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Genial e terrena, intensamente livre, Tsvetaeva foi ao lado de Pasternak, Maiakovski, Mandelstam e Ana Akhamatova, um dos mais importantes expoentes da geração de artistas e intelectuais nascida nos anos 1890 e que tanto influenciaria e seria influenciada pelos rumos da Revolução Soviética de 1917.

Seu poema “À Vida” é como o arauto de uma alma inquebrantável, um temperamento arrebatado e inquieto que rompe os limites do próprio tempo.

“Não roubarás minha cor                                                                  

Vermelha, de rio que estua.

Sou recusa: és caçador!

Persegues: eu sou a fuga.

Não te dou minha alma cativa!

Colhido em pleno disparo

Curvo o pescoço e o cabelo,

E abro a veia da vida”.

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Vladimir Maiakovski, em sua curta existência, foi um dos maiores poeta do século XX. Revolucionou a poesia libertando-a do quadro estreito das antigas convenções. Foi ele também quem introduziu nos poemas a linguagem dos homens comuns, o palavreado corrente sem que seus versos se banalizassem. A técnica inovadora do verso em escada libera a fala poética e permite-lhe se apossar do discurso político, o ideal que clama por um futuro. E, como se isso tudo não bastasse, Maiakoviski ainda alargou o lirismo, o amor individual, abarcando a condição humana.

Foi em vida um poeta modernista reconhecido em todo o mundo como símbolo do novo; realizou cursos, palestras e participou de encontros nos USA, no México, em Cuba e em diversos países da Europa.

Já como revolucionário, ele tinha para si que a Revolução de 1917 não deveria deter-se na tomada do poder político e na coletivização dos meios de produção. Ou ela permitiria a transformação da vida cotidiana, de toda a vida, do amor entre os homens e das artes, ou não mereceria o nome de revolução.

Péssimo aluno no curso ginasial desenvolvera precocemente paixão pela filosofia. Punido por distração em sala de aula, encontraram abaixo de sua carteira o livro que ele realmente lia durante as falas do professor: “Anti-Duhring”, de F. Engels.

Aos 15 anos aderiu ao Partido Social Democrata, sendo um mês após, preso numa manifestação de rua. Solto, a Okhrana czarista o colocaria novamente atrás das grades aos 16. Em sua autobiografia “Eu mesmo” ele credita o tempo atrás das grades ao conhecimento adquirido em Byron, Shakespeare e Tolstoi, assim como nas obras simbolistas de Bièle, devoradas na prisão.

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Lênin, ao terminar a leitura do mais genial dos contos de Tchekhov, comentou com sua irmã: “Tive uma estranha sensação, não consegui mais ficar em meu quarto… era como se eu próprio estivesse preso na Enfermaria n.6. Nessa noite, não preguei os olhos.”

Tchekhov foi um escritor que jamais escreveu um romance. Sempre foram contos, no máximo novelas que se fixam em aspectos banais do cotidiano, numa escrita absolutamente sem floreios desnecessários, onde os textos são modestamente concisos. Assim fazendo, ele soube como ninguém extrair dos mais distintos aspectos da natureza humana uma diversidade assombrosa de efeitos.

“Todos os grandes sábios são despóticos e mal educados como os generais, pois estão convictos de sua impunidade”. Esta foi a resposta de Tchekhov a seu inspirador e amigo mais velho, Lev Tolstoi, quando este chamou os médicos de inúteis.

Isto porque Tchekhov era médico por paixão, acreditava na ciência como geradora do progresso, inimiga, pois, das condições miseráveis do camponês russo. Via na “resistência ao mal e na resistência passiva”, assim como no desprezo à cultura propostas pelo gigante criador de “Guerra e Paz”, como lorotas reacionárias! “Há mais amor ao homem na eletricidade e no vapor do que na castidade e no jejum”, escreveu numa outra carta a Tolstoi.

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Constitui um tema muito interessante e ainda pouco explorado, o entendimento dos processos de simbolismo e  mitificação que se desenvolveram na Rússia, a partir de 1917, o que, de maneira apenas superficial, é o foco desse rápido ensaio.

O primeiro e mais importante ícone masculino tornado símbolo após a Revolução foi a figura do fundador do Estado Soviético, Lênin. À sua imagem muitas vezes se associava um tríptico: Lênin, Marx e Engels.

Logo após 1926, a esse tríptico associou-se outra imagem, a de Stalin. Dispuseram-se Marx e Engels num lado e Lênin e Stalin*, no outro. E essas figuras-mito permanecerão unidas como emblemáticas da Revolução e do Povo Soviético por 30 anos, até 1956.

O que bastante gente desconhece ainda hoje é o fato de que existiu também uma figura feminina escolhida para ser a mulher-símbolo do processo revolucionário. Ela existiu e  permaneceu por quase uma década.

