da História.

Abracei a esquerda pelo horror e nojo infinito aos homens que exploram outros homens, que os manipulam, que os corrompem, que os massacram. Meti-me porque os pobres, os desvalidos me constrangem e doem profundamente por serem supérfluos, desnecessários, criados pela ganância e pela sordidez daqueles menos de 1% da humanidade que em tudo mandam, que quase tudo consomem. Em muitos sentidos os reis medievais tratavam seus súditos de um modo melhor que os potentados modernos tratam seus “eleitores”, sejam eles “liberais- democratas” americanos, ou tiranos “a la chinesa” ou “ a la russa”.

Quando ingressei na esquerda, e o fiz para valer há mais de meio século, ainda se tinham belos ideais, feitos gloriosos, crença firme no progresso inevitável da humanidade.

Esteticamente, por outro lado, ser de esquerda significava trazer em cada um de nós uma mensagem libertadora, juntar-se aqueles que professavam uma ideologia gregária, coletiva, regeneradora do homem e de suas perversões homicidas e suicidas.

Ser de esquerda era pensar-re-pensar o mundo e a inserção de si mesmo nele, algo muito auspicioso para uma época em que ser jovem era romper com as tradições, revoltar-se e, para poucos, tornar-se revolucionário correndo todos os riscos da opção.

Eu fui minha época, a segunda metade do século XX.

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