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O mês de dezembro de 1876 amanheceu com uma grande novidade que não tardou a percorrer o mundo e chegar ao Brasil: Heinrich Schliemann anunciava a descoberta arqueológica de túmulos reais nas escavações de Micenas, cidade grega cujo apogeu se reportava ao século oitavo ou nono antes de Cristo.

Em telegrama enviado ao Rei Grego e pela imprensa divulgado, ele dizia:  ” É com extraordinária alegria que anuncio a Vossa Majestade a descoberta de túmulos, que a tradição assinala como sendo os de Agamemnon, de Cassandra e seus companheiros, todos trucidados por Clitemnestra e seu amante Egisto durante um banquete”.

Aquilo tinha tudo para ser um conto de fadas a respeito de figuras mitológicas, pois o cerco e a queda de Troia, acreditava-se na época, ser unicamente fruto da imaginação de um poeta, Homero. No entanto, o anúncio era complementado com uma relação impressionante do tesouro arqueológico encontrado, onde o grande destaque era uma máscara mortuária de um corpo mumificado, esculpida finamente em ouro vinte e dois quilates, que o precipitado Schliemann anunciava como sendo o do homem que comandara a expedição grega contra a cidade de troiana. Justamente a face do comandante Agamemnon!

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Tanto Freud quanto Nietzsche afirmaram ser o último romance escrito por Fiodor Dostoiévski a maior obra literária jamais escrita na história da humanidade.

Stefan Zweig, ao terminar de escrever seu livro “Os Construtores do Mundo”, foi convidado a realizar um resumo comentado da última e principal obra do grande escritor russo: “Os Irmãos Karamazovi”. Infelizmente, uma série de circunstâncias como o advento da Segunda Guerra Mundial e seu falecimento prematuro impediu que executasse tal projeto. O título provisório para o trabalho seria o mesmo que o próprio Dostoiévski designara para o local onde se passa a tragédia dos Karamazovi: “Skotoprigonievski”.

Dostoiévski tinha por hábito justapor palavras em russo. Skotoprigonievski tem o significado de “um depósito de animais”. O grande depósito de animais que simboliza um universo, microcosmo de nosso mundo de humanidades, no dizer de Ivan Karamazov, repleto de “focinhos humanos”.

Karamazov é originário etimologicamente de kara (castigo) e mazat ( sujar). Desde o título ele nos dirige para “aquela pessoa cujo erro o leva à própria punição”, ou se o quisermos dentro do trágico, aquele que ultrapassa suas medidas e caminha para a própria condenação, uma etapa necessária à redenção ou à perdição.

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“Crime e Castigo”, a obra mais famosa de Dostoiévski, é ao mesmo tempo um dos romances mais bem escritos de toda literatura mundial. Marcel Proust ao escrever que todos os romances desse escritor poderiam ser denominados de “crimes e castigos”, prestou um tributo àquele que é um marco na formatação do pensamento moderno.

Quando o romance genial ainda era tão somente anotações, desenhos, um plano, Dostoiévski enviou a um editor uma carta oferecendo-lhe a venda antecipada dos direitos autorais. Nela encontramos uma resenha do futuro romance:

“Será o estudo psicológico sobre um crime. Um romance da vida contemporânea… Por sua instabilidade mental, um jovem ex-universitário, completamente sem dinheiro, fica obcecado por essas ideias amalucadas que estão no ar. Resolve fazer alguma coisa que o livre imediatamente da situação desesperadora. Decide matar uma velha agiota. A velha é estúpida, gananciosa, surda e doente, pessoa sem maior valor, cuja existência é aparentemente injustificável, etc.. Todas essas considerações desequilibram o rapaz… Praticado o crime ele não se torna suspeito, não seria possível que suspeitassem dele, e é aqui que todo o processo psicológico do ato se desenvolve. De repente, o assassino se vê frente a frente com problemas insolúveis e sensações inauditas começam a atormentá-lo. O próprio assassino resolve aceitar o castigo para espiar a sua culpa”.

“Farei a narração do ponto de vista do autor, uma espécie de ser invisível, porém onisciente, que jamais abandonará o herói… O narrador observará tudo do ponto de vista de Raskholnikov, reagirá a tudo o que ele fala e pensa, sem deixar de vê-lo do ponto de vista do mundo exterior”.