Na iconografia da Revolução de Outubro ela é Larissa Reisner, a mulher que pousa sempre linda nas fotos e cartazes, e ela o era realmente, com um sorriso confiante e o olhar claro para o futuro, vestindo um longo vestido vermelho, muitas vezes alçada ao convés de um navio em chamas. A mulher símbolo da Revolução perdurará como tal até o final da década de 1920.

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Antes de iniciarmos a resenha das imagens de Benjamin, vamos traçar algumas linhas sobre o jovem filósofo que visitou Moscou dois anos após a morte de Lênin, no decurso das contradições vivenciadas pelo desenvolvimento da Nova Política Econômica leninista (N.E.P.), a qual substituíra o comunismo de guerra dos anos 1917/ 1921, e que antecederia ao coletivismo e à re-estatização forçada dos meios de produção e comercialização da era de Stalin (a partir de 1928).

Para aqueles que classificam as diferentes filosofias da história de acordo com seu caráter progressista ou conservador, Benjamin escapa a tais definições. Trata-se de um crítico revolucionário da filosofia do progresso, um adversário marxista do “progressismo”, para alguns, um nostálgico do passado que sonha com o futuro.

A filosofia da história de Walter Benjamin inspira-se tanto no romantismo alemão, quanto no messianismo judeu e, principalmente, no marxismo. Seu objetivo teórico foi o de radicalizar a oposição entre a análise marxista e as filosofias burguesas da história, na medida em que considerava as filosofias responsáveis pelo historicismo identificadas com as classes dominantes, em detrimento do ponto de vista dos vencidos. Logo, os conceitos de vencido e vencedor só podem ser entendidos dentro do contexto da luta de classes.

Desse modo, o materialismo histórico de Benjamin substituiu a ideologia de progresso preconizada pelo materialismo histórico mecanicista, pois sua visão atacava a concepção de evolução automática e contínua da civilização. Rejeitando o culto moderno da deusa Progresso, Benjamin coloca no centro da filosofia da história o conceito da Catástrofe: “A catástrofe é o Progresso, o progresso é a catástrofe. A Catástrofe é o contínuo da história”.

Seu pessimismo em relação às catástrofes geradas pelo otimismo sem consequências da ideologia do progresso se demonstraram absolutamente justificáveis e até mesmo proféticas, tendo-se em vista os desastres ocorridos no século XX e a sequencia dos mesmos no século XXI..

E será através das lentes deste marxista hetrodóxo que visitaremos a Capital dos Sovietes.

Moscou, 1926.

A visita durou de princípios de dezembro de 1926 até fevereiro de 1927, e foi repleta de expectativas pessoais, filosóficas, políticas e literárias. Benjamin queria conhecer a Pátria do Socialismo por dentro e de perto.

Vamos a alguns de seus relatos:

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Pouco antes de ser encarcerado por ordem pessoal de Stalin, Mandelstam escreveu: “Em nenhum lugar do mundo se dá tanta importância à poesia: é somente em nosso país que se fuzila por causa de um verso”.

Ossip Mandelstam foi personagem central tanto na poesia russa quanto no movimento modernista mundial, sendo autor de alguns dos poemas mais profundos e memoráveis ​​do século XX. No seu próprio dizer, ele era um instigador crucial da “revolução da palavra”.

Nasceu em Varsóvia em 1891, filho de uma família judia culta e abastada, estabelecida em Petrogrado. Já em 1905, sua revolta política levara-o a aliar-se aos “socialistas-revolucionários” e somente a intervenção paterna, enviando-o para complementar os estudos na Alemanha e na França, impediu que Ossip participasse da onda de atentados terroristas que se espalharia pela principais cidades do Império Czarista.

O poeta culto amava a antiguidade clássica e era dos poucos intelectuais russos que admirava Racine. De tal forma que ele se tornou aos vinte anos um dos principais fundadores da escola literária autodenominada  Acmeísmo. O objetivo desta, dentro do movimento modernista, era contrapor-se ao Simbolismo desde um certo neo-classicismo. Para tanto, aportava certo espírito à poesia, em contrapartida a tendências vanguardistas demolidoras da linguagem tradicional, posicionando-se em prol do linguajar simples, claro e usual.

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Nesse momento você tem em mãos o relato de alguém que ansiou pelo fim. Não me lastime e não se espante tão pouco me inveje, pois eu fiz por merecê-lo após tanta estultice, desencanto e muita labuta.

Peço também que tenha um pouco de paciência comigo. Afinal, o custo de minhas confissões será um pouco de indulgência a pagar até chegarmos ao meu sonho. Mas estou eu antecipando, por pura ansiedade o que virá depois. Vamos ao meu escrito, pedindo-lhe que não estranhe o fato de eu escrever no mesmo tempo presente com que escrevem os seres viventes.