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O que teria levado Sófocles aos 87 anos de idade a escrever uma tragédia referenciada em um mito pouco conhecido na própria Atenas, com raras citações na Ilíada de Homero? Assim mesmo, “Filoctetes”, uma das mais desconhecidas tragédias, é parte das mais grandiosas contribuições da cultura grega!

Em “Filoctetes” concentrou-se a maturidade de um poeta genial, que aos 89 anos de idade, foi levado aos tribunais por um filho ganancioso, que queria interditá-lo e dirigir seus bens. O poeta assim respondeu aos juízes:

“Se eu sou Sófocles, eu não sou mentalmente incapaz; se eu não sou mentalmente capaz, eu não sou Sófocles”. A seguir, o velho poeta declamou de cor versos de “Filoctetes” e de sua próxima e última tragédia: “Édipo em Colono”.

O tribunal ateniense, composto de amigos e admiradores do maior parceiro de Péricles, aplaudiu de pé o poeta trágico e admoestou duramente o filho ganancioso.

Pois as duas últimas tragédias de Sófocles, “Filoctetes” e “Édipo em Colono” dedicam-se a heróis envelhecidos prematuramente, arruinados, humilhados, expulsos de suas comunidades, embora possuidores de enorme virtude e altivez, que mesmo os inimigos são obrigados a respeitar. Numa outra leitura, os velhos que, mesmo mantidos fora do convívio de suas gentes (ambos exilados, como o são os velhos na sociedade), mantêm sua arete, sua dignidade e certa magia daqueles que cometeram desmedidas quando jovens, desmedidas que lhes trouxeram ao serem superadas, o conhecimento e certa mística.

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Auschwitz foi o nome dado à maior rede de campos de concentração operada pelos alemães nazistas e seus colaboradores, localizado ao sul da Polônia. Possuía três blocos principais:  Auschwitz I, o campo de concentração principal e centro administrativo;  Auschwitz II–Birkenau, o campo de extermínio em massa e Auschwitz III–Monowitz, grande complexo estruturado pelo capital privado industrial e movido pelo trabalho escravo de prisioneiros.

Calcula-se que mais de um milhão e trezentas mil pessoas, sendo oitenta por cento deles judeus, foram assassinados nesses campos. Aqueles que não o foram nas câmaras de gás de Birkenau, morreram de fome devido aos trabalhos forçados, à proliferação de doenças infecciosas, por execuções individuais ou por experiências ditas “científicas”.

“Auschwitz é o ponto zero da História, o começo e o fim de tudo o que existe”. Elie Wiesel ainda afirma que “porque vimos a aniquilação de comunidades judaicas, ciganas, comunistas, democratas, pelo câncer nazi- fascista na Europa, temos que combatê-lo sem um minuto de trégua, para salvar o mundo do contágio”, dado que tendências contemporâneas fascistas e homicidas possam em Auschwitz inspirar-se.

No portal do campo, ao final da linha de estrada de ferro da morte pela qual chegavam, os prisioneiros liam três palavras escritas com escárnio e sadismo: “Arbeit macht frei”, ou “Só o trabalho liberta”.

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O quarto moscovita, onde residia o escritor Mikhail Bulgákov com sua esposa, ficava no corredor de um prédio senhorial coletivizado após a Revolução. Um dia, a administradora ansiosa do imóvel quase arrombou a porta pela manhã, anunciando que alguém no Kremlin estava ao telefone. Ainda sonolento, Bulgákov atendeu: “Agora o camarada Stalin vai lhe falar.” Deveria ser uma brincadeira e ele bateu o telefone, que, no entanto, voltou a soar insistente. Do outro lado, a voz branda e adocicada do “Pai dos Povos” disse ao escritor: “Como vai, camarada Mikhail Afanasievich? Li sua carta, talvez tenha razão em algumas coisas, mas o camarada deve estar com nojo de nós. Está pedindo para deixar o país…” Bulgakov sentiu o golpe e respirou fundo antes de responder: “Eu tenho pensado muito ultimamente, mas pode um escritor russo viver longe da pátria? Não, não pode.” Stalin retrucou-lhe de imediato: “Tem razão. Se quer ficar conosco diga-me se ainda deseja trabalhar no Teatro de Arte”. Perante a afirmativa, o líder prosseguiu: “Envie um requerimento para o teatro, agora eles o aceitarão. E precisamos nos encontrar para conversar.” Bulgákov animou-se: “Quando?” Respondeu-lhe Stalin: “Vamos ver, camarada, vamos ver.” No entanto, por mais que tentasse jamais Bulgákov voltaria a falar com Stalin.