Para começar, reconheço ser um sonhador estúpido e empedernido. Por toda uma existência ouvi das pessoas que busco encrencar-me, que ajo motivado pela inveja ou pelo descontrole, quiçá por uma imaturidade que os anos não curaram, talvez pela loucura, ou por qualquer coisa que por aí vai…

Quando sobre mim assim falam, creia-me caro leitor, fazem-me um favor, pois sei que na essência não passo mesmo de um tipo parvo de sonhador. Parvo ao nível de deixar-me envolver por um sonho sem medir as consequências, permitir-me como uma vítima de sonambulismo ser por ele conduzido. Sim, um sonho, nada mais que um sonho foi o motivo da transformação da minha vida.

Peço que isso não soe como auto absolvição; tratei de viver a minha verdade, o meu sonho, ou aquilo que julguei que ela assim o fosse. Pois essa verdade sonhada tornou-me um misantropo na vida. Aqueles que foram meus amigos e que de mim se afastaram nada têm a ver com isso. Até creio ser distinto afirmar que é difícil crer que hajam me suportado por muito tempo e, se agora, simplesmente, fujam de mim, não os posso censurar. Mesmo porque, se eu digo que me tornei parvo devido ao meu sonho, isto também não é verdade. Se o faço é para encobrir a certeza íntima de que sempre fui, creio mesmo que de nascença, um estúpido, um ser inadequado ao convívio social.

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(releitura no século XXI de “A árvore de Natal” e de “Humilhados e ofendidos”de Dostoiévski)

A casa antiga de três andares um dia abrigara uma família de posses, elegante. Quem saberia dizer desde quando havia sido abandonada aos gatos, aos ratos, aos insetos e aos pássaros? Parte do telhado havia cedido e as marcas da umidade que avançava eram visíveis mesmo do lado de fora do imóvel.

Há algum tempo, dizia a vizinhança, uma empresa surgira e apropriara-se do imóvel. Três ou quatro trabalhadores haviam erguido um muro na porta de entrada e cerraram as janelas com tábuas. Pouco importava a deterioração pela qual passava o sobrado, aliás, aparentemente contava-se com que o tempo tudo destruísse.

Certo dia o sobrado abandonado foi descoberto por um pequeno grupo de desvalidos da sorte que polvilham minha cidade. Sem muita discussão ou pedido de licença, a um primeiro pontapé bem aplicado seguiram-se outros; como por acaso, um dos arrombadores trazia em sua carroça de trastes da rua uma barra de ferro. Logo a paliçada foi ao chão e cada qual foi se acomodando como podia.

Existem notícias que circulam com as asas do vento. O certo é que não tardou para muitos moradores sem teto, dos mais diferentes pontos da cidade, descobrissem aquela ancoragem e a ocupassem.

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Baseado em uma Releitura de “O Homem Revoltado” de Albert Camus)

A revolta constitui uma das dimensões essenciais do homem. O homem revoltado é, antes de tudo, aquele que diz não. Ao dizê-lo, ele se recusa, mas não renuncia, pois negar uma situação é dizer sim desde o primeiro movimento, porque o movimento de revolta apóia-se tanto na recusa categórica de uma intromissão intolerável, quanto na certeza confusa de um direito efetivo. Portanto, a revolta só ocorre quando se crê que se tem razão. Se o desespero, como o absurdo, julga e deseja tudo em geral e nada em particular, o movimento de revolta, ao contrário, invoca tacitamente um valor.

No caso do escravo quando rejeita a ordem humilhante do seu senhor, ele refuta a sua própria condição de escravo. Quando parte para o tudo ou nada, a consciência vem à tona com a revolta e ele se capacita a criar novos valores.

Portanto, partindo de uma aparência negativa, uma vez que nada cria, a revolta é, entretanto, na sua essência positiva, na medida em que revela o que no homem deve ser sempre defendido: a sua liberdade, a possibilidade de ação, ou aquilo que é seu corolário: a vontade ativa e a possibilidade de iniciar algo novo.

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“Fedra” escrita por Jean Racine no século XVII, inspirado em Eurípedes e em Sêneca, muito contribuiu para ilustrar raciocínios psicanalíticos tanto de Freud quanto de Lacan.

Esta é uma tragédia que nos aporta casos e mais casos em que o amor é basicamente a paixão ou o tormento do sexo. No dizer de Lacan temos o amor como complemento da relação sexual, que em “Fedra”, assim como nos fragmentos que nos chegaram de Eurípedes, a todos devasta.

O objetivo de nosso ensaio é percorrermos essa saga de paixão, sexo e devastação no núcleo de uma família que, por gerações, foi orientada pelo sexo.

Principiemos por Teseu, marido de Fedra e pai de Hipólito. Teseu é filho de Egeu, o mesmo rei de Atenas que deu guarida à enlouquecida Medeia que fugiu de Corinto após matar por ciúmes os próprios filhos.

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