A geração dos grandes artistas e intelectuais dos anos 1890 produziu o maior literato e dramaturgo simbolista russo: Mikhail Bulgákov! No entanto, ele era dono de um simbolismo todo especial, aquele definido por Franz Roh, em 1925, como “realismo mágico” e quase meio século após, adotado pelos principais escritores latino-americanos como Cortazar , Vargas Llosa, Garcia Marques, Bioy Casares e Borges.

Sua obra-prima foi o romance “O mestre e Margarida”, que permaneceu escondido por sua esposa até mesmo dos amigos mais próximos, vindo à luz no princípio dos anos 1960 e publicado trinta anos após sua morte, permitindo que a literatura soviética ganhasse novas e desafiadoras cores e, pode-se mesmo dizer que com sua publicação, o simbolismo se revolucionou.

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Março de 1940, tropas alemãs atravessaram a Dinamarca e derrotaram as unidades anglo-franco-norueguesas que defendiam a Noruega. Maio, as divisões Panzers alemãs invadiram Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Junho, foi a vez do drama de Dunquerque. Em 6 de julho, as tropas francesas evaporaram. No dia 14 de julho, como prometera um ano antes Hitler, as tropas alemãs entraram em Paris sem encontrar qualquer resistência.

O velho Marechal Pétain negociou um armistício com os nazistas. Um governo fantoche estabeleceu-se em Vichy, e uma fronteira foi erguida entre a parcela da França ocupada militarmente, que, logicamente, incluía Paris e o “novo Estado provisório”. Em  9 de julho, a Assembleia Nacional Francesa, transportada para Vichy, decidiu por 468 votos contra 80, dar poderes a Pétain para promulgar uma nova constituição protofascista.

A palavra colaboracionismo deriva do francês “collaborationniste”. O interessante é o fato histórico de ter sido introduzida pelo próprio Pétain no linguajar político. Em discurso radiofônico pronunciado em outubro de 1940, ele exortou os franceses a colaborarem com o invasor nazista. Desde então, a palavra significou uma forma de traição de cidadãos de um país ocupado por inimigos. A atitude oposta ao colaboracionismo — a luta contra o opressor — passou a ser representada historicamente pelos movimentos de resistência ao invasor.

Se a colaboração com o nazismo foi um fator de desagregação nacional, ela partiu sempre uma decisão individual e, nunca, de uma posição de classe social. Entretanto, o escritor católico François Mauriac, Nobel de Literatura de 1952, escreveu em 1943 que “apenas a classe operária ficara fiel à pátria”.

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Isaac Babel nasceu em Odessa, cidade onde alguma liberdade e segurança os judeus poderiam desfrutar. Babel era filho de uma família que fugira a pogroms antissemitas em terras dominadas por cossacos. Justamente ele, que na juventude, lutaria clandestinamente ao lado dos cossacos vermelhos, também antisemitas!

Na adolescência, Babel entrou na Escola do Comércio. Além das matérias normais, estudou o teologia e música. Posteriormente estudou Negócios e Finanças, onde conheceu Eugênia Gronfein, sua futura esposa. Nessa época, já eram ambos marxistas.

Em 1915, Babel se mudou para o centro cultural da Rússia, Petrogrado, onde conheceu Máximo Gorki. Tornaram-se amigos e Gorki publicou algumas de suas histórias na revista que dirigia; orientou também o aspirante a escritor que buscasse mais experiência da vida real. E ele buscou! Anos mais tarde, Babel escreveu em sua autobiografia: “O nome por quem possuo maior amor e admiração é o de Gorky”.

Babel, embora seja, reconhecidamente, um dos mais brilhantes representantes do jornalismo literário da geração dos nascidos na década de 1880, teve sua obra ficcional muito prejudicada pelas vicissitudes da vida.

Seu apogeu literário ocorreu nos anos 20, primeiro com a publicação, em 1920, dos “Diários de Guerra”, que, posteriormente produziram o clássico “A Cavalaria Vermelha”, de 1926. Assinalou Martin Berman que um de seus temas centrais do livro é a ideia de que, para ser ele mesmo, o herói tem que aprender não só a enfrentar, mas de alguma forma internalizar seu antieu, dado que tanto o eu quanto sua antítese giram em torno da violência.” Se o ego do autor é um intelectual racional, com natural tendência para a melancolia e introspecção, seu o antieu é o de um homem de ação animalesco, primitivo, irrefletidamente cruel.

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“Ouvintes alemães!” Sob esta chamada, o escritor alemão exilado, Thomas Mann, transmitia em sua língua pátria, via BBC, discursos diários antinazistas. De sua exortação de 27 de julho de 1943, extraímos esse breve trecho:

“Os anos repletos do mais brutal terror, de martírios e execuções, não foram suficientes para quebrarem a resistência que nasce no seio do povo alemão. Os estrangeiros verdadeiros, contra os quais os bens sagrados da civilização devem ser protegidos, são eles, os nazistas! Apenas uma parte pequena e corrupta da classe superior, uma corja de traidores para quem nada é mais sagrado que o dinheiro e as vantagens, trabalham com e para eles. Os povos se negam a isso, e quanto mais evidente se mostra a vitória dos Aliados, mais cresce a revolta do povo alemão contra o que lhe parece insuportável… Nesse verão o mundo se comoveu profundamente com os acontecimentos na Universidade de Munique, cujas notícias nos chegaram pelos jornais suíços e suecos, primeiro sem muita clareza e, logo, com mais detalhes. Sabemos agora de Hans Scholl, soldado sobrevivente da derrota nazista de Stalingrado e de sua irmã, Sophie Scholl, de Christoph Probst, do professor Huber e de todos os outros… Sabemos de seu martírio, dos panfletos que eles distribuíram… Sim, foi aflitiva essa predisposição da juventude alemã para a revolução mentirosa, falsa, do nacional-socialismo. Agora os olhos da juventude se abriram e por isso eles põem a cabeça jovem sob o cepo do carrasco. Mas para a glória da Alemanha eles não se calam nem mesmo perante os juízes nazistas: ‘Logo vocês estarão aqui, onde nós estamos agora’”.

22 de fevereiro de 1943, há 75 anos: três estudantes universitários alemães foram condenados e executados em Munique, por liderarem um movimento de resistência contra Adolf Hitler. Mais dois estudantes e um professor de filosofia, da mesma Universidade da Baviera seriam decapitados nos meses seguintes. Em Hamburgo, oitos estudantes igualmente seriam presos, condenados e executados. Dezenas de universitários das duas cidades foram presos, muitos torturados, alguns condenados a prisão perpétua e outros a trabalhos forçados em campos de concentração.

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Graciliano Ramos afirmava com toda a coerência que sempre cercou sua vida pública e privada, em anos da ditadura Vargas: “Como a profissão literária ainda é uma remota possibilidade, os artistas em geral se livram da fome entrando para o funcionalismo público”. Também pudera: “Vidas Secas” teve uma primeira edição de trezentos exemplares em 1938; a segunda, de mil, só saiu em 1947 e uma terceira demorou mais cinco anos para ocorrer. Para sobreviver, ele escrevia pela manhã, era inspetor de ensino à tarde e, à noite, editor do “Correio da Manhã”.

Assim como Graciliano, a maioria de nossos escritores detestava tanto a ditadura Vargas quanto o fascismo, mas recebiam dos cofres públicos por serviços prestados. O Ministério da Educação era comandado por Gustavo Capanema que tinha como chefe de gabinete ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, no mesmo período em que este escrevia o poema “A Rosa do Povo” (“Este é tempo de partido, tempo de homens de partidos”). Drummond disse, posteriormente, justificando-se: “Existe uma diferença entre servir uma ditadura e servir sob uma ditadura”.

Capanema, por outro lado, e sob a influência de Drummond, nomeou como inspetores federais para o ensino público: Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Marques Rabelo, Murilo Mendes, Henriqueta Lisboa e Abgar Renault. Quem ganhou com os intelectuais destes quilates, nomeado para postos-chave no ensino, foram a infância e a juventude do Brasil.

